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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Hipermercado dos livros

 

 

Nada de novo neste cantinho do mundo. Pode parecer que há uma frente imparável entre centrais sindicais unidas, fundadores da democracia a levantarem as massas, manifestações diárias e desacatos na Assembleia da República.

 

Na verdade, é apenas a banalização da demonstração do descontentamento. O governo continua lá, com uma maioria parlamentar que ainda não se desmanchou. A execução orçamental continua a ser horrível, sobe o desemprego, o défice e mantém-se a desvergonha e o mau gosto inexcedível de pessoas como Vítor Gaspar, que nem percebe que é melhor não tentar fazer humor.

 

Nada há, portanto, a dizer de novo, que não se tenha dito já milhares de vezes. Como não se consegue continuar a aumentar exponencialmente a desesperança e a depressão, habituamo-nos. O ser humano adapta-se a tudo para sobreviver.

 

Hoje, pelo menos, São Pedro deu-nos algumas tréguas. Esteve um dia lindo. Por isso decidi ir à Feira do Livro. Arrependi-me ao fim de 10 minutos. A Feira do Livro transformou-se no Hipermercado do Livro, em que há uns cestinhos para ir tirando livros de estantes cheias, propaganda e promoções a autores e a livros, tal como no Jumbo e no Continente, filas de gente para as caixas, desgraçados autores sentados a escrevinharem autógrafos para os eventuais leitores, muitas barraquinhas de gelados, de doçaria regional, água, café e sei lá que mais, para além dos balões, palhaços e carrinhos de bebé porque hoje era o dia mundial da criança.

 

Tenho um problema cada vez mais grave com estas manifestações culturais. Fugi a sete pés.

 

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