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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Intencionalidade vs incompetência

 

 

O Ministro da Saúde não compreende a greve convocada pelos médicos.

 

O que os médicos não compreendem, pelo menos os que defendem a existência de um SNS, os médicos que defendem que a existência de uma carreira profissional estruturada em patamares a que se acede através de concursos públicos, em que a valorização profissional, a formação contínua, actualização permanente são indispensáveis para a avaliação curricular, os que defendem que a formação e diferenciação são indispensáveis à qualidade dos serviços, fazendo-se através de equipas integradas com várias gerações de médicos, em que a tutela e o apoio pelos médicos mais diferenciados faz parte da actividade assistencial, o que os médicos não compreendem como é que o Ministro Paulo Macedo defende as carreiras médicas alicerçando a constituição dos serviços em prestadores, pagos à hora, sem qualquer condição ou obrigação, para além do cumprimento estrito de um número de consultas/ cirurgias/ etc.

 

O que os médicos não compreendem, pelo menos os que defendem a existência de um SNS, é como se podem implementar taxas moderadoras que obriguem os doentes a pagar aquilo que não decidem usar, como exames complementares de diagnóstico ou mesmo técnicas adicionais, que fazem parte da decisão do próprio médico. Independentemente da percentagem que isso representa nas receitas do SNS, perverte o sentido do que são taxas moderadoras e impõe um imposto acrescido pelo usofruto de cuidados de saúde, o que afasta objectivamente do sistema quem tem menos recursos financeiros, além do abuso e da irrelevância da carga de impostos que existe.

 

Não sei quem se lembrou de abrir um concurso para recrutamento de médicos idêntico aos concursos para compra de detergentes de limpeza. Também não sei o que é mais assustador – se pensar que esta é a verdadeira intenção dos nossos governantes ou se estes acontecimentos resultam da inusitada incompetência de quem povoa os ministérios.

 

Adiar por mais uns meses

 

 

O PS francês conseguiu uma maioria absoluta nas últimas eleições. Apesar de considerar essa mudança muito importante, não me parece que as repercussões na política europeia, principalmente na situação de crise continuada a que assistimos desde 2008, sejam superiores ou mais relevantes que as resultantes das eleições gregas.

 

A Grécia continua na corda bamba. O acordo entre partidos para formarem um governo que mantenha a recessão e a austeridade mandatada pela troika pode adiar um desfecho que parece quase inevitável. E se continuar a instabilidade social e política e se mantiver a exigência da Alemanha, para além da saída da Grécia da zona euro, com a Espanha e a Itália a seguirem-se na turbulência dos omnipresentes mercados, a França não terá capacidade para deter a implosão.

 

Não sei se a vitória da Nova Democracia na Grécia evitou o inevitável apenas por mais alguns meses de aperto para os países da Europa.