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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Teach me tonight

 

Amy Winehouse 

 

Did you say I've got a lot to learn?
Well babe, don't think I'm trying not to learn
Since this is the perfect spot to learn
Go on, teach me tonight

Starting with the ABC of it
Right down to the XYZ of it
Help me solve the mystery of it
Go on, teach me tonight

The sky's a blackboard high above you
If a shooting star goes by
I'll use that star to write "I love you"
A thousand times across the sky

One thing isn't very clear, my love
Should the teacher stand so near, my love?
Graduation's almost here, my love
Teach me tonight

I'll use that star to write "I love you"
A thousand times across the sky

One thing isn't very clear, my love
Should the teacher stand so near, my love?
Graduation's almost here, my love
Oh oh teach me...
Oh oh
Teach me tonight

 

Hienas

 

Ayuna Collins

 

 

Fatias de irreprimível despeito

em fartas espécies de tremente carne

olhos que afastam interrogações

fatias de irreprimível bocejo

entrelaçados dedos em pinça.

 

Pudesse eu desformar essa sentença

esse elástico sorriso de hienas.

 

Depressão

A última semana foi pródiga em motivos de depressão acentuada para quem teima em manter-se otimista em relação às pessoas e ao caminho político e social do país.

 

Desde a instauração da democracia que é difícil encontrar exemplo mais infeliz de um detentor do cargo presidencial, como neste momento. Aníbal Cavaco Silva é, de fato, difícil de igualar em falta de envergadura, elevação, distanciamento, sentido de missão, ponderação, diplomacia, conhecimento, cultura e moralidade para o desempenho da função.

 

Nada obsta a que os protagonistas políticos não deixem as suas memórias para a posteridade. Mas enquanto atores políticos, pede-se-lhe a capacidade de honrarem os cargos que ocupam. O texto a que todos se referem, desde ontem, revela um Presidente que, no exercício das suas funções, num desdobramento de personalidade e auto elogios, justifica azedamente o mal do país com a deslealdade do governo anterior, mais especificamente de Sócrates. Cavaco Silva não consegue abstrair-se da admiração que tem por si mesmo, da sua pequena roda interior, do seu vicioso ciclo emplumado, do seu espelho multiplicador.

 

Por outro lado este infeliz episódio, a que estranhamente foi dada tanta ênfase na comunicação social, visto que se trata de um prefácio ao tomo número n de fascículos dos discursos do presidente, que ninguém alguma vez leu com atenção, serviu para ofuscar a monumental derrota política do governo na Assembleia da República, a propósito do caso Lusoponte.

 

Coincidência ou não, esta é uma semana em que o tempo brilhante de uma Primavera antecipada não fez esquecer a infelicidade de quem teima em manter-se a par do que se passa cá dentro.

 

A derrota da crise (5)

2 de Março a 15 de Abril

Teatro Meridional

 

Um sonho ou um poema cénico, em que as narrativas se fragmentam em imagens que passam, se transformam e diluem.

São “poemas”  e sonhos de mulheres,  onde o feminino encontra os seus referentes em contos de fadas, nas deusas gregas e sempre nas mulheres de muitas histórias e de muitos lugares.

Povoado de símbolos que despoletam ou prenunciam diferentes acções, procurámos dar voz aos arquétipos, às imagens primordiais femininas, na constante repetição da mesma experiência realizada durante muitas gerações.

Diz a tradição que uma das missões dos Anjos é ajudar a humanidade a aproximar-se de Deus. Aqui, as mulheres são alguns dos “anjos” que têm fome do mundo e de si próprias.

 

Criação - Teatro Meridional

Encenação e Dramaturgia - Natália Luíza

Poemas - Al Berto, Fernando Pessoa, Herberto Helder, Gastão Cruz, Gonçalo M. Tavares, Teixeira de Pascoaes

Elenco - Ana Lúcia Palminha, Carla Galvão, Susana Madeira

Espaço Cénico e Figurinos - Marta Carreiras

Música original - Fernando Mota

Desenho de luz - Miguel Seabra

Vozes Gravadas - António Fonseca, Miguel Seabra e Natália Luiza

Fotografia - Nuno Figueira

Assistência de Encenação - Maria João Santos

Design gráfico e Vídeo - Patrícia Poção

Assistência de cenografia - Marco Fonseca

Operação técnica - Nuno Figueira
Montagem - Marco Fonseca e Nuno Figueira

Produção Executiva - Natália Alves

Direcção de Produção - Maria Folque

Direcção Artística TM - Miguel Seabra e Natália Luiza

Congresso PSD

 

Será que há tantas indignações agora, com a eleição de Passos Coelho, candidato único à chefia do seu partido, vencedor anticipado com 95,5% dos votos, como houve na altura em que Sócrates foi candidato único e eleito com 95,3%?

 

Será que ninguém se preocupa com o kimilsunguismo do PSD? Com a falta de democracia interna do partido do governo?

 

Em nome do pai

 

Porta de uma padaria em Sabrosa (01/03/2012) 

 

O meu nome, próprio e de família, da mãe e do pai. Aos 10 anos não pensamos nisso, aos 20 anos queremos ser nós, se possível nascidos de geração espontânea, sem peso de ecos, mesmo que por boas razões, aos 30 e 40 enchemos o nome com a vida, aos 50 sentimos o nome como continuidade.

 

De mãe e de pai nascemos, mas hoje ocupo-me do pai. Daquele pai ao serviço da Pátria e do Exército, que fez do serviço público a sua vida. Daquele pai com um nome que incomodava a minha independência, no nome que pesava quando me chamavam para os exames, do nome que granjeava admiração e respeito na altura em que eu me considerava filha de Deus e do Diabo. Daquele pai de quem tantas vezes discordei e muitas vezes ainda discordo. Daquele pai que me habituei a olhar com os valores que me ensinou desde que nasci. Daquele pai reto, convicto e brilhante, que falava de livros, países, História, filosofia, política. Daquele pai determinado e que não se acomodava ao poder, aos conhecimentos adquiridos, até à serenidade de uma velhice sem sobressaltos.

 

Hoje ocupo-me do pai que nasceu em Vilela do Douro, que foi hoje homenageado por Sabrosa. Daquele pai cujo percurso desfilou perante a assembleia, recitada por amigos e familiares, daquele pai que me doou algumas das caraterísticas que, por vezes, me transtornam a vida como transtornaram a dele, mas que nos fazem olhar a direito para o espelho sem corar.

 

Não gosto de falar do meu pai. Mas hoje ocupo-me de me sentir orgulhosa e emocionada por ter estado presente na homenagem que lhe foi feita. Não gosto de congratulações por empréstimo nem de me colar ao que não foi, por mim, atingido ou elaborado. Mas hoje chorei de contentamento pela emoção do meu pai. Hoje falo do importantíssimo papel que ele, tal como outros como ele, tiveram na nossa História coletiva, na implementação da nossa democracia. Imagino o empolgamento, a responsabilidade, a coragem, a determinação, as dúvidas, as certezas, a disciplina e a estatura moral que ele, tal como outros como ele, viveram, tiveram.

 

Não gosto de falar do meu pai. Mas hoje ocupo-me também de agradecer o seu exemplo, mais do que tudo o que ele me poderia dar. Hoje sou mesmo a filha do meu pai.

 

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