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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

O Sr. Meireles

 

 

E o Sr. Meireles (como lhe chama uma amiga) entrou, final e triunfalmente na minha casa. Grande, robusto, fiável (esperemos), promete mundos e fundos de sabor.

 

Mas não foi fácil. Em primeiro lugar, ninguém pense que aproveitar algumas coisas menos velhas, que outros, com amor e carinho nos doaram, vale a pena. No caso em apreço, reutilizar um fogão composto por placa e forno eléctrico, numa casa apetrechada com um fogão a gás inteiriço, tudo num só, fica ao triplo do preço de um novo fogão inteiriço a gás, novinho em folha, para substituir a velharia. Isto quando não embarcamos num único orçamento, feito por um dos muitos Mourinhos de cozinhas, que se esquece, coisa pouca, de que a torneira de segurança do gás deve ficar, obrigatoriamente, à mão de semear.

 

Mas a solução de troca de fogões, Sr. Portugal por Sr. Meireles, é muito mais complicada do que parece. A empresa que fabrica e comercializa os fogões Meireles, portuguesa com certeza, vende-o on line ou através de outras casas que estão perto de toda a gente. Por isso fui feliz e contente à Rádio Popular para adquirir o famoso fogão Meireles. Apesar de ter avisado que o gás que corria nos canos da minha casa era o natural, disseram-me logo que o fogão era entregue preparado para gás butano, e que iria lá um técnico Meireles para trocar os injectores. Apesar de me terem tentado esclarecer, não percebi a explicação da razão pela qual o fogão não poderia ser entregue já com os injectores correspondentes. Depois teria que ser o cliente - neste caso eu - a contactar um técnico credenciado para a instalação do fogão. A Rádio Popular faria o obséquio de me dar o nome de uma empresa credenciada para o efeito. E também podiam remover o fogão antigo se e só se já estivesse desligado da canalização.

 

Impossível tentar juntar todos estes elaborados e laboriosos passos. Portanto eu comprava um fogão que me iam entregar a casa (a Media Markt, por um trajecto de 5 Km, cobra a módica quantia de 20,00€); a seguir, não sei quanto tempo depois, aparecia o técnico para trocar os injectores; depois, iria outro técnico fazer a instalação; a seguir eu ajeitava o fogão velho como um móvel a mais, até ser possível a Câmara ir lá buscá-lo. Muito prático, não há dúvida.

 

Como não me rendi, procurei na internet todas as casas que forneciam fogões Meireles e oh, surpresa, a Neocasa, instalada na zona de Leiria, faz tudo ao mesmo tempo: traz o fogão novo, já com os injectores adaptados ao gás que temos, instala o fogão porque é credenciada para isso, leva o fogão velho, e entrega a factura em troca do pagamento por multibanco, na nossa própria residência. Não é extraordinário?

 

Escolhas

 

 

 

Escolho o nada exactamente a simples existência do quotidiano sobressaltado alienado de trabalho e tarefas que se somam e seguem sem pausa. Escolho o conforto da mediania casa pão e mantas tardes de domingo em doce transformação do alimento em doce mansidão de carinho amassando o dia para os que amo. Escolho a surdez selectiva para o absurdo a cegueira propositada para a negrura a apatia planeada da placidez.

 

Passam rostos vozes entre o desligar da mente figuras indistintas e pomposas que se ouvem aplaudem acenam sisudas e bem vestidas apertadas e cingidas entre cinzentos e campainhas. Reconheço vagamente vultos de uma irrisória magnitude que incomodam como um arranhar agudo de giz na ardósia. Fogem os olhos da nuvem de poeira como as palavras pulverizadas dos fatos que se cumprimentam dos penteados que se opulenta.

 

Escolho o branco dos lençóis a música o ritmo repetitivo da vida que assinamos pontualmente desde que toca o despertador.

 

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