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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Presidência da República desprestigiada

 

 

A abertura da caixa de Pandora do populismo está a ter as suas consequências, umas imprevisíveis, outras previsíveis e perigosas. A diabolização dos políticos e dos detentores dos cargos públicos, com a demagógica redução de remuneração dos mesmos, é apenas uma das facetas daquilo que tem sido empolado por responsáveis dos partidos políticos, de todos, embora mais prevalentes na coligação que nos governa e nos partidos ditos de esquerda, como o BE e o PCP, por vários comentadores, grandes empresários e maravilhosos economistas.

 

Dito isto, alguém dos vários assessores do Presidente da República deveria aconselhá-lo vivamente a renunciar ao cargo. A panóplia de gente iluminada, da qual Cavaco Silva faz parte, que tem perorado sobre a necessidade de contenção, austeridade, equidade e justiça fiscal, a necessidade de reduzir os hábitos de consumo, de não se gastar acima das nossa possibilidades, está a revelar-se de uma desfaçatez e arrogância, que nada de bom pronunciam para a coesão social.

 

Mais revoltante que todas as opções ideológicas é o desfile de declarações a que temos assistido, de que as do Presidente, lamentando-se pelo fato da soma das suas reformas não chegar para as suas despesas, é o ponto máximo. Todos os reformados descontaram durante anos para poderem usufruir de um montante que foi seriamente reduzido e será ainda mais. Todos os que descontaram para o subsídio de desemprego agora só podem ter acesso a um escasso número de meses subsidiados e por muito pouco. A imensa maioria das pessoas são obrigados a pagar as suas despesas com muitíssimo menos que as reformas de Cavaco Silva.

 

Cavaco Silva desprestigia o cargo e a função de Presidente. Era melhor que se fosse embora.

Máscara

Ebon Heath: visual poetry

 

Pedes-me frases despidas de conceitos e artefactos

desenhos retos de uma linguagem figurada

entre o indecoro da lassidão e a experiência do tempo

pedes-me alma sem o alçapão da memória

corpo sem rasura nem mácula.

 

Aceno em sinal afirmativo sabendo que o momento

da entrega terá a evidente máscara

confidente e confiante da ternura.

A derrota da crise (3)

 

Aqui está uma ideia para apreciar condignamente:

 

 

Programa

 

9h: Sessão de abertura

9h30mn: María José García Soler (Universidade do País Basco) - La presencia de la gastronomía en la literatura griega.

10h: Maria Regina Cândido (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) - Banquete grego: entre o ritual da philia e o prazer da luxuria.

10h30mn: debate

10h50mn: pausa

11h20mn: Carmen Soares (FLUC) - A imagem da arte culinária e dos autores de literatura gastronómica na Grécia Antiga.

11h50m: Elisabete Cação (CECH) - Utensílios e processos de confecção em Arquéstrato e Ateneu.

12h10m: Nelson Henrique (CECH) - Da natureza para o prato: a observação de comportamentos e habitats no De alimentorum facultatibus de Galeno.

12h30m: debate

13h: almoço

15h: Inês de Ornellas e Castro (Universidade Nova de Lisboa) - Discursos e rituais na mesa romana.

15h30m: Carlos Fabião (Universidade de Lisboa) - Os preparados de peixe de época romana na Lusitania: os nomes e os produtos.

16h: debate

16h20m: intervalo

16h45m: Paula Barata Dias (FLUC) - Em defesa do vegetarianismo: Fílon de Alexandria e Porfírio de Tiro.

17h15m: Luís Lavrador (Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra) - A propósito dos interditos alimentares no Levítico.

17h35m: debate

18h: Maria do Céu Fialho (FLUC/CECH) - apresentação do livro Práticas Alimentares no Mediterrâneo Antigo, M. R. Cândido (org.). Rio de Janeiro 2012.

18h20m: Sessão de encerramento

20h: Ceia greco-romana (Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra)

 

O acordo

 

 

A Bola

 

Temos pois o acordo. O tal que foi assinado por João Proença, herói ou cobarde, que foi abandonado por Carvalho da Silva, em nome do maior ataque aos trabalhadores desde o 25 de Abril, desde o anterior acordo abandonado por ele e assinado por João Proença.

 

Minguaram as férias e os feriados, o que não me parece mal, minguou o salário mais um bocadinho, o que me parece péssimo. Com ou sem assinatura a reforma avançaria. Cumplicidade ou responsabilidade de João Proença, eu não consigo decidir. Não sei se a prioridade não é mesmo tentar salvar alguma coisa e manter alguma coisa em paz. Irresponsabilidade e cumplicidade de Carvalho da Silva, eu consigo dizer que existem, há já muitos anos, enquanto seguidor doutrinário do PCP que se aliou com esta mesma direita, a da falta dos direitos dos trabalhadores, para derrubar o anterior governo. Tal como a cumplicidade e a responsabilidade do BE, com ou sem sindicatos.

 

Mesmo assim duvido muito que a paz ou a conflitualidade dependessem da assinatura ou do abandono deste acordo. Suspeito que já não há gente esperançosa nas negociações destes sindicatos e destas centrais sindicais. Assim como não há esperança nestas associações patronais. Ou nesta oposição abstencionista e segura de um PS que se apressou a calar o passado feito por Sócrates, rastejando pelas entrelinhas da pseudo responsabilidade oposicionista.

 

Talvez sejam gémeos, João Proença e António José Seguro, tentando segurar a mole humana revoltada. Talvez nem pensem nisso. Talvez sejam honrados cidadãos a fazer o que melhor calculam para o seu país. Talvez calculem que seja o melhor para eles. Talvez se desconheçam e se estranhem totalmente, costas voltadas em estratégicas adversas e contrárias.

 

Talvez nada disto interesse e o melhor que faremos para sobreviver é tentar viver e trabalhar em novos partidos, novas associações, novos sindicatos. Mesmo sabendo a falta de forças que nos tolhe a vontade.

 

Nomeação

 

Quando comecei este blogue não me passou pela cabeça que ele pudesse ser nomeado para qualquer coisa, muito menos pela sua/minha atividade política. Na verdade têm sido anos de grande ebulição cívica. Vem isto a propósito da nomeação, pelo Aventar - a quem agradeço - como um blogue de atualidade política, ultimamente pouco atual e cada vez menos político.

 

Se bem que estas nomeações acabam por ocorrer entre um pequeno grupo de blogues que se vão conhecendo e linkando, dentro de uma imensidão de outros muito mais atuais, muito mais bem escritos e informados, cultos, criativos, originais, etc. Mas é sempre agradável alguém pensar que podemos fazer parte da sua preferência.

 

Perplexidade

 

Ebon Heath: visual poetry

 

Posso guardar os olhos recusando a luz

posso desligar os ruídos ignorando o eco

posso incendiar os dedos rejeitando o toque

que nenhum sentido da inevitável inação

negará a dimensão desta imensa perplexidade.

 

Da poesia nua

 

Ebon Heath: Visual Poetry

 

 

 

Retiro adereços às palavras descarno sons e intenções

uso pinças e dentes sem delicadeza nem pudor

escancaro nervos e vozes mesmo as murmuradas.

 

Cruentos os versos que espirram nomes e solidão

nas paredes decalcados os olhos e a nudez

deste meu amor por tudo que de nada se desfez.

 

A pele que há em mim

 

 Márcia & J. P. Simões

 

 

Quando o dia entardeceu
E o teu corpo tocou
Num recanto do meu
Uma dança acordou
E o sol apareceu
De gigante ficou
Num instante apagou
O sereno do céu

 

E a calma a aguardar lugar em mim
O desejo a contar segundo o fim.
Foi num ar que te deu
E o teu canto mudou
E o teu corpo do meu
Uma trança arrancou
E o sangue arrefeceu
E o meu pé aterrou
Minha voz sussurrou
O meu sonho morreu

 

Dá-me o mar, o meu rio, minha calçada.
Dá-me o quarto vazio da minha casa
Vou deixar-te no fio da tua fala.
Sobre a pele que há em mim
Tu não sabes nada.

 

Quando o amor se acabou
E o meu corpo esqueceu
O caminho onde andou
Nos recantos do teu
E o luar se apagou
E a noite emudeceu
O frio fundo do céu
Foi descendo e ficou.

 

Mas a mágoa não mora mais em mim
Já passou, desgastei
Para lá do fim
É preciso partir
É o preço do amor
Para voltar a viver
Já não sinto o sabor
A suor e pavor
Do teu colo a ferver
Do teu sangue de flor
Já não quero saber.

 

Dá-me o mar, o meu rio, a minha estrada.
O quarto vazio na madrugada
Vou deixar-te no frio da tua fala.
Na vertigem da voz
Quando enfim se cala.