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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Sem energia

 

 

 

O dia correu estranho e sem grande cor. Na cama até ao meio-dia, sem estar doente, mas gasta duma apatia cinzenta, que me vai inundando.

 

Ouço rádio no computqador, o Bloco Central e o Governo Sombra. Divirto-me moderadamente. A inconcebível ideia de censurar as notícias sobre o país, numa hipotética rádio internacional, uma das maravilhosas sugestões para a revolução dos canais públicos da televisão e da rádio, mostra bem a que nível se chega. Aqueles deslumbrados que tinham todas as soluções para resolver todos os horrores desenvolvidos pelos governos anteriores, vão-se revelando*.

 

Ontem grande caminhada, Av. Liberdade abaixo, Teatro Dona Maria II, Rossio, Restauradores, Rua dos Fanqueiros, Rua do Ouro, Av. Liberdade acima, chuva e sol, gente, música, gente.

 

Hoje não apetece lá fora, o carro, a conversa, sonolência vagarosa sem a cafeína do costume. Nada apetece neste fim da semana. Com excepção dos pimentos recheados, verdes, um dietético os outros bem gulosos, com carne picada cozinhada em cebola, alho, tomate, linguiça aos bocadinhos, cogumelos, pimento vermelho, courgette, beringela, alho francês, azeite, um bocadinho de vinho tinto, sal, pimenta, louro e coentros. Depois de atafulhar este preparado dentro dos pimentos verdes, sem sementes, com queijo mozarela ralado em cima, o forno fez o resto, durante cerca de meia hora. Mesmo sem direito à linguiça e ao queijo, não dispenso Châteauneuf-du-Pape.

 

Caminhamos para a semana com mais Duarte Lima e BPN, robalos e pães de ló. Comezinho e triste. Avizinha-se uma semana de portugueses mal comportados, segundo a Troika. Não farei greve, mas acho as considerações daqueles senhores aviltantes.

 

Não me sinto com a energia reposta.

 

*Via Jugular

 

Someone like you

Adele
 
I heard that you're settled down
That you found a girl and you're married now.
I heard that your dreams came true.
Guess she gave you things I didn't give to you.

Old friend, why are you so shy?
Ain't like you to hold back or hide from the light.

I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it.
I had hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me it isn't over.

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you too
Don't forget me, I beg
I remember you said,
"Sometimes it lasts in love but sometimes it hurts instead,
Sometimes it lasts in love but sometimes it hurts instead,"
Yeah.

You know how the time flies
Only yesterday was the time of our lives
We were born and raised
In a summer haze
Bound by the surprise of our glory days

I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it.
I had hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me it isn't over.

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you too
Don't forget me, I beg

I remember you said, 

"Sometimes it lasts in love but sometimes it hurts instead."

Nothing compares
No worries or cares
Regrets and mistakes
They are memories made.
Who would have known how bittersweet this would taste?

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you
Don't forget me, I beg
I remember you said,
"Sometimes it lasts in love but sometimes it hurts instead."

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you too
Don't forget me, I beg
I remember you said,
"Sometimes it lasts in love but sometimes it hurts instead,
Sometimes it lasts in love but sometimes it hurts instead."

 

Modinha da crise

 

 

Salta a pulga coça o braço

morde a perna seu madraço

porte-se bem porte-se mal

já ficou sem o natal

meu amigo não se queixe

morra a boca pelo peixe

puxe o cinto falta o ar

não o sinto acreditar

tire as meias que lhe sobram

tem buracos sem remendos

arre burro que o carrega

a esmola que se nega

o salário que não dá

arre burro venha cá

que não ouço tilintar

a moeda no seu bolso

é tão curto o que é bom

torna e vira o mesmo tom.

 

Salta o braço morde a pulga

coça a perna seu madraço

porte-se mal porte-se bem

o natal é que já não tem.

 

Our day will come

Amy Winehouse 

 

Our day will come (Our day will come)

And we'll have everything
We'll share the joy
Falling in love can bring 


No one can tell me
That I'm too young to know
I love you so
And you love me

Our day will come (Our day will come)
If we just wait a while
No tears for us
Think love and wear a smile

Our dreams are meant to be
Because we'll always stay
In love this way
Our day will come

Our dreams are meant to be
Because we'll always stay
In love this way

Our day will come

 

Um dia como os outros (102)

 

(...) Os tempos que correm - eu sei! - não vão fáceis para o Estado e para quantos o defendem. Diabolizado por muitos, o Estado passou a ser o bode expiatório de todos os males e de todos os défices, com alguns a apelar por "menos Estado e melhor Estado", quase sem esconderem o desejo de colocar ao seu serviço o que dele sobrar. Os professores, as forças de segurança, os servidores da Justiça, os militares, os funcionários da saúde pública, os técnicos e administrativos de imensas áreas e, por maioria de razão, essa casta irritantemente snobe que são os diplomatas - tudo isso não passa, no discurso dos turiferários das virtudes angelicais da "sociedade civil", de um bando de inúteis gastadores, de preguiçosos absentistas, de mangas-de-alpaca que pilham o erário e o que foi criado pelo suor de quem "produz a riqueza".

É claro que sei que vou contra "l'air du temps", que vou correr o risco de eriçar alguns sobrolhos e de excitar alguns blogues ou colunistas desses novos "libertadores", mas deixem-me que aqui diga hoje, quatro décadas depois de ter começado a servi-lo, sem uma ponta de arrependimento, com um imenso orgulho e com a liberdade a que o 25 de abril me deu direito: viva o Estado!
 
 
Francisco Seixas da Costa
 

Latir

 

Jean-Luc Cornec

 

Acompanho as letras desatenta desatentas as letras

as palavras baralham e baralham-se de lugares variam

do fim para o princípio significados e significantes

significativo cansaço das letras bocejantes a luz que baixa

os olhos a fechar dispara o latir cardíaco e as letras baralham

baralham-se pontos palavras compridas sem significado

significativo do andar mudo do mundo.

Da desconsideração do teatro

 

 

Diogo Infante, Director Artístico do Teatro Nacional D. Maria II desde 2008, divulgou um comunicado em que justificava a suspensão da programação para 2012 por causa dos cortes orçamentais a que a Instituição tinha sido sujeita. Na sua opinião a qualidade da programação seria impossível de manter naquelas circunstâncias.

 

Perante este comunicado, o Secretário de Estado da Cultura decidiu de imediato a cessação de funções de Diogo Infante.

 

Penso que tanto Diogo Infante como Francisco José Viegas fizeram o que se espera de pessoas responsáveis. Tenho todas as razões para considerar o mandato de Diogo Infante e da sua equipa como excelente e acho o desinvestimento na cultura como um todo e, no caso presente, no teatro, uma das muitas marcas negativas deste governo. É uma pena que esta equipa não possa continuar a desenvolver os seus projectos com a dignidade que considera ser obrigatória a um Teatro Nacional. Mais uma vez, as prioridades da coligação de direita não envolvem a criação artística. A cultura é olhada como um luxo desnecessário ou mesmo provocatório num país que se deve canalizar para o empobrecimento mental. Mas parece-me óbvio que o Secretário de Estado só podia ter tomado esta atitude. Tal como no caso de Dalila Rodrigues.

 

João Mota aceitou o desafio. Desejo-lhe muita sorte, que bem precisará dela. Espero que o Teatro Nacional D. Maria II seja respeitado, tal como os seus potenciais espectadores.

 

 

Para mais tarde experimentar

 

 

 

Neste dia escuro e deprimente é terrível estar em dieta. Só me apetece fazer comida, calórica, quente, doce, aconchegante.

 

Tenho em casa várias iguarias e não sei como as conjugar. Mas imaginação nunca me faltou. Além disso, com a quantidade de programas culinários a que tenho assistido ultimamente, onde se misturam os ingredientes mais estranhos, estou muito mais aventureira e perigosa. Para variar vou descrever uma receita que ainda não experimentei. Se alguém quiser arriscar…

 

Tenho uns lombinhos de porco que vou assar, acompanhado de castanhas e puré de peras (maçãs não tenho, mas peras). Sendo assim, temperam-se os lombinhos de porco com sal, pimenta, dentes de alho esmagados, um pouco de colorau, folhas de louro e vinho branco, deixando-se umas horas a marinar. Depois levam-se ao forno para assar, com azeite.

 

Enquanto os lombinhos assam, cozemos as castanhas com um pouco de sal, assim como as peras, em tachos diferentes. Quando estiverem cozidas esmagam-se (a varinha mágica deve bastar), misturam-se os purés com um pouco de manteiga e leva-se a mistura ao lume para secar um pouco. Rectifica-se o tempero (se calhar juntar um pouco de noz-moscada, como se estivéssemos a fazer puré de batata) e serve-se com os lombinhos.

 

Para aproveitar os abacates andei a investigar receitas de guacamole. Vou liquidificar 2 abacates, juntamente com 2 tomates, sem pele nem sementes, uma cebolinha, um dente de alho, pimento vermelho e sumo de limão. Calculo que também precise de sal e pimenta. Deve ficar uma excelente entrada, com pão torrado.

 

Bom, mas hoje é dia de esparguete à bolonhesa.

 

L'altru mondu

 

A Filetta & Antoine Ciosi
 
 

À l'altru mondu, u tempu hè longu, ci stà l'eternità.

È m'hà pigliatu à tempu natu; di mè, chì n'hà da fà?

O cara mamma, u paradisu hè grande cume tè,

È s'e ti chjamu à l'improvisu s'arricummanda à mè

Santa Marìa a to sumiglia ùn nu mi lascia più,

È mi cuntentu è mi ramentu, cume s'ell'era tù.

 

Timandu un fiore, u so culore, u sceglierai tù.

Hè ind'u pratu di u Muratu ch'ellu face u più.

S'e fussi eiu frà i più belli u cuglierebbi à tè,

Ma stocu in celu, è i to capelli sò luntanu da mè,

Ma i t'allisciu cù Ghjesù Cristu chì sà quale tù sì,

È mi cuntentu è mi ramentu, è megliu ùn possu dì.

 

Ùn piglià dolu, u to figliolu cù l'ànghjuli stà bè.

È ciò ch'e vogliu, u mio custodiu a sà prima cà mè.

Quì l'aria fine cume puntine cosge senza piantà,

Ore tranquille, à mille à mille, senza calamità.

À l'altru mondu, canta un culombu è paura ùn hà,

Per cacciadore ci hè u Signore, O mà ùn ti ne fà!