Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Em defesa do SNS

por Sofia Loureiro dos Santos, em 09.09.11

 

Vale a pena ouvir a totalidade da 1ª audição do Ministro Paulo Macedo na Comissão Parlamentar de Saúde (disponível no Canal Parlamento).

 

Pela primeira vez desde há muito tempo, tive oportunidade de ouvir um governante responder concretamente às perguntas que lhe foram colocadas, independentemente da assertividade e/ou pertinência (a grande maioria) das mesmas. Paulo Macedo, serenamente e sem floreados, explicou vários aspetos dos cortes anunciados em despachos, da redução dos incentivos para os transplantes, e falou da sua perspetiva e das perspetivas que o país pode ter em relação à pasta da saúde e às medidas de sustentabilidade do SNS.

 

O ministro afirmou perentoriamente algumas coisas que considero muito importantes:

  • Que o governo e este ministério têm o objetivo de manter o SNS como eixo fundamental do sistema, universal e tendencialmente gratuito.
  • Que as taxas moderadoras não serão indexadas aos rendimentos – fiquei ainda a saber que as instituições do SNS apenas conseguem cobrar cerca de 1/3 das taxas ao universo da população que não está isento (o que corresponde a menos de metade dos utentes do SNS).
  • Que não houve pedidos de transmissão de dados de saúde dos utentes para fora do SNS, e que o ministério está a estudar uma forma de cumprir as recomendações da CND em relação a este assunto.
  • Que se pretende rentabilizar ao máximo a capacidade instalada no SNS para a realização dos meios complementares de diagnóstico e terapêutica (MCDT).
  • Que a redução dos incentivos aos transplantes não tem rigorosamente nada a ver com a redução da atividade – os sistemas existentes eram mistos, havendo médicos que faziam transplantes sem receberem qualquer remuneração extra por esse facto (convém lembrar a polémica de há 4 anos precisamente por causa dos incentivos ao programa de transplante hepático, que levou inclusivamente à demissão de Eduardo Barroso) – fiquei ainda a saber que, este ano, apesar do número de transplantes já efetuados, não havia orçamentação para essa atividade.
  • Que também não havia orçamentação para o financiamento dos cuidados continuados.
  • Que se vai insistir numa melhor fiscalização das PPP por parte do estado lembrando que há exigências para os hospitais privados que não há para os públicos (facto que não se percebe).

 

Fiquei com muita esperança neste Ministro da Saúde. Para defender o SNS não basta fazer juras de amor eterno ou inflamados depoimentos ideológicos. O que é necessário é tomar medidas concretas que assegurem a sua sustentabilidade, de forma a manterem-se a universalidade, a acessibilidade e a qualidade dos serviços prestados.

 

Não posso concordar, no entanto, com a abolição da comparticipação nos medicamentos contracetivos. É uma medida que objetivamente irá contribuir para um maior número de gravidezes adolescentes com consequente aumento de interrupções voluntárias de gravidez. Pelo contrário deveriam ser tomadas todas as medidas para que melhorasse o planeamento familiar. Todos sabemos que a manutenção da dispensa gratuita nos Centros de Saúde não garante que haja capacidade desses contracetivos estarem facilmente acessíveis. Se todas as mulheres recorressem aos Centros de Saúde sempre que precisassem de comprar uma pílula, não só estes ficariam ainda mais sobrelotados como se perderiam inutilmente horas de trabalho gastas em consultas. Além disso é uma medida que assume um cunho e um peso ideológico, é um retrocesso civilizacional.

 

Em relação á prevenção do cancro do colo do útero, a alteração da comparticipação das vacinas fora dos centros de saúde poderão não a comprometer, pois mantêm-se no Plano Nacional de Vacinação. É essencial que sejam implementados a nível nacional programas de rastreio de base populacional, realizado com citologias e tipagem de HPV, método verdadeiramente eficaz na deteção de lesões malignas e pré malignas do colo do útero.

 

Espero sinceramente que este Ministro realize as medidas a que se propõe, desde que seja capaz de perceber que os cortes e as reduções deverão ser adaptadas aos hospitais, serviços e centros de saúde na exata proporção que se adeque a cada um.

 

Nota (10/09): Espero que estas notícias não sejam o espelho de uma estratégia que já foi usada pelos anteriores governos: lançar notícias para ver as reações e depois recuar. Se não for o caso, saúdo o fato de ainda não existirem decisões definitivas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:25

Referendar a Constituição

por Sofia Loureiro dos Santos, em 04.09.11

 

António Barreto tem uma causa que lhe é muito cara - a refundação da Constituição.

 

Concordo com ele quando se refere ao facto da Lei Fundamental de ter demasiada carga ideológica, de estar datada, de ser muito longa e com grandes especificidades, e de ser um direito geracional a redacção e aprovação de uma Constituição. Por isso me espanta a sua defesa de uma imposição de limites constitucionais à dívida e ao défice - parece-me um assunto bastante específico

 

Mas ainda mais espantosa é a forma de apresentação, discussão e aprovação que preconiza - referendar o texto constitucional. Será que António Barreto deixou de acreditar na democracia representativa? Será que António Barreto se esqueceu da afluência às urnas em cada um dos três actos referendários da nossa era democrática?

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:37

Novos descobrimentos - as condicionantes externas

por Sofia Loureiro dos Santos, em 04.09.11

 

Os Ministros deste governo descobrem coisas todos os dias. Passos Coelho descobriu agora que é difícil prometer muitas coisas, nomeadamente o não aumentar impostos em 2012, por causa das condicionantes externas, que só apareceram a partir de 5 de Junho. Até lá, apenas a incúria, a incompetência e a teimosia de Sócrates e de Teixeira dos Santos, que tinham jurado levar o país à bancarrota, eram responsáveis pela difícil situação em que nos encontramos.

 

E no entanto, mesmo com as condicionantes externas e as suas incertezas, o Primeiro-ministro vaticina para 2012 o princípio do fim da emergência nacional. Há cerca de 2 anos também Sócrates arriscou previsões e falhou. Passos Coelho não aprendeu a lição.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:31

O descobrir da dívida encoberta - novos episódios

por Sofia Loureiro dos Santos, em 04.09.11

 

Não demorou muito até se descobrirem as facturas por pagar que o Ministro Miguel Relvas descobriu numa sala fechada. Os 6,78 milhões de dívidas, por 687 facturas não cobradas e escondidas, afinal resumem-se a 40, que estão em processo de auditoria por levantarem dúvidas.

 

Estou à espera que os jornalistas, comentadores e responsáveis políticos antigos e modernos comecem a vociferar, pedindo a demissão do Ministro.

 

Adenda (10/09) - as notícias contraditórias somam-se e o mistério adensa-se - há ou não facturas por cobrar, escondidas numa sala fechada?


Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:29

September in the rain

por Sofia Loureiro dos Santos, em 02.09.11

 

 

The leaves of brown 
Came tumblin' down, remember
In September in the rain

The sun went out 
Just like a dying ember
That September in the rain

To every word of love 
I heard you whisper
The raindrops seemed to play 
A sweet refrain

Though spring is here, 
To me it's still September
That September in the rain

To every word of love 
I heard you whisper
The raindrops seemed to play 
A sweet refrain

Though spring is here, 
To me it's still September
That September in the rain
That September in the rain

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 21:53

Um dia como os outros (95)

por Sofia Loureiro dos Santos, em 02.09.11

 

"Estas medidas põem o país a pão e água. Não se põe um país a pão e água por precaução."

"Estamos disponíveis para soluções positivas, não para penhorar futuro tapando com impostos o que não se corta na despesa."

"Aceitarei reduções nas deduções no dia em que o Governo anunciar que vai reduzir a carga fiscal às famílias."

"Sabemos hoje que o Governo fez de conta. Disse que ia cortar e não cortou."

"Nas despesas correntes do Estado, há 10% a 15% de despesas que podem ser reduzidas."

"O pior que pode acontecer a Portugal neste momento é que todas as situações financeiras não venham para cima da mesa."

"Aqueles que são responsáveis pelo resvalar da despesa têm de ser civil e criminalmente responsáveis pelos seus actos."

"Vamos ter de cortar em gorduras e de poupar. O Estado vai ter de fazer austeridade, basta de aplicá-la só aos cidadãos."

"Ninguém nos verá impor sacrifícios aos que mais precisam. Os que têm mais terão que ajudar os que têm menos."

"Queremos transferir parte dos sacrifícios que se exigem às famílias e às empresas para o Estado."

"Já estamos fartos de um Governo que nunca sabe o que diz e nunca sabe o que assina em nome de Portugal."

"O Governo está-se a refugiar em desculpas para não dizer como é que tenciona concretizar a baixa da TSU com que se comprometeu no memorando."

"Para salvaguardar a coesão social prefiro onerar escalões mais elevados de IRS de modo a desonerar a classe média e baixa."

"Se vier a ser necessário algum ajustamento fiscal, será canalizado para o consumo e não para o rendimento das pessoas."

"Se formos Governo, posso garantir que não será necessário despedir pessoas nem cortar mais salários para sanear o sistema português."

"A ideia que se foi gerando de que o PSD vai aumentar o IVA não tem fundamento."

"A pior coisa é ter um Governo fraco. Um Governo mais forte imporá menos sacrifícios aos contribuintes e aos cidadãos."

"Não aceitaremos chantagens de estabilidade, não aceitamos o clima emocional de que quem não está caladinho não é patriota"

"O PSD chumbou o PEC 4 porque tem de se dizer basta: a austeridade não pode incidir sempre no aumento de impostos e no corte de rendimento."

"Já ouvi o primeiro-ministro dizer que o PSD quer acabar com o 13.º mês, mas nós nunca falámos disso e é um disparate."

"Como é possível manter um governo em que um primeiro-ministro mente?"

 

Conta de Twitter de Passos Coelho (@pedropassoscoelho), iniciada a 6 de Março de 2010. O último tuite transcrito é de 5 de Junho de 2011

 

rectificação: a conta de passos coelho é @passoscoelho e não, como por lapso refiro no dn, '@pedropassoscoelho'.

 

e nova rectificação: o último tuite transcrito por mim é de 1 de junho -- e, ao contrário do que pode ser o entendimento de quem lê, não é o último tuite citado no texto, mas o último em ordem cronológica. querendo ser mais precisa, criei a confusão, pelo  que peço desculpa aos leitores.

 

por qualquer motivo, confundi 1 de junho com 5 de junho, o que é duplamente idiota, já que nem poderia, em princípio, haver tuites de passos coelho a 5 de junho, por um motivo simples: tratou-se do dia das eleições. mais uma vez, as minhas desculpas. 

 

também no dn a nota final foi rectificada.

 

Fernanda Câncio

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:37

Teia

por Sofia Loureiro dos Santos, em 01.09.11

 

Antony Gormley: Firmament II

 

1.

Sempre passa o momento de ter sido.

Aguardo o momento em que serei

momentos em que nunca sou

mas sempre fui.

 

2.

Enroupamos a tristeza com malhas de brandos gestos

para que ninguém ouse sequer romper a teia

da nossa armadilha. Mesmo assim carecemos de gelo

para que possamos derreter qualquer fragmento

de luz que encandeie os arroubos de ternura

que se atrevam a cruzar a aridez do caminho.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:48

Da história deste governo

por Sofia Loureiro dos Santos, em 01.09.11

 

Este governo continua a sua caminhada para a História, disso não temos dúvidas. Ficará na História o embuste que levou à dissolução da Assembleia da República, a enorme falsidade com que Passos Coelho justificou a não aprovação do famoso PEC IV. Ficará na História o assalto aos contribuintes que este governo continuamente realiza, a total falta de vergonha com que faz exactamente o contrário do que anunciou que nunca faria, e que tomou como razões para mostrar ao eleitorado a justeza da precipitação de uma crise política que, tal como foi reconhecido pela troika, contribuiu para o agravamento do défice.

 

Além do agravamento fiscal para os rendimentos do trabalho, sem quaisquer medidas para os rendimentos do capital, ressuscitou-se o conceito do estado assistencialista e da estigmatização de grupos sociais. As recentes medidas de aumento do número de vagas nas creches e infantários apenas à custa de um aumento de crianças por sala, sem se perceber se essas alterações põem ou não em risco a segurança e o bem-estar das mesmas, para além do aumento de alunos por turma no primeiro ciclo, aumentando a dificuldade de um ensino mais individualizado, demonstram a visão que este governo tem do que é um serviço público de educação.

 

Em termos de saúde, todos estamos de acordo em que é necessário rentabilizar recursos. Mas o que se tem assistido diariamente é à produção de despachos ministeriais que obrigam a reduções percentuais de custos, no geral, sem se perceber como é que estes custos podem ser reduzidos. Chegará o o momento do governo, mais especificamente o Ministério da Saúde, explicar aos Hospitais e Centros de Saúde como é possível continuar a assegurar a mesma prestação de serviços - consultas, cirurgias, medicamentos, urgências, etc. - com a mesma qualidade. Por outro lado, o acabar com as deduções fiscais (em sede de IRS) que dizem respeito a despesas de saúde (e educação), vai haver cada vez menor possibilidade da população recorrer a prestadores privados.

 

Os cortes na despesa do estado estão a ser feitos à custa de uma aumento do desemprego (prometida redução de 10.000 funcionários públicos por ano) e a uma redução salarial (ordenados e progressões congeladas durante, pelo menos, mais 2 anos).

 

Estamos a reiniciar o calendário escolar, muitos dos cidadãos regressam hoje ao trabalho. A sensação de injustiça e de propaganda fraudulenta alastra, mesmo entre os defensores da maioria que nos governa. Na verdade, o que os movia era apenas o assalto ao poder, pois o que de diferente se está a fazer é o exagero colossal do que já se fazia, para além do regresso à vida comezinha, à falta de investimento (nomeadamente na ciência), ao desaproveitamento do que de positivo se fez nas anteriores legislaturas e, predominantemente, à total falta de visão e de estratégia para o futuro.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:06

Pág. 4/4



Mais sobre mim

foto do autor



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2010
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2009
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2008
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2007
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2006
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2005
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D

Maria Sofia Magalhães

prosas biblicas 1.jpg

À venda na livraria Ler Devagar



caminho dos ossos.jpg

 

ciclo da pedra.jpg

 À venda na Edita-me e na Wook

 

da sombra que somos.jpg

À venda na Derva Editores e na Wook

 

a luz que se esconde.jpg