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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Manobras de diversão

 

Será que esta notícia do Público é verdadeira? E continuamos a ouvir o silêncio presidencial.

 

As manobras de diversão já estão em marcha. Marcelo Rebelo de Sousa, ontem, chegou a ser patético. Teodora Cardoso esclareceu que não aceita que o Banco de Portugal seja o bode expiatório.

 

Alberto João Jardim ainda não teve a decência de se retirar para um local bem longínquo.

Luz verde

 

U Lun Gywe

 

Se ainda te quisesse, nas horas

que passam ao ritmo dos monitores,

naquela luz verde e crua da suspensão da vida,

se ainda me quisesse, nas horas

que escoam entre o branco dos lençóis,

naquela ânsia silenciada da negação da morte,

se ainda nos quisesse, por muito que o não soubesse,

poderia mergulhar sem medo

na próxima madrugada.

 

Nosso estranho amor

 

Caetano Veloso 

 

Não quero sugar todo seu leite
Nem quero você enfeite do meu ser
Apenas te peço que respeite
O meu louco querer
Não importa com quem você se deite
Que você se deleite seja com quem for
Apenas te peço que aceite
O meu estranho amor

 

Ah! Mainha deixa o ciúme chegar
Deixa o ciúme passar e sigamos juntos
Ah! Neguinha deixa eu gostar de você
Prá lá do meu coração não me diga
Nunca não

 

Teu corpo combina com meu jeito
Nós dois fomos feitos muito pra nós dois
Não valem dramáticos efeitos
Mas o que está depois

 

Não vamos fuçar nossos defeitos
Cravar sobre o peito as unhas do rancor
Lutemos mas só pelo direito
Ao nosso estranho amor

Para mais ninguém

 

 Marisa Monte

 

 

Entre nós deve haver sinceridade
Eu não sei o que é que você tem
Que não me beija nem me procura
Eu tenho medo de perder alguém
De quem espero que aquela jura
Não tenha ido para mais ninguém

O silêncio é uma tortura
Alguma coisa se perdeu
Você já não me olha como antes com ternura
Só falta me dizer adeus, adeus.

O silêncio é uma tortura
Alguma coisa se perdeu
Você já não me olha como antes com ternura
Só falta me dizer adeus, adeus.

Entre nós deve haver sinceridade
Eu não sei o que é que você tem
Que não me beija nem me procura
Eu tenho medo de perder alguém
De quem espero que aquela jura
Não tenha ido para mais ninguém
De quem espero que aquela jura
Não tenha ido para mais ninguém
Mais ninguém, ninguém.
Mais ninguém.

Pornografia política

 

A tentativa que alguns fazem, ao comparar a situação na Madeira com a situação no resto do país, de colar a inenarrável prestação de Alberto João Jardim à de Sócrates e dos seus governos, assim como as mais recentes declarações do ainda Presidente da Região Autónoma, pertencem ao domínio da pornografia política.

 

Alberto João Jardim sempre governou em défice, tanto em épocas de recessão como em épocas de expansão, desprezando as várias tentativas que houve para por cobro a tanto populismo despesista. A República, ou o Contenente, palavra que ele cospe com arrogância, já encaixaram vários milhões pelo perdão de dívidas resultantes do seu desgoverno.

 

Em política não pode valer tudo. No entanto o Presidente Cavaco Silva ainda não se pronunciou. 

Madeira - democracia por cumprir

 

Pacheco Pereira, na última Quadratura do Círculo, queixava-se da mediocridade do congresso do PS. Não tenho muita dificuldade em dar-lhe razão. Mas a mediocridade não tem apenas a ver com o que se passa dentro do congresso, do PS ou de outros partidos. Está na proporção directa da mediocridade de quem, na comunicação social, faz a divulgação do que se passa nos congressos.

 

Durante o dia de hoje, na TSF, as grandes e importantes perguntas que os jornalistas fizeram a António José Seguro foi se o PS está ou não unido, se A criticou B e se C gostou das declarações de D, e se E se ofendeu com F.

 

A cobertura mediática da luta política transformou-se numa telenovela sem qualidade, assemelhando-se às tricas de vizinhos coscuvilheiros. Os próprios responsáveis políticos entram na telenovela e alimentam o guião, lançando farpas uns aos outros sem a menor vergonha, para poderem aparecer à hora das notícias, de semblante severo e ar contrito, a dizer as maiores banalidades.

 

António José Seguro exige que Pedro Passos Coelho retire a confiança política a Alberto João Jardim - a que propósito? Há muito tempo que penso que todos anteriores governantes têm responsabilidade na manutenção de semelhante figura à frente do Governo Regional. Tanto quanto me recordo, Passos Coelho foi mesmo o Presidente do PSD que, até agora, mais se demarcou da actuação dele. Mas o problema verdadeiro é o facto do PSD Madeira o manter à frente do partido, é o facto do eleitorado da Madeira continuar a votar nele.

 

Temos que mudar de povo? Não, temos é que garantir que o povo está na posse de toda a informação. E isso é uma questão de funcionamento da democracia na Região Autónoma da Madeira, de liberdades, direitos e garantias. Isso é assunto para pedir declarações ao Presidente da República.

 

Portanto, o que eu gostaria é que António José Seguro e outros exigissem uma declaração a Cavaco Silva. Os silêncios esfíngicos mantém a cumplicidade que o Presidente sempre sustentou com a situação madeirense, a par de Manuela Ferreira Leite, Jaime Gama e, por fim, José Sócrates que, após a guerra iniciada por causa da lei das finanças regionais, acabou por capitular.

 

Por isso eu continuo a aguardar a comunicação ao país do Mais Alto Magistrado da Nação, sobre o gravíssimo défice democrático na Região Autónoma da Madeira.

 

 

 

A Madeira não pode continuar a ser Jardim

 

O total desgoverno na Região Autónoma da Madeira, com o desvario de Alberto João Jardim, é fruto da irresponsabilidade dos anteriores governos, de direita, de centro e de esquerda, dos anteriores Presidentes da República e também do actual.

 

Finalmente, a estrela de Alberto João Jardim está a empalidecer, infelizmente à custa de todos nós. Restam-me poucas dúvidas que a descoberta, ou mais especificamente, a divulgação da descoberta das dívidas da Madeira, se devem à Troika. Além do descrédito internacional, aguardemos as consequências que as décadas da insanidade e populismo de Alberto João Jardim terão.

 

Também penso que a confiança política deverá ser o povo madeirense a dar ou retirar. Mas qual é a informação que o povo madeirense tem desta situação? Que conhecimento tem tido o povo madeirense do que se passa na sua terra? Que fiscalização democrática tem sido exercida pelo povo madeirense, em relação ao seu governo regional? Que garantia do funcionamento das instituições há no território madeirense?

 

Seria muito interessante que a magistratura de influência de Cavaco Silva resultasse no afastamento imediato e definitivo do actual Presidente do Governo Regional. Mas não é espectável. Não com este Presidente da República, que nem sequer teve a ousadia de recusar o desrespeito institucional a que foi sujeito quando não foi recebido condignamente no Parlamento da região.

 

O regresso da Santa Inquisição

 

(...) Tenho criticado, sem dúvida, várias posições e acções da Igreja Católica. (Haverá debaixo do sol alguma coisa que eu não tenha criticado neste blogue?) Não confundo isso com respeito institucional. Eu respeito a universidade que me recebe todos os dias, mas nunca me passaria pela cabeça que alguém levasse ao Reitor, ou ao Director do instituto, um dossiê com escritos meus num blogue para o ajudar a decidir qualquer assunto académico. Nem sonharia que qualquer crítica minha ao governo da nação, ou ao Ministro da Ciência, fosse encarada como desrespeito pelo país, que em última instância é a quem pertence essa universidade pública. Já alguém me disse que eu, que fui um católico activo durante muitos anos, mas há muitos anos no passado, estou enganado acerca da actual Igreja Católica, que está muito mais longe do espírito do Vaticano II do que eu sou capaz de imaginar. Talvez seja isso. Pode até parecer que isto foi ingenuidade minha: se eu critico o catolicismo oficial, como poderia dar aulas na UCP? Não é assim que vejo as coisas: não me candidatei a professor no curso de Teologia, admito que poderiam achar estranho um agnóstico querer ser professor de teologia numa universidade católica. Tenho uma ideia da liberdade de pensamento que pode ser alheia a escrevinhadores de dossiês, mas da qual não abdico. (...)

 

 

Porfírio Silva

 

Vale a pena ficar a saber.