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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Neste meu retiro, longe de tudo e de todos

 

Mário Máximo

 

Neste meu retiro, longe de tudo e de todos,

e sobretudo longe de mim,

tento o reencontro com as fontes.

O reencontro com as palavras do verbo

que aceitou criar-me.

Há em todos os regressos um segredo.

E é nessa demanda que descubro

a força e a razão para tão longo afastamento.

E vou descobrindo o sentido do meu

novo teorema: quanto mais longe do mundo, mais

perto de mim.

That's what friends are for

 

Dionne Warwick & Steve Wonder

Gladys Knight & Elton John 

 

And I 
Never thought I'd feel this way
And as far as I'm concerned I'm glad I got the chance to say
That I do believe I love you 

And if I should ever go away
Well then close your eyes and try to feel the way we do today
And than if you can't remember.....

Chorus:

Keep smilin'
Keep shinin'
Knowin' you can always count on me 
for sure
that's what friends are for
In good times
And bad times
I'll be on your side forever more
That's what friends are for

Well you came and open me

And now there's so much more I see
And so by the way I thank you....

Ohhh and then 
For the times when we're apart
Well just close your eyes and know
These words are comming from my heart
And then if you can't remember....Ohhhhh

Um desespero cândido exala dos meus instantes mais solitários

 

Mário Máximo

 

Um desespero cândido exala dos meus instantes mais solitários.

Um desespero de criança perdida ou, pior do que isso,

de criança abandonada.

É nessas alturas que algo de especial e sereno tem de ser feito.

Aprendi a deixar que as horas se esgotem

minimizando o tempo

e a inevitável angústia de o ver e sentir passar

em desespero.

Não podemos permitir que a ansiedade nos vença.

Sob pena de o desespero se tornar a nossa única condição.

Choque histórico e colossal

 

Este governo tem tiques de linguagem idênticos a Francisco Louçã. É tudo colossal, desde o desvio nas contas públicas ao esforço de quem paga impostos extraordinários, e histórico, como o exemplo dos cortes nas despesas do estado.

 

Colossal e histórico é também a incapacidade dos diferentes e sucessivos líderes do PSD e Primeiros-ministros (do PS e PSD) incapazes de lidar com o histórico e colossal desplante de Alberto João Jardim.

 

Há também os choques, desde o fiscal ao reformista.

 

O BE terá que mudar de linguagem e de estilo. Esta coligação governamental é a revolução permanente, em directo.

Um dia como os outros (94)

(...) O cancelamento das máquinas de pagamento automático, (...) deve-se, claro, à queda das vendas e ao Fisco. A pressão fiscal a que todos começam a estar submetidos num ambiente recessivo vai tornar a famosa curva de Laffer uma realidade na sua vertente menos desejável - sobem os impostos, cai a receita mais do que era esperado pela recessão. (...)

 

(...) A queda do consumo que reflecte as decisões dos pequenos comerciantes de desistirem das máquinas de pagamento electrónico é uma tendência certa que só podemos esperar que se agrave. Já menos certa é a subida das exportações. Espelho da conjuntura de crescimento do resto do mundo, o aumento das vendas para o exterior pode estar ameaçado com as nuvens que se começam a ver no horizonte financeiro. Uma recessão nos Estados Unidos, um abrandamento na Alemanha e uma aterragem brusca na China significam para Portugal contagiar a crise às empresas que exportam. Mas é isto que os investidores estão, neste Agosto, a profetizar. (...)

 

Helena Garrido

 

 

 

(...) Quanto às saídas, todos os dias aparecem conselheiros: que deveríamos iniciar uma purga de óleo de rícino e depois voltar a comer, mas só dieta, desmantelando o estado social que levou gerações a construir; que deveríamos deixar de investir em infra-estruturas, luxos a que não temos direito, mesmo que altamente subsidiados pela Europa; que deveríamos oferecer aos chineses a nossa dívida; que deveríamos adoptar uma diplomacia económica agressiva, vendendo mais para o Atlântico Sul, sem repararmos que, todo junto, ele não chega a 10% do que vendemos; há quem se lembre da China e Índia, sem sabermos como produzir sustentadamente para mercados que tudo absorvem, mas exigem continuidade e dimensão; e finalmente que deveríamos abandonar a zona euro, com ou sem negociação prévia, tornando as nossas exportações mais competitivas, sem fazer as contas ao custo da componente importada em tantos produtos de fraco valor acrescentado. (...)

 

António Correia de Campos

 

Plano inclinado

 

As notícias sobre a execução orçamental são as que se esperavam - reduzem-se as receitas por causa da recessão económica, o que faz com que os impostos que aumentaram não rendam o que o governo esperava.

 

Infelizmente não são novidades. Também não é novidade que o desvio orçamental a que o Primeiro-ministro aludiu para justificar o imposto extraordinário (13º mês) não existe nem nunca existiu. É tudo bastante visual, de facto.

 

Novidade será as facturas que Miguel Relvas descobriu serem descobertas pelos deputados, caso eles as queiram visualizar.

 

E qual vai ser a solução? Desistimos dos investimentos, desistimos do Estado Social, enfim, do Estado, aumentamos os impostos, as privatizações aí estão. Qual vai ser a solução?

 

E a Europa?

Avaliação rigorosa

 

A propósito de algumas das medidas anunciadas pelo Ministério da Saúde, é importante que Paulo Macedo esclareça a forma como vai fazer os cortes nas despesas hospitalares.

 

Os recursos humanos podem ser redundantes nalgumas áreas de alguns hospitais e serem absolutamente diminutos, mesmo insuficientes, noutras áreas e noutros hospitais.

 

É essencial que se perceba, em cada Hospital, porque se contratam médicos, enfermeiros, técnicos, auxiliares e administrativos, porque se pagam horas extraordinárias. Há serviços que sem essas horas e sem esses contratos deixam de cumprir os requisitos mínimos de qualidade para atenderem e tratarem doentes. Como há outros serviços que se deveriam fundir. Mas uma fusão significa um espaço único para um grupo de pessoas, ao contrário de algumas fusões feitas num passado recente que mantém os vários serviços, levando os médicos a correr a cidade de hospital para hospital, o que redunda no contrário do pretendido.

 

Estas reorganizações devem basear-se em avaliações rigorosas, caso a caso, sob pena de se inviabilizarem cuidados essenciais aos doentes do SNS.

 

Thunder road

Bruce Springsteen & Melissa Etheridge

 

 

The screen door slams

Mary' dress waves

Like a vision she dances across the porch

As the radio plays

Roy Orbison singing for the lonely

Hey that's me and I want you only

Don't turn me home again

I just can't face myself alone again

Don't run back inside

Darling you know just what I'm here for

So you're scared and you're thinking

That maybe we ain't that young anymore

Show a little faith there's magic in the night

You ain't a beauty but hey you're alright

Oh and that's alright with me

 

You can hide 'neath your covers

And study your pain

Make crosses from your lovers

Throw roses in the rain

Waste your summer praying in vain

For a saviour to rise from these streets

Well now I'm no hero

That's understood

All the redemption I can offer girl

Is beneath this dirty hood

With a chance to make it good somehow

Hey what else can we do now ?

Except roll down the window

And let the wind blow

Back your hair

Well the night's busting open

These two lanes will take us anywhere

We got one last chance to make it real

To trade in these wings on some wheels

Climb in back

Heaven's waiting on down the tracks

Oh-oh come take my hand

We're riding out tonight to case the promised land

Oh-oh Thunder Road oh Thunder Road

Lying out there like a killer in the sun

Hey I know it's late we can make it if we run

Oh Thunder Road sit tight take hold

Thunder Road

 

Well I got this guitar

And I learned how to make it talk

And my car's out back

If you're ready to take that long walk

From your front porch to my front seat

The door's open but the ride it ain't free

And I know you're lonely

For words that I ain't spoken

But tonight we'll be free

All the promises'll be broken

There were ghosts in the eyes

Of all the boys you sent away

They haunt this dusty beach road

In the skeleton frames of burned out Chevrolets

They scream your name at night in the street

Your graduation gown lies in rags at their feet

And in the lonely cool before dawn

You hear their engines roaring on

But when you get to the porch they're gone

On the wind so Mary climb in

It's town full of losers

And I'm pulling out of here to win

 

Um dia como os outros (93)

(...) Agora um Governo de coligação de partidos à direita do espectro político e um Ministério da Saúde onde pontificam, segundo a imprensa, homens conotados com a Opus Dei, ambos zelosos no cumprir de compromissos rubricados com entidades financeiras e políticas internacionais, decidem, em dois singelos meses:

  • acabar com a experiência das PPP na área da Saúde e reavaliar as existentes
  • racionalizar a capacidade instalada no SNS quanto a Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica, dando uma machadada de dimensões ainda difíceis de calcular nos convencionados
  • fazer um cerco à prestação de serviços no SNS
  • introduzir Normas de Orientação Clínica
  • obrigar à redução das horas extra o que levará, obrigatoriamente, ao encerramento e fusão de serviços, incluindo Urgências

Não sabemos o que se seguirá embora o guião seja conhecido.

Todas as medidas listadas defendem objectivamente o SNS e foram tomadas por quem foi acusado de o ir destruir.

Conhecem, na História recente, maior ironia ideológica?

 

Carlos Arroz

Sustentabilidade do SNS

 

Correia de Campos dá hoje uma entrevista ao i, que vale a pena ler. Foi um dos melhores ministros da Saúde que tivemos e que verdadeiramente, com medidas impopulares mas importantes, lutou pela sustentabilidade do SNS. Como ele diz e como se pode perceber pela reacção de António Arnaut, o preconceito e o anacronismo podem ensombrar as melhores intenções.

 

O mundo mudou muito desde a implementação do SNS. Foi e é uma instituição de que nos orgulhamos. Mas não basta fazer manifestações e exclamar hinos de amor ao SNS para que este se possa adaptar a tudo o que foi aparecendo como inovação, não só em termos de ferramentas diagnósticas como terapêuticas. Tem que haver ajustes e reajustes, tem que se rentabilizar e concentrar, onde a exigência de qualidade se impõe e o desperdício é obsceno. Os serviços de urgência, os cuidados primários, as maternidades, os hospitais públicos, tudo deve ser reequacionado e adaptado à realidade do mundo actual.

 

Esta é e sempre foi uma bandeira do PS, mas o PS não pode anquilosar por falta de ideias ou alternativas. Correia de Campos tentou. Mas a ala mais conservadora dentro do partido dos anteriores governos, na qual se incluem Manuel Alegre, António Arnaut e António José Seguro, esforçaram-se e conseguiram abortar muitas das reformas.

 

Algumas das decisões deste Ministro parecem estar sintonizadas com o objectivo de garantir a sustentabilidade do SNS, mantendo-o universal e tendencialmente gratuito. Esperemos que sim e, ao contrário do que António Arnaut afirma, será irónico que seja um Ministro desta coligação de direita a defender um verdadeiro conceito socialista - o SNS.