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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

A Escola Pública pode fazer a Diferença (III)

 

Acredito que hoje Maria de Lurdes Rodrigues esteja muito satisfeita e orgulhosa. Como é habitual, é preciso que outros nos digam o que de bom se faz em Portugal.

 

Ao contrário do que tantas figuras disseram durante a última legislatura, umas por ignorância, outras por corporativismo e ainda outras por oportunismo político, a Ministra Maria de Lurdes Rodrigues foi das melhores Ministras da Educação que tivemos. E o relatório PISA disso faz eco.

 

Gostaria de ouvir agora os comentários daqueles que apelidaram a política de educação do anterior governo como a catástrofe das catástrofes, aquela que justificou a marcha dos professores e a grandiosa manifestação contra a Ministra.

 

É claro que há ainda muito que evoluir. Mas foram dados grandes e importantíssimos passos no sentido de uma mudança coerente e do redefinir de objectivos.

Um dia como os outros (74)

 

(...) Assim, a OCDE constata que Portugal melhorou nas três áreas científicas e isso deve-se, acredita a organização, às medidas políticas aplicadas desde 2005. O investimento feito em computadores portáteis, acesso à banda larga, refeições, aumento do apoio social escolar contribuíram para a evolução, aponta o relatório da OCDE. Outros factores foram o Plano Nacional de Leitura, o Plano de Acção para a Matemática, bem como a formação de professores em Matemática e Ciências. A aplicação das provas de aferição (nos 4.º e 6.º anos), assim como os exames nacionais (no final do 3.º ciclo e no secundário) também fazem parte das medidas que a OCDE elogia. Bem como a criação de novas ofertas educativas para os alunos, como os cursos profissionais. (...)

 

Público

 

(...) Andreas Schleicher refere que a melhoria de resultados "pode ser explicada em primeiro lugar pelas políticas seguidas nos últimos anos e por uma conjugação de factores como a avaliação de professores e um controlo sério da qualidade do ensino. (...)

 

DN

Tarde de sábado, no Porto

 

 

Dia gelado, cinzento, lindo. O Porto calorento, livreiro, acolhedor. No Clube Literário do Porto estivemos a conversar, a ler poemas, a trocar amabilidades, a ouvir música, a responder a perguntas, a confrontarmo-nos com as palavras e as suas ambiguidades.

 

Obrigada a quem participou e tornou uma tarde de sábado num agradável momento.

 

Da vergonha e da falta dela

 

 

Ele [Alberto João Jardim] não tem vergonha nenhuma e não têm vergonha os que aproveitam para atacar agora o Governo Regional dos Açores, esquecendo as realidades que existem na Madeira. - Carlos César

 

A falta de vergonha é uma condição que alastra perigosamente, fazendo vítimas em inúmeros representantes políticos. A falta de vergonha de Carlos César não é mais pequena que a vergonha e o alarme que sinto quando se insinua este nome como um dos possíveis sucessores à liderança do PS.

 

Oprimidos ou opressores?

 

O abandono do local de trabalho pelos controladores aéreos espanhóis originando o caos no espaço aéreo e colocando em risco milhares de pessoas, demonstra até que ponto a cegueira corporativa pode chegar.

 

Não estamos a falar de trabalhadores reivindicando condições de segurança no trabalho, redução de horário por perigosidade e desgaste rápido ou remunerações condignas. Trata-se de um grupo profissional que usa a sua especificidade e diferenciação e a cumplicidade de outros profissionais, que atestam por sua honra a doença simultânea de mais de 400 pessoas, para chantagear um governo livremente eleito, fazendo de milhares de passageiros reféns.

 

As piruetas argumentativas a que assistimos para legitimar esta pseudo greve por um lado, e para atacar as medidas extraordinárias decididas pelo governo espanhol por outro, são verdadeiramente acrobáticas.

 

Há muita gente com nostalgia revolucionária, mas esqueceu-se dos motivos e dos fins das revoluções sociais. Agora já não se defendem os oprimidos, os escravizados, os marginalizados da sociedade. Defendem-se aqueles que, por quaisquer actos, mesmo que à margem do estado de direito, estão dispostos a romper a estabilidade social.

 

São precisamente este tipo de situações que vão minando a credibilidade dos estados democráticos.

 

Concurso de Natal 2010 - Ovelhas de Presépio

 

 

E a tradição ainda é o que era. Natal não é Natal sem o concurso d'a Barbearia do Senhor Luís.

 

Este ano vão a votos as ovelhas das várias lojas cá do burgo. Haverá muitas e jeitosas, mas não melhores que a minha, seguramente, alegre e farfalhuda, com relva para ruminar, já que outras coisas ruminamos nós, neste ano da graça de 2010.

 

E como os prémios são, como é habitual, excelentes, perfilha-se já esta para a corrida.

 

Boa sorte aos concorrentes, que o júri é sempre justo e magnânimo.

 

Um dia como os outros (73)

 

PS vota contra projecto do PCP sobre tributação de dividendos.

 

Confesso que às vezes não percebo o Partido Socialista. Talvez lá eles percebam o que andam a fazer, com a grande coragem do líder parlamentar a ameaçar demitir-se se não estiver a maioria de acordo com a "linha geral". Pode haver boas razões para não baralhar as regras fiscais e deixar ir em paz quem, aparentemente, está a fazer uma manobra de antecipação que não está ao alcance da generalidade dos portugueses. Mas, se há essas boas razões, expliquem-nas claramente cá ao zé povinho. É que eu tinha ficado com a ideia que o próprio governo queria encontrar uma forma legal de impedir a manobra. Mas, claro, fui eu que não percebi nada. Espero bem que os restantes milhões de portugueses que se importam com isso tenham percebido melhor do que eu.

É que a esperteza propaga-se. Vejam este exemplo. Um ginásio, que cobra uma mensalidade que verá em 2011 recair sobre o montante de base uma taxa de IVA muito mais elevada do que até aqui, também descobriu o milagre da antecipação dos pães. Propõe à clientela que pague até 31 de Dezembro todo o ano de 2011, com o IVA de 2010. Fazem as continhas aos clientes, para que eles saibam quanto poupam. Isto também é legal? A resposta interessa-me, uma vez que sei de fonte segura que o caso é real e está mesmo a acontecer. Deixem na posta restante, se fizerem a fineza.

Porfírio Silva

Martinho da Arcada

 

Fernando Pessoa com Costa Brochado no Martinho da Arcada

 

Depois de um fim de tarde chuvosa a correr de um lado para o outro, rumámos ao Chiado, esperando pacientemente na fila de carros que enchia a A5, o viaduto Duarte Pacheco, o Rato, as imediações da Praça Camões. Estacionamentos completos, fomos andando até à Praça do Comércio. Em frente a uma loja de chapéus, carteiras e sapatos, finalmente arrumámos a viatura às 21:30.

 

O Martinho da Arcada foi lembrado e saudado como uma excelente ideia, até pela coincidência da efeméride – aniversário da morte de Fernando Pessoa. Mal entrámos no lindíssimo restaurante, com duas ou três mesas ocupadas, fomos avisadas assertivamente que a cozinha fechava às 22:00 e o restaurante às 23:00. Teimosamente ficámos, escolhemos morcela assada, salada rica, farinheira com ovos mexidos, creme de marisco e cataplana de peixes mistos.

 

Comemos a toque de caixa, apressadas por constante recordações das horas de encerramento da cozinha e do restaurante. A última de nós chegou já depois da cozinha fechada. Comeu os restos já frios das iguarias entretanto pedidas, antes da saída do cozinheiro.

 

Também apreciámos, para além das fotografias nas paredes, das cadeiras de madeira e dos tampos de mármore, das toalhas, dos guardanapos de pano e do fardamento dos empregados, o ruidoso desmontar das mesas e da arrumação de pratos e talheres. Saímos sem sobremesa nem café, para passear por Lisboa iluminada e para a gulodice de um gelado com café.

 

Lisboa à noite, fria, luminosa, com gente pela Rua do Carmo, Praça Camões, Chiado. Gelados com café e conversa solta, até tarde.

 

O Martinho da Arcada, uma referência literária e cultural da nossa capital, maltratado pela incapacidade de chamar e acarinhar clientes. As tertúlias que se iniciaram o ano passado, para salvar da falência o café, não alteraram os hábitos de quem afugenta os possíveis comensais que, em noite de Pessoa, não se podem dar ao luxo de ali estar.

 

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