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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Governo de iniciativa presidencial

 

 

O artigo que Medina Carreira escreveu no Correio da Manhã, no Domingo, embora apocalíptico como é habitual, foi mais transparente e apontou uma direcção, que se adivinhava em todas as últimas intervenções que fez.

 

A única eventual solução para este país à deriva é um governo de salvação nacional, do bloco central e de iniciativa presidencial.

 

Talvez Medina Carreira seja um mensageiro de Belém, preparando o terreno para o que há-de vir. Talvez assim se expliquem as intervenções e os silêncios cirúrgicos do Presidente, assim como o  abandono da postura de estado.

 

Nota: Também aqui.
 

Debates de Verão (24)

 

 

Agora com outro formato, continua o debate. Hoje escreve o  Palmira Silva, pelo SIMplex:

 

Sustentabilidade

(...) Investir na produção de energia, em especial nas renováveis, deve ser prioridade do programa de qualquer partido que pretenda governar o país e apostar no futuro. Ao ler os programas dos principais partidos, é fácil verificar que apenas um deles assume esse desígnio.

 

 

e o José Eduardo Martins, pelo Jamais.

 

O novo PREC

 

Realmente hoje é um dia de que a democracia não se pode orgulhar. A total irresponsabilidade perigosa de José Aguiar Branco e de muitas outras personalidades ao acusar José Sócrates e o PS de terem forçado a demissão de Manuela Moura Guedes, é um desrespeito total pelas regras de um estado democrático.

 

É inaceitável que se levantem este tipo de suspeitas e calúnias gravíssimas sem que haja qualquer resquício de factos que comprovem as acusações.

 

A última pessoa a ganhar com esta demissão é, precisamente, José Sócrates. A decisão de demitir Manuela Moura Guedes, que conduzia um programa em que se praticava muita coisa, mas não jornalismo, muito menos jornalismo de investigação, é da competência da administração da empresa. Manuela Moura Guedes até já tinha afirmado que se a nova administração a demitisse era muito estúpida. Por coincidência Manuela Moura Guedes tinha uma reportagem fantástica sobre o caso Freeport.

 

Mas as coincidências não se ficam por aqui. É que hoje foram conhecidas as pressões exercidas pelo governo sobre Alexandre Relvas, chantageando-o a propósito dos negócios que tinha com o Estado. Também por coincidência, um dos pilares da estratégia eleitoral do PSD, iniciada há algum tempo por Pacheco Pereira, é o slogan da asfixia democrática e da falta de liberdade na sociedade portuguesa.


É estranho que, para toda a oposição, a única coincidência que existe em todo este processo é mesmo a pouca inteligência de José Sócrates.


Para mim, Manuela Moura Guedes é a negação do que deve ser uma jornalista. Sou totalmente contra qualquer condicionante da liberdade de expressão. A possibilidade de se praticarem pressões políticas conducentes a qualquer tipo de censura, velada ou explícita, deve ser imediatamente repudiada, accionando-se todos os instrumentos legais para punir quem o fizer.

 

Tanto a nova administração da TVI como quem acusa o governo, o PS e Sócrates de condicionarem a demissão seja de quem for, devem de imediato apresentar os factos em que se baseiam para o afirmar. Era muito importante que a TVI divulgasse a reportagem sobre o Freeport a que se refere Manuela Moura Guedes.

 

Senão a única conclusão a tirar é que, para que José Sócrates perca as eleições, todas as armas, mesmo as mais abjectas, são permitidas. Estamos num novo PREC, em que se acusava o PS e os próximos do PS de fascistas, reaccionários, antidemocráticos, controladores, pidescos, etc.

 

Espero as declarações do Presidente a propósito deste assunto. Ou será que este ambiente de suspeição e calúnias não o preocupa, tanto como os graves problemas do país, como o  desemprego e a recessão económica?

 

Nota: Também aqui.
 

Combate 1 - CDS/PP contra PS - rescaldo

 

Este combate, que se adivinhava agressivo e difícil, acabou com alguma vantagem para José Sócrates, que conseguiu desmontar a enorme demagogia de Portas em relação à segurança: fazer perceber aos eleitores que as acusações do CDS em relação ao aumento da insegurança pela alteração às leis penais foi, ao fim e ao cabo, aprovada no Parlamento pelo CDS.

 

Foi um momento de enervação extrema para Paulo Portas que disparou em todas as direcções, agarrando rapidamente o discurso dos idosos sem direito à reforma. Só comparável à pergunta mortal que Vasco Rato fez a Aguiar Branco, no debate do referendo da IVG. Aguiar Branco, depois de ter defendido que a pergunta apresentada no referendo não tinha qualquer sentido, teve que confessar que a tinha votado favoravelmente.

 

José Sócrates insistiu, talvez um pouco em demasia, no passado governativo de Portas, cujas responsabilidades não foram tão grandes como Sócrates tentou insinuar. O problema do Iraque foi forçado e podia ter sido poupado.

 

Em tudo o resto, desde a segurança social às reformas educativas, desde o aumento do ordenado mínimo até à redução do défice (pergunta inicial a que Paulo Portas fugiu, visto que não foi capaz de negar que as propostas do seu programa aumentam o défice), o governo tem obra para mostrar e o CDS passeou a sua demagogia o mais que lhe foi possível. Mais uma vez a atitude do Primeiro-ministro, que tem contra si todos os partidos da oposição, foi firmemente convicta.

 

Este modelo de debate é um pouco estranho. Não percebi muito bem qual o papel de Constança Cunha e Sá.

 

Nota: Também aqui.

 

Debates de Verão (23)

 

 

Agora com outro formato, continua o debate. Hoje escreve o  Bruno Cardoso Reis, pelo SIMplex:

 

Sócrates e a diplomacia económica

(...) Sobretudo o que incomodou muita gente foi ver Sócrates a promover o Magalhães na Cimeira Ibero-Americana, e o Presidente Chávez pegar no Magalhães. Ficava mal. Exportar para um candidato a ditador? Ora o Rei de Espanha não promove as empresas espanholas? Não o faz a Rainha de Inglaterra, ou o Presidente dos EUA? Será que esses países não exportam para a Líbia ou a Arábia Saudita, essas grandes democracias? A promoção e diversificação das nossas exportaçõs têm de ser uma prioridade estratégica do próximo governo. Foi uma prioridade de Sócrates. Não faz milagres?


Não acredito em milagres em política ou economia. Mas acredito que tentar promover produtos nacionais não é vergonha, é verdadeiro sentido de Estado[, aquele que ajuda a criar empregos.] (...)

 

e o Paulo Lopes Marcelo, pelo Jamais.

 

Já vai sendo

 

 

The Duck Variations

David Mamet

Rippon College

 

 

Já vai sendo tempo de nuvens gordas
vento frio e sol envergonhado.

 

Já vai sendo tempo de virar a bússola
de voltar às folhas secas
ao chão molhado.

 

Já vai sendo tempo de retirar o véu
mergulhar os olhos no abismo do outro
no fundo dos silêncios
nas ausências disfarçadas.

 

Já vai sendo tempo de regressar à ilha
de novo despida e dormente.

 

Já vai sendo tempo de voltar
a ser eu.
 

Alguns apontamentos

 

 

 

Da entrevista de Judite de Sousa ao Primeiro-ministro:

  • O Primeiro-ministro esteve bem, seguro e descontraído. O ataque a Manuela Ferreira Leite, usando o slogan da verdade foi certeiro e muito apropriado, ao lembrar o embuste de nomear como cabeça de lista pela Madeira Alberto João Jardim, Presidente do Governo Regional e confesso absentista ao Parlamento Nacional, depois da campanha cerrada contra as duplas candidaturas do PS para as europeias.
  • A asfixia democrática foi bem esgrimida, acusando Manuela Ferreira Leite de punir os seus colegas de partido por delito de opinião (exclusão de Passos Coelho das listas). Não gostei muito da repetida suspensão da democracia, frase obviamente retirada de contexto.
  • Explicou muito bem a falta de seriedade da comparação entre o país de há 4 anos e o país de hoje, para quem se esquece dos indicadores existentes na 1ª fase da legislatura, e para quem quer fazer crer que a maior crise mundial desde há muitos anos foi apenas um abalozito de terra. As energias renováveis voltaram à ribalta, talvez um pouco repetidas de mais.
  • Defendeu bem as reformas na educação. Foi cuidadoso com as políticas de combate ao desemprego, defendendo o investimento público. Esteve muito bem ao afirmar que a crise ainda não acabou, mas que já eram visíveis os resultados das acções anticrise do governo.
  • Respondeu muito bem às perguntas sobre o fim da cooperação estratégica com o Presidente da República, assim como sobre o caso Freeport. Não esclareceu quais as alianças poderá propor e ainda bem. O PS deve apresentar-se sozinho, com uma solução governativa própria.
  • Judite de Sousa, a certa altura, deixou de ter perguntas para fazer, o que deu a José Sócrates oportunidade de tempo de antena.
  • Podia ter acabado com um pouco de humor à pergunta gira de Judite de Sousa.

Resumindo: José Sócrates assume uma atitude confiante, de alguém que sabe que tem um enorme desafio pela frente, preparando-se para o vencer; Manuela Ferreira Leite comporta-se como se soubesse antecipadamente que não terá a confiança da maioria dos cidadãos.

 

 

Nota:Também aqui.

 

Debates de Verão (22)

 

 

Agora com outro formato, continua o debate. Hoje escreve o  Carlos Santos, pelo SIMplex:

 

As PME

A crise exige uma estratégia de apoio às PME. Para o PS, esta contempla instrumentos excepcionais, fomentando a viabilização e vocação exportadora, bem como apostas inovadoras nas vertentes energia e I&D. (...)

 

e o Rodrigo Adão Fonseca, pelo Jamais.

 

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