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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Do que cada casa gasta

 

 

Pacheco Pereira está enganado. Quem disse que o primeiro programa Ponto/Contraponto era um programa televisivo de propaganda mal disfarçada e de pouca qualidade fui eu (no motor de busca do Google apenas eu e Pacheco Pereira usámos esta frase) e não faço parte daqueles que Pacheco Pereira nomeia: Os seus autores são jornalistas, profissionais de empresas de comunicação e marketing, candidatos a jornalistas e candidatos a políticos, assessores do governo, uns com nome, outros com pseudónimo.

 

É extraordinário como Pacheco Pereira se sente imune à crítica, tal a impossibilidade de fazer algo que não seja de elevada qualidade e acima de qualquer hipótese de tentativa de instrumentalização. Alguém que ouse não gostar do seu programa só o pode fazer com intenções perversas ou, tal como afirma: Todos dão um excelente exemplo do grau de decência com que hoje se vive na comunicação e na política e da incontida raiva que os povoa. Não me surpreendi, porque sei do que algumas casas gastam.

 

Pacheco Pereira não sabe, nem desconfia o que gasta ou como gasta esta casa. Pelo menos a decência de linkar os posts que cita e de se colocar em causa porque, se calhar, por uma remota hipótese, o seu programa não tem mesmo qualidade e faz propaganda descarada.

 

Adenda: sou médica, trabalho a tempo inteiro na minha profissão, não sou nem nunca fui filiada em qualquer partido político, não trabalho nem nunca trabalhei para qualquer governo, não sou nem nunca fui assessora de qualquer governo. Assino o meu nome em tudo o que faço.

 

Vagueando

 

É interessante percebermos como algumas pessoas, entra as quais mais precisamente Tiago Moreira Ramalho, entendem a democracia e a defesa das instituições democráticas. A intervenção do Presidente da República no que diz respeito à triste figura de Manuel Pinho foi politicamente enviesada porque não sentiu a mesma necessidade quando houve atropelos na Assembleia Regional da Madeira e outras aleivosias na própria Assembleia da República. O problema foi aquela única escolha para se indignar. Talvez não saiba tanto de Constituição como Tiago Moreira Ramalho nem de manipulação grosseira. Desconfio que poderia receber lições sobre os dois assuntos que menciona, dadas por ele.

 

Por falar em manipulação grosseira, o artigo O combate dos Economistas do provedor do leitor do Público, Joaquim Vieira, é absolutamente arrasador para José Manuel Fernandes. Como já todos tínhamos percebido, para José Manuel Fernandes o único manifesto que mereceu honras de discussão e divulgação foi o primeiro (dos 28), por coincidência o que se declarava contra a estratégia governamental. O segundo (dos 51) só teve destaque pela crítica em editorial que lhe foi feita pelo mesmo José Manuel Fernandes, sem que o tenha sequer publicado no jornal. O terceiro (dos 35) praticamente não teve existência fora da blogosfera. Outra vez por coincidência, os segundo e terceiro manifestos eram a favor das posições do governo.

 

A fraca qualidade e o sectarismo partidário a que assistimos nos jornais, que não se assumem abertamente com uma linha editorial ideológica, faz com que as novas formas de divulgação de informação amadora, pela internet, YouTube, Twitter, Facebook e outras redes, alimentadas de forma aleatória por visões parciais e focalizadas, sem quaisquer tratamento editorial ou estudo minimamente ajustado, por um lado quebram todas as tentativas de censura, por outro  são assustadoramente manipuladas e manipuladoras. Num oportuno artigo da série sermões impossíveis (DN de hoje - link não disponível) Fernanda Câncio escreve sobre o tema.

 

Política e coragem para assumir decisões políticas, é exactamente o que nos faz falta. As opiniões e os estudos científicos podem e devem servir de apoio às decisões políticas. mas não ser deterministas. A este propósito reflecte um post do Saúde SA.

 

Preocupações Presidenciais (1)

 

Manuel Pinho acabou demitido por um gesto patético, tão patético que nem uns cornos bem feitos soube fazer. Tal como patética foi a sua entrevista que deu na  SIC-N. Não consigo perceber o que levou Manuel Pinho a aceitar submeter-se àquela tortura.

 

Foi demitido e bem, não havia mesmo outra coisa a fazer. Acabou assim a sessão parlamentar, com esta famosa e importantíssima figura governamental, abafando tudo o que de bom e de mau se passou no último debate do Estado da Nação.

 

Mas a qualidade da democracia, para o Presidente da República, é directamente proporcional ao partido político a que pertencem os brincalhões.

 

Quando se passou aquela cena inacreditável na Madeira, em que houve um deputado que foi impedido de entrar na Assembleia Regional, quando Alberto João Jardim fez as declarações que fez sobre a Assembleia Regional, tendo-se recusado a receber o Presidente da República na dita assembleia, enxovalhando a Instituição, ninguém se deu conta da indignação de Cavaco Silva.

 

Temos um Presidente abertamente a fazer campanha a favor do PSD e contra o PS. Isso sim, é muito preocupante.

 

Nota: a este propósito ler Pantominices e o presidente e o sagrado respeito pelas instituições -- tem dias, certo, sr professor?

 

Um dia

poema

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

Um dia, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais.


O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados irreais
E há-de voltar aos nosso membros lassos
A leve rapidez dos animais.


Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais na voz do mar
E em nós germinará a sua fala.

 

Chega de Saudade

 

Tom Jobim & João Gilberto

 

Vai, minha tristeza
E diz a ela que sem ela não pode ser
Diz lhe numa prece que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer
Chega de saudade, a realidade
É que sem ela não há paz, não há beleza
É só tristeza, e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai
Mas se ela voltar, se ela voltar
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei na sua boca
Dentro dos meus braços os abraços
Hão de ser milhões de abraços apertado assim
Colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio
De viver longe de mim
Não quero mais esse negócio
De você viver assim
Vamos deixar desse negócio
De você viver sem mim

 

Fim de dia

 

Acabo de desligar. Respiro ofegante. Os minutos que passei ao telefone foram quilómetros de corrida desenfreada.

 

Olho para o monitor. Vão morrendo os últimos fragmentos do dia e ainda há sol. Aparece uma mensagem para all users.

 

Sinto-me arrastada pela estrada, por inúmeros passos sem rumo. Abafo. Visto-me sem pressa e sem vontade.

 

Apago a luz.
 

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