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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Da democratização pela tecnologia

 

 

Para além das vantagens que já nomeei, especificamente na área da saúde, a aposta nas novas tecnologias e na informatização é uma aposta na melhoria de acesso ao conhecimento, nomeadamente com a utilização da internet, na possibilidade de qualquer um poder ler um artigo, fazer pesquisas históricas, científicas, ler jornais, contactar pessoas das mais várias áreas geográficas, fazer compras, debater assuntos, visitar museus, apreciar música, descarregar livros em PDF, publicar as suas opiniões, usar serviços públicos como os de finanças, a loja do cidadão, marcação de consultas, etc., etc.

 

A utilização de computadores e da internet é um poderoso meio de democratização: todos temos a possibilidade de conversar com alguém que nos era inacessível, todos temos hipóteses de viajar e de conhecer algo que nos estava vedado, pois as barreiras do espaço e do tempo derrubaram-se. Por outro lado, a internet não é um instrumento apenas para uma elite de políticos e intelectuais, é para um oceano imenso de pessoas anónimas que procuram a comunicação e a informação.

 

É claro que todos os avanços científicos têm o seu lado mau. Todas estas maravilhas tecnológicas são usadas para os mais negros fins, como a pedofilia, o terrorismo, o crime organizado, o tráfico de pessoas, tudo o que a mente humana é capaz de imaginar, do melhor ao pior.

 

Também é verdade que este manancial de informação e possibilidades poderão ser aproveitadas apenas por uma minoria e que são necessárias outras competências para poder usufruir das novas tecnologias. Mas é preciso que sejam disponibilizadas a toda a gente, é preciso que sejam introduzidas nas escolas públicas para que se transformem numa ferramenta de trabalho normal.

 

As mentalidades talvez se mudem mais depressa do que se pensa. Até as pessoas mais velhas se vão rendendo aos computadores e à internet.

 

(Nota: também aqui)

 

Your heart is as black as night

  

Melody Gardot

 

 

Your eyes may be whole
but the story I'm told
is that your heart is as black as night
your lips may be sweet
such that I can't compete
but your heart is as black as night

 

I don't know why you came along
at such a perfect time
but if I let you hang around
I'm bound to lose my mind
cause your hands may be strong
but the feeling's all wrong
your heart is as black a night
(2x)

 

Your heart is as black
oh, your heart is as black as night
ah-ah oooooo
 

Emético

 

Homem vomitando - Tacuinum Sanitatis, séc. IV

 

É inadmissível o que se está a passar com o caso das gravíssimas complicações em 6 doentes após administração de fármaco intra-ocular, que resultou em cegueira, esperemos que não definitiva.

 

É necessário que se perceba o que aconteceu antes de se começarem a encontrar os culpados e a assistir-se na praça pública às mais irresponsáveis e eméticas (provocam o vómito) declarações de indivíduos como o Dr. João Cordeiro, Presidente da ANF.

 

A luta pelos interesses dos farmacêuticos tem que ter alguns limites éticos. João Cordeiro tem conseguido ultrapassá-los a todos.

 

Nota: A este respeito ler o excelente post de Aidenos, no Saúde SA.
 

SNS e informatização

 

 

A blogosfera afirma-se como um espaço de debate pré-eleitoral, reunindo-se em blogues colectivos ou manifestando-se em blogues individuais.

 

Para já a formação do SIMplex despoletou a emergência do Jamais (para ler em francês), alinhando-se os guerreiros de cada lado da barricada.

 

Ainda bem. É claro, honesto, interessante e divertido. Ma é conveniente não esquecer o objectivo da batalha: discutir opções políticas, alternativas, discutir áreas de actuação em falta, resultados, ideologias.

 

Este governo teve um mérito que não me lembro de ter visto em qualquer governo anterior: acabar com o mito de que a esquerda é indecisa, titubeante, gastadora, perdedora, sem vontade, niveladora por baixo e não reformadora. Este governo apostou nas tecnologias de informação, na formação e na avaliação. Aquilo que foi chamado de propaganda de powerpoint representou uma viragem no paradigma do envelhecimento das mentalidades, foi uma afirmação de que é possível mudar por dentro.

 

É inaceitável que hoje em dia se não aposte na informatização de todos os serviços públicos. A resistência à mudança é clássica, mas não se pode manter a falta de bases de dados actualizáveis e utilizáveis por todos os que delas necessitam.

 

No SNS deve apostar-se na informatização dos Centros de Saúde (CS), nos processos, requisições, prescrições, recados, memorandos, codificações, facturações, gestão de stocks, gestão de circuitos e manutenções de equipamentos, controlos de fluxos de trabalho, digitalização de imagens (radiografias), etc. A objectivação e armazenamento electrónicos tornarão mais ágeis, leves e precisas todas as informações relativamente aos doentes, às terapêuticas, aos meios complementares de diagnóstico, permitirão uma melhor gestão dos tempos e dos recursos e obrigarão ao cumprimento de protocolos, que uniformizam critérios e procedimentos e reduzem a hipótese de erro.

 

Seria de toda a conveniência que os CS, USF e hospitais trabalhassem em rede, o que permitiria que os doentes fossem seguidos em ambulatório pelos seus médicos de família, que poderiam ter e fornecer dados dos seus utentes aos colegas de várias especialidades. Este é um movimento de renovação que tem de continuar.

 

(Publicado também aqui)
 

Da falta de ideias

 

Tenho lido com atenção as várias reacções ao SIMplex. A sociedade civil, para alguns blogues que apoiam soluções políticas de direita, é importante, indispensável mesmo, quando as suas intervenções são críticas à actuação do governo e do PS.

 

Quando se unem pessoas num blogue que se assumem defensoras da vitória do PS mas que não pertencem ao partido, esses depoimentos, essas opiniões, esses contributos são de idiotas úteis ou apenas de pessoas que estão ao serviço do PS e do governo, assessores ou de carácter pouco duvidoso.

 

É uma visão distorcida da sociedade civil e distorcida do que é um debate democrático e em liberdade. Há até quem já tenha ressuscitado o mistério de Miguel Abrantes para suscitar a desconfiança e o ataque às pessoas, não às ideias.

 

Será porque há falta de ideias no PSD? A desculpa do desconhecimento do verdadeiro défice para que não se proponham alternativas é pouco séria. O PSD, em vez de se esconder atrás dos supostos encobrimentos e mentiras do governo, deveria propor ao país a sua visão da política económica, de saúde, de educação, de defesa e de justiça. O que pensam sobre todos estes temas? Quais as funções do Estado que consideram indispensáveis?

 

O que vão fazer com o tão famoso cheque ensino ou com as taxas moderadoras em relação com o IRS? O que pensam dos outsourcings nos hospitais públicos? Qual o modelo de carreira docente que defendem? O que farão para além de parar o TGV e o aeroporto de Lisboa?

 

Quem quer o poder deverá explicar o que vai fazer com ele. Estamos todos à espera do momento em que, sem os oráculos do costume, Manuela Ferreira Leite nos presenteará com as suas propostas e as do seu partido.

 

Nota: publicado também aqui.

 

Poeira

 

Nicholas Phillips: lost

 

Quando arrasto a poeira que todos os dias me tolda
quando sacudo os ombros que todos os dias me pesam
quando respiro o ar que todos os dias me falta
marco encontro com o próximo dia
mais poeirento mais pesado mais rarefeito
sabendo que talvez
um dia
me perca.