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Cada um cumpre o destino que lhe cumpre. / E deseja o destino que deseja; / Nem cumpre o que deseja, / Nem deseja o que cumpre. [Ricardo Reis]
Estamos a assistir a uma rápida agonia deste governo e deste PS. Ao contrário do que muitos esperávamos e queríamos, desmoronam-se as tibiezas, os recuos, os desmentidos, os ministros que são apanhados pelas curvas do processo eleitoral.
Sabe-se mas não se sabe, não se sabe mas decide-se, a vozearia dos telejornais, dos jornais, dos jornalistas, dos comentadores, dos assessores, dos apaniguados, dos abutres, dos emergentes, dos ressuscitados, dos cinzentos, dos economistas, dos oportunistas, das informações e contra-informações, das notícias confirmadas e infirmadas, das inverdades, das humildades democráticas, das arrogâncias sóbrias, dos que rasgam e dos que param.
Há documentos que são gritados aos quatro ventos, pelos salvadores da pátria que durante anos estudaram, aconselharam, peroraram e governaram, artigos de jornalistas imparciais que apenas conhecem o lado que se lhe encosta à direita, enquanto outros documentos circulam pela inclandestinidade da internet. Há ministros e governantes que se enrolam nas palavras uns dos outros, nas declarações simultâneas ou diferidas, pelo caminho que mais rapidamente vai dar ao abismo.
Deixam-nos com um desassombro e um desalento tão enormes que nem nos apetece falar.
poema de Sophia de Mello Breyner
pintura de Emre Hüner
Intacta memória – se eu chamasse
Uma por uma as coisas que adorei
Talvez que a minha vida regressasse
Vencida pelo amor com que a lembrei.
Melhor ou pior a estratégia do PSD está a resultar. O PSD invadiu e manipulou a discussão política à volta dos investimentos públicos, a coberto dos grandes investimentos (aeroporto e TGV), da crise e do endividamento externo, vieram à tona os economistas e as suas cautelas de 200 anos, que pedem estudos de estudos, dos estudos que estudarão.
A simultaneidade das datas das eleições é agora uma melopeia que agrada apenas oas ouvidos do PSD. O negócio da PT e do grupo da TVI é outro mote que agrada ao PSD e que invadiu os media.
Pacheco Pereira na Quadratura do Círculo vende uma líder sem jeito para falar, que não é vaidosa mas que é verdadeira. Uma mulher casada com a Pátria.
O PS está a reboque do PSD. Ninguém discute ou faz balanço das políticas da governação dos últimos 4 anos, na saúde, na educação, na administração pública, etc. Ninguém fala de alternativas ou de programas de governo à direita. O PS não está a conseguir fazer esse balanço e não está a conseguir mostrar que o PSD não tem políticas alternativas. Porque o que o PSD propõe é nada de nada.
Que seria de nós se, não havendo capacidade de prover a todas as unidades hospitalares aquilo que todos nós consideramos o estado da arte na totalidade das especialidades, não tivéssemos grupos de ponta ou alguns serviços em que se fizesse investigação, bancos de células estaminais, etc.
Além disso há um novo actor em cena, a complementar a peça teatral do PSD – o Presidente da República.
O PS parece oprimido e com medo de defender alto e bom som a suas propostas. Se o país não gostar delas votará noutros partidos, mas o PS não pode desistir ou titubear nas suas convicções.
Neste momento, o PSD tomou a iniciativa; o PS está parado.
É muito difícil falar do que apenas se sabe por filmagens mais ou menos amadoras, mais ou menos imparciais, do que se está a passar no Irão.
Mas é muito mais difícil não falar. E o que se passa em Teerão é a repressão da liberdade de manifestação, da contestação ao regime e ao ditador, é aquilo que se passa numa ditadura.
Muito mais difícil é ficar indiferente. Felizmente já não é possível impedir que o exterior vá assistindo aos gritos, às balas, às multidões, aos protestos, ao sangue.
Adenda: vale a pena ler este excelente post de A. Teixeira.
É sempre tão fácil falar da liberdade de expressão e do situacionismo quando eles não nos batem à porta.
A 1ª página do I é pouco simpática para Pacheco Pereira. Quantas vezes não foi ele simpático para Luís Filipe Menezes? O que é que ele está a pagar? Que vingança é a dos jornalistas que puxaram aquela frase para título, que não tenham puxado outras de Pacheco Pereira, sobre colegas de partido, sobre opositores políticos, etc.?
A liberdade de imprensa, para Pacheco Pereira, é algo que está entre publicar o que ele escreve e diz e não publicar quem o contradiz.
A propósito: ler Tomás Vasques, Nuno Ramos de Almeida e Fernanda Câncio.
Carlos Santos, do blogue O valor das ideias que é um blogue de verdadeira informação e debate de ideias, pelos textos profundos e bem fundamentados que escreve, decidiu distinguir-me com o prémio Lemniscata.
Para além de ficar muito sensibilizada e vaidosa com o significado que se atribui a este prémio, aproveito para lhe dizer que há blogues muito mais merecedores do que o meu, como decerto descobrirá pelos 7 blogues que, seguindo as regras que se impõem, nomearei.
Para já segue-se este texto explicativo:
“O selo deste prémio foi criado a pensar nos blogs que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores."
Sobre o significado de LEMNISCATA: LEMNISCATA: “curva geométrica com a forma semelhante à de um 8; lugar geométrico dos pontos tais que o produto das distâncias a dois pontos fixos é constante.”
Lemniscato: ornado de fitas - do grego Lemniskos, do latim, Lemniscu: fita que pendia das coroas de louro destinadas aos vencedores (in Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora).
Acrescento que o símbolo do infinito é um 8 deitado, em tudo semelhante a esta fita, que não tem interior nem exterior, tal como no anel de Möbius, que se percorre infinitamente. (Texto da editora de “Pérola da cultura”)
Descobri que há várias curvas resultantes de várias equações:
Os 7 blogues que considero terem as características acima descritas são:
É difícil escolher apenas 7 pois haveria mais a nomear. Agradeço a quem me nomeou e a todos os que me visitam e comentam.
Esta notícia parece-me vagamente familiar…
Ex-ministros do PS criticam grandes obras
Luís Campos Cunha, Daniel Bessa, Augusto Mateus, Eduardo Catroga, Henrique Medina Carreira, João Salgueiro, Miguel Beleza, Manuel Jacinto Nunes, Miguel Cadilhe, Sérgio Rebelo. (DN, 20/06/2009)
Porque será?
Economistas portugueses criticam investimento em "grandiosos projectos"
António Carrapatoso, António Nogueira Leite, José Silva Lopes, João Salgueiro, Fernando Ribeiro Mendes, Miguel Beleza, Henrique Medina Carreira, João Ferreira do Amaral, Augusto Mateus e Vítor Bento. (Público, 27/07/2005)
E continuam. Assassinos travestidos de lutadores pela liberdade e soberania de um povo.
E continuam.
(via Café del Artista)
(pintura de Alia E. El-Bermani: Kitchen Window)
São de mulher estas queixas, em frente a um espelho que a deforma, porque por dentro não existem rugas, só as que resultam do amolecimento do amor, da negação da paixão, do adormecimento dos sentidos.
São de mulher estas ânsias de olhar-lhe nos olhos e saber que é ele, que será ele sempre, para toda a eternidade, mesmo que essa eternidade se meça em dias ou meses, este estremecimento que aguarda quando lhe toca, quando o cheira, este amansar do desgosto de o saber sem ela, quando se habitam por momentos.
São de mulher estes cansaços do que já sabe, do que já mente, do que já arrumou num canto da memória, os gestos iguais, a mesma sombra que a persegue e que é ela própria, num desejo de já não existir.
São de mulher estas mesmas sobras que coleccionou pelos anos que lhe pesam, pelos caminhos em contínuo que a sugam, por aquele mar infinito que, inexoravelmente, acabará por escolher mergulhar, até ao adormecimento final.
(pintura de E. B. C. Brown: From the Ashes)
É da sombra que me usou
nesse sol desmaiado que me provou
foi de sombra que me enfeitou
nesse sol esparramado que me fustigou
mãos de água tão de leve
na cinza dos teus dedos
mãos de sonho e de neve
guardam os sabores do corpo que esmorece
toldo da alma que me merece
tão fundo e tão forte
como a sombra que me coube em sorte.
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