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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Primeiro de Maio

 

(pintura de Joyce Ann Burton-Sousa: waiting for work)

 

Neste primeiro de Maio, mais do que nos outros 34 que celebrámos em liberdade, olhamos com apreensão para o mundo cujas regras se vão alterando.

 

O trabalho passou a ser um luxo, uma miragem para um sem número de jovens que não vislumbram o dia em que assumirão uma vida autónoma da dos pais. Uma miragem para quem vê a empresa a que dedicou os seus anos produtivos fechar, deixando-o sem formação, sem idade e sem forças para recomeçar.Numa sociedade cada vez mais envelhecida, que mitifica e glorifica a juventude, nem uns nem outros têm direito a existir por inteiro.

 

Aquilo que nunca questionámos, a existência de estruturas sindicais que defendessem os trabalhadores, não são mais do que estruturas anquilosadas e fora de época, que defendem o emprego de quem já está instalado, abominam a meritocracia e premeiam a mediocridade, sem quaisquer soluções realistas, inovadoras e verdadeiramente representativas dos problemas e aspirações de quem necessita. Cada vez mais, descrentes da solidariedade que tanto apregoámos, nos envolvemos em individualismo e competitividade do salve-se quem puder.

 

Por outro lado, a cultura do facilitismo, da infantilização e da desresponsabilização generalizada, o apelo à vida de lazer e ao consumismo, à imagem despojada de substância e ao efémero, faz com que se esteja a olhar para o trabalho com uma tarefa sem conteúdo de serviço público à comunidade, sem sentido de pertença e de participação no todo comum, sem o cunho da realização pessoal.

 

Neste dia do trabalhador talvez devêssemos reflectir colectivamente o que significa para a sociedade e para o indivíduo ter um trabalho, como agregar os anseios e as ambições de quem ainda não ingressou no mercado de trabalho, como implementar uma cultura de mérito, competência, valorização pessoal e construção cívica, exigindo dos sindicatos e dos representantes do patronato esse mesmo comprometimento, sendo indispensável definitiva entre estas estruturas e os partidos políticos.

 

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