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Debate inter-blogues

por Sofia Loureiro dos Santos, em 19.10.08

(Franquistas)

 

Tudo começou com um post do JRD, no bonstempos hein?!, sobre as valas comuns que estão a ser investigadas em Espanha, valas que serviram para enterrar os mortos republicanos, chacinados pelos franquistas.

 

Penso que a postura de Franco e seus companheiros, ao tratarem os seus mortos como heróis e os mortos republicanos como criminosos, nunca permitiram que se curassem as feridas da guerra civil. E isso é patente nas reacções da direita mais conservadora e retrógrada de Espanha ao reagir às leis que Zapatero fez aprovar, no sentido de se fazer justiça à memória dos vencidos.

 

Mesmo a propósito li hoje um texto de Jorge Almeida Fernandes, no P2 do Público, (link não disponível) em que chama a atenção para o aproveitamento político e a possibilidade de reescrição da História que podem representar alguns tipos de iniciativas deste género.

 

Parecendo responder ao meu comentário, A. Teixeira escreveu um excelente texto que separa as inquietações dos historiadores, o protagonismo de Baltazar Garzón e a memória que os saudosistas do franquismo não querem que seja preservada.

 

Isto é um verdadeiro debate inter-blogues!

 

(Republicanos)

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publicado às 22:40

Dos blogues colectivos

por Sofia Loureiro dos Santos, em 19.10.08

Tenho assistido, ao longo destes quase três anos em que me iniciei nesta aventura de ter um blogue, a vários blogues colectivos que se formam e se destroem, aparentemente por aparecerem confrontos insanáveis entre os vários colaboradores dos blogues.

 

Começo por me interrogar de quais as motivações para se criarem blogues colectivos. Entendo que um blogue que tenha um tema, por exemplo informação e debate científico, teatro, literatura, economia, fotografia, etc, possa englobar vários colaboradores que alimentem o blogue, mesmo que, no exemplo do tema de economia, haja uma linha condutora mais ou menos explícita, podendo até ser uma orientação política.

 

Outro tipo de blogues colectivos poderiam ser aqueles que funcionam quase como um jornal online, ou uma revista, em que, mesmo que haja uma linha editorial,  haveria áreas específicas tratadas por pessoas diferentes, assim como espaço para opiniões diversas.

 

Um blogue colectivo apenas de opinião, generalista para o caracterizar de alguma forma, arrisca-se a criar atritos entre os próprios bloguers, quanto mais assertivos e desassombrados forem os textos e, principalmente, se os vários intervenientes usarem uma linguagem muito comum na blogosfera, que ofende com facilidade quem está num mau dia ou é mais susceptível a posições mais exóticas ou extremadas.

 

Os comentadores jogam aqui um papel crucial, que é quase sempre de acirramento dos espíritos, contribuindo para o inflamar de ânimos e troca de palavras azedas.

 

Mas é pena porque há projectos engraçados que terminam nem os leitores percebem bem porquê, com comentários ofensivos, demissões e troca de acusações mais ou menos veladas.

 

Foi assim com o Bombix Mori, foi assim com o cinco dias e espero que não termine assim com o Corta-fitas.

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publicado às 22:10

Ao contrário

por Sofia Loureiro dos Santos, em 19.10.08

(pintura de Jorge Queiroz: sem título, 2003)

 

Volto-me ao contrário
estudo o aspecto rugoso húmido
sinto areias pegajosas
pequenas agulhas desprendidas
na face escondida
da terra que sou.

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publicado às 13:14

Molde

por Sofia Loureiro dos Santos, em 19.10.08

pintura de Joan Miró

hombre y mujer delante de un montón de excementos

 

Aguardamos a dor sem revolta
inevitável companhia do poder
de olhos vazios encaramos o nada
e viramos para dentro resignados
o molde que não deixamos de ser.

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publicado às 13:07

A crise, a UE e o Tratado de Lisboa

por Sofia Loureiro dos Santos, em 19.10.08

Perante uma grave crise financeira, e pelos visto a que se seguirá uma crise económica, no mundo, gostaria de ter visto relançada a discussão sobre o Tratado de Lisboa.

 

Se houve atrasos na tomada de posições conjuntas dos países da EU, se houve grupos de países, o G4, que se mandataram como vanguarda avançada da EU, mesmo sem terem qualquer representatividade política, se há a sensação de que na EU, em tempos de grandes dificuldades, têm um discurso de acordo e união, mantendo  uma prática contrária em defesa do seu próprio país, em que medida deve ou não ser repensada a EU? Em que medida o passo da aprovação de uma proposta constitucional é precipitada ou indispensável? De que forma o novo Tratado Europeu poderia ajudar ou complicar o enfrentar dos problemas económicos e financeiros, a prevenção da recessão como um bloco uno?

 

Afinal, a EU nem sequer se comportou como uma união económica. Penso que há aqui muitos assuntos que deveriam ser debatidos pelos vários actores políticos, nacionais e europeus.

 

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publicado às 12:31

Da lida insana

por Sofia Loureiro dos Santos, em 19.10.08

Tenho tido semanas pesadíssimas com trabalho. De tal maneira que apenas passeio pelos muitos blogues que aprecio, por outros que aprecio menos, pelos jornais online e vou catalogando assuntos sobre os quais gostaria de dizer qualquer coisa.

 

É claro que muitos perdem oportunidade, porque nesta nossa correria para ultrapassar o dia a dia vão cabendo cada vez menos tempos escolhidos ou roubados para pensar, saborear e observar.

 

Mesmo assim, ainda me arrisco a tecer um comentário sobre a mais que provável candidatura de Pedro Santana Lopes à Câmara de Lisboa.

 

Tal como Pacheco Pereira acho tal escolha absolutamente incompreensível e ruinosa para a cada vez mais distante e abatida credibilidade do PSD e da sua Presidente, Manuela Ferreira Leite. Não a entendo em nenhuma perspectiva, nem na única mesquinha hipótese de ter hipóteses de ganhar. Pacheco Pereira disse o óbvio. Aliás se defendesse essa solução, mesmo por omissão, não faltaria quem lhe apontasse o dedo como hipócrita calculista e vira-casacas, sendo eu uma delas, muito possivelmente.

 

Discordo muito de Pacheco Pereira em muitíssimas coisas, mas tem seguramente o meu respeito por não se refugiar em calculismos e defender as suas ideias, mesmo incómodas.

 

Já não posso dizer o mesmo de Manuela Ferreira Leite. O PS e o governo estão em roda livre, não há qualquer oposição credível à direita e isso é que é um definhamento da democracia e um atrofiamento da liberdade. Manuela Ferreira Leite acusou o governo de asfixiar a democracia, mas o seu partido é um dos maiores contribuintes para a aridez do debate político.

 

Nota: Pacheco Pereira tem uns minutos no Rádio Clube Português, de manhã, por volta das 9 horas, que se chama Vírus. É absolutamente imperdível.

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publicado às 12:12

Dardos

por Sofia Loureiro dos Santos, em 18.10.08

 

Agradeço o prémio com que fui distinguida por um dos blogues que aprecio diariamente. Como mandam as normas

  1. exibir a distinta imagem
  2. linkar o blogue pelo qual recebeu o prémio
  3. escolher quinze (15) outros blogues a quem entregar o Prémio Dardos

aqui vão os blogues que atiram certeiras e excelentes setas:

  1. Água Lisa (6)
  2. cocó na fralda
  3. Contra Capa
  4. DER TERRORIST
  5. hoje há conquilhas, amanhã não sabemos
  6. jugular
  7. Ladrões de Bicicletas
  8. O Mundo Perfeito
  9. O Tempo das Cerejas
  10. Pedro Rolo Duarte
  11. Ponto de Cruz
  12. quase em português
  13. respirar o mesmo ar
  14. Saúde SA
  15. Teatro Anatómico

Muitos mais caberiam nesta lista, mas só podem aparecer 15. Nos meus favoritos continuarão a aparecer cada vez mais. É uma literatura alternativa que me dá muito prazer.

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publicado às 12:44

Memória

por Sofia Loureiro dos Santos, em 18.10.08

 

Cavaco Silva defende valores e políticas raramente coincidentes com as que eu própria defendo. Não me revejo na sua postura, nos seus discursos, não gostei dos seus mandatos enquanto Primeiro-Ministro e votei contra ele sempre que tive oportunidade.

 

No entanto, e a propósito de um comentário num dos posts mais abaixo, fiz uma pesquisa na internet sobre a inovação portuguesa dos anos 80 que deu pelo nome de salários em atraso, que motivaram intervenções incendiários do Bispo de Setúbal, D. Manuel Martins, alertando para a fome no distrito de Setúbal.

 

Ora essa inovação foi da autoria do governo do Bloco Central, chefiado por Mário Soares e Mota Pinto, na Vice-Presidência, como se pode ver neste documento de José Adelino Maltez – (…) Salários em atraso – Relatório oficial reconhece a existência de cerca de 100 000 trabalhadores com salários em atraso (Março). (…).

 

Além disso, após as eleições legislativas de 1985, ganhas por Cavaco Silva, foi elaborada uma Lei na Assembleia da República - Lei n.º 17/86, de 14 de Junho, Salários em atraso – posteriormente revogada pela Lei 99/2003 – Código de Trabalho – numa tentativa de proteger os trabalhadores de uma situação absolutamente inaceitável, que era trabalhar sem remuneração e sem soluções no quadro legal.

 

Portanto, os salários em atraso não foram responsabilidade de Cavaco Silva, do PSD, tendo sido durante a sua legislatura que se tentou resolver o problema, mas sim de Mário Soares, do PS (sem esquecer Mota Pinto, claro).

 

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publicado às 12:22

Pobreza

por Sofia Loureiro dos Santos, em 18.10.08

Há uns meses travou-se grande debate político-ideológico a propósito dos elevados níveis de pobreza em Portugal, assim como o agravamento das desigualdades sociais, baseado em relatórios do EUROSTAT, da UNICEF e de um estudo coordenado por Alfredo Bruto da Costa – Um olhar sobre a pobreza.

 

Da esquerda à direita foram sendo esgrimidos argumentos, demonstrando o mau desempenho que todos os governos tiveram, após o 25 de Abril, no combate às desigualdades sociais, não tendo sido capazes de desenvolver políticas que reduzissem o flagelo da pobreza.

 

No Público online de ontem vem uma notícia - Portugal é o país da UE onde a pobreza mais caiu - que eu gostaria que fosse também motivo de debate político-ideológico.

É preciso fazer muitíssimo mais, mas afinal sempre temos feito alguma coisa, mesmo com a continuada e arrastada crise em que vivemos. Ainda bem.

 

Sublinhados meus

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publicado às 11:57

Economia ainda mais real

por Sofia Loureiro dos Santos, em 16.10.08

Petróleo cai para os 65 dólares com aumento das reservas dos EUA

 

E não baixa a gasolina. Mas a Autoridade da Concorrência ainda está a analisar se há ou não concertação de preços.

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publicado às 23:42



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