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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Presencial ou por correspondência

Manuela Ferreira Leite, depois do seu sepulcral e prolongado silêncio, resolveu opinar a propósito da proposta de alteração da lei eleitoral, segundo a qual os emigrantes deveriam votar presencialmente e não por correspondência, o que eu acho muitíssimo lógico.

 

O único argumento que lhe ouvi justificando a limitação das liberdades e garantias dos emigrantes portugueses, é a redução dos consulados e as grandes distâncias que os eleitores terão que percorrer par exercerem o seu direito.

 

Segundo esta notícia do DN, nas eleições legislativas de 2005 (...) A abstenção nos dois círculos eleitorais da Emigração situou-se nos 76 por cento. Dados do Secretariado Técnico dos Assuntos para o Processo Eleitoral (STAPE) apontam para uma abstenção na ordem dos 69,5 por cento na Europa e de 81,7 por cento no círculo Fora da Europa.(...)

 

Será que Manuela Ferreira Leite está mesmo a falar a sério?

Desastrado regresso

Paulo Pedroso conseguiu dar vários tiros nos pés e nas mãos com a entrevista que deu.

 

A teoria do bloco central defendida por ele a mais de 1 ano das eleições demonstram bem a confiança que tem na vitória do PS e o que valoriza os projectos políticos, principalmente para quem se reclama da esquerda do PS. A não ser que pense que são muito parecidos, o que não deixa de ser estranho.

 

Não se augura nada de bom.

O mínimo democrático

Sarah Palin defende tudo o que eu acho indefensável, começando na educação sexual (ou ausência dela) e acabando no fanatismo religioso, com a defesa do ensino do criacionismo.

 

Resta perceber se Sarah Palin foi escolhida para candidata a Vice-Presidente por defender estas ideias ou por ser mulher. As sondagens parecem indicar que está a haver uma transferência de votos das mulheres brancas para o candidato republicano, após a escolha desta candidata.

 

O que nos leva à conclusão de que os americanos votam em mulheres brancas, ou homens negros, não votam nos seus projectos ou convicções. Tal como as eleições angolanas são aceitáveis para os observadores europeus e para a CPLP, apesar de todas as falhas e de todos os impedimentos à propaganda eleitoral, a compra de votos, a não credenciação de algumas organizações, apenas porque é em África e não num país europeu, como alertam várias vozes.

 

Que democracia estamos nós dispostos a aceitar?

11 de Setembro

11 de Setembro de 1973 - Chile

 

Há dias em que as armas, a fé, a ideia da única solução, do poder dos homens ou dos deuses esmagam a razão. É bom que os lembremos, a todos os que substituem a palavra pela morte, em nome de uma força que não têm.

 

11 de Setembro de 2001 - EUA

Mais nada

(pintura de Jackson Pollock: one)

 

Senhora do alto destes muros
sinto o abismo que me chama
mais puro
mais só
mais nada.

 

Rodo nos braços do fogo
solta na esfera que me encanta
mais quente
mais vulto
que mente.

 

Esvoaço pela noite demolhada
nos lábios do vento que me beija
mais fome
mais lume
mais seja. 

Riscos

(pintura de Dorata Mytych)

 

Inclino a caneta e risco o papel
única demonstração de carácter
recusando a neutralidade instalada.

 

Mesmo que a caneta não tenha já tinta
totalmente substituída por nervos
reconcilio um pouco a vontade de rasgar
de revolver a terra seca
dentro de mim.

Barco Negro

poema de David Mourão Ferreira; música Caco Velho

canta Amália Rodrigues

 

De manhã, que medo, que me achasses feia!
Acordei, tremendo, deitada n'areia
Mas logo os teus olhos disseram que não,
E o sol penetrou no meu coração.

 

Vi depois, numa rocha, uma cruz,
E o teu barco negro dançava na luz
Vi teu braço acenando, entre as velas já soltas
Dizem as velhas da praia, que não voltas:

 

São loucas! São loucas!

 

Eu sei, meu amor,
Que nem chegaste a partir,
Pois tudo, em meu redor,
Me diz qu'estás sempre comigo.

 

No vento que lança areia nos vidros;
Na água que canta, no fogo mortiço;
No calor do leito, nos bancos vazios;
Dentro do meu peito, estás sempre comigo.

E o Oráculo falou

Depois de um fortíssimo ataque ao governo, as soluções propostas são:

 

E...?

À espera do Oráculo

Segundo Pacheco Pereira, o PSD fiscalizará o governo em tempo real, mas isto não implica que tome decisões sobre as medidas.

 

Ou seja, quando chegarmos à eleições legislativas teremos um governo bem escrutinado, não sabemos é qual é alternativa que se lhe oferece.

 

Parece-me uma estratégia muito interessante e que demonstra, de facto, que o PSD não tem alternativa a esta governação. O que é assustador.

Eleições em Angola

Ninguém parece entender-se sobre as eleições em Angola. Da manipulação informativa pelo governo durante a campanha eleitoral, às afirmações contraditórias das várias equipas de observadores internacionais, até às opiniões divergentes dentro das mesmas equipas, nada se pronuncia de bom, mesmo que não me espante a esmagadora vitória do MPLA que, a meu ver, nunca esteve em causa.

 

Talvez fosse boa ideia os observadores terem algum cuidado com o que afirmam, para não ficarem eles próprios descredibilizados.

 

A proibição da entrada de vários órgãos de informação, pelo menos portugueses, deixa um travo muito amargo na avaliação da validade democrática deste acto eleitoral, mesmo que alguns digam que os votos expressam a vontade dos eleitores.

 

Nota: a este propósito vale a pena ler A cerimónia, de A. Teixeira.