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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Ponto de Mira

Ponto de Mira (Vantage Point) é um filme frustrante, que defrauda as  expectativas de quem se envolve totalmente nos primeiros 2/3 do filme. Magistralmente filmado, mostrando uma cena observada por várias personagens, cada uma juntando um pouco mais de mistério, mas também descobrindo um pouco mais o mistério. Uma ideia brilhante com excelentes actores, uma Plaza Mayor de Salamanca credível, turistas, profissionais de segurança e dos média, terroristas e um Presidente bem americano.

 

Depois estraga-se tudo. Perseguições disparatadíssimas, por estradas tão depressa urbanas, com viadutos e trânsito, como marroquinas, pela confusão, pelos mercados e pelos mercadores. Chega-se ao fim e não se percebe o enredo, não se entende quais as motivações dos terroristas, porque é que há polícias na tramóia, que entretanto são aldrabados, outros que são mortos mas estão por dentro, enfim, acabou aquilo que era uma promessa de uma excelente história, a correr e à pressa. Como disse o meu companheiro de filme, parece ter havido dois argumentistas : o da primeira parte do filme, muito bom; o da segunda parte do filme, muito mau. Mas no guião vem apenas o nome de Barry Levy.

 

Que pena.

 

Ciclo

(árvore da vida céltica)

 

Se morrer antes de me entregar
total e absolutamente
a tudo a todos
se morrer antes de me desintegrar
cíclica e metodicamente
por tudo por todos
se morrer antes de me inventar
de novo e repetidamente
em tudo em todos

soprarei os despojos pelo ar
antes de me acabar.

Prémio

 

Pois é, gostaria de saber que raio acertou na cabeça do JF para se lembrar de me distinguir com este prémio. Para nossa tranquilidade e saúde, continuo a corrente com todo o gosto, agradecendo-lhe a leitura deste blogue.

E lá vão alguns dos blogues que, para além do que raio de saúde a nossa, saboreio diariamente:

Covém lembrar as regras:

  1. Este prémio deve ser atribuído aos blogs que gostamos e visitamos regularmente postando comentários
  2. Ao receber o selo é um blog bom sim senhora!! devemos escrever um post incluindo: o nome de quem nos deu o prémio com o respectivo link de acesso, a tag do prémio, a indicação de outros 7 blogs
  3. A tag do prémio deve ser exibida no blog

E pronto, segue mais esta dança. Obrigada a todos os que me visitam.

Voltar atrás

De novo o país entretém-se a apostar nas várias figuras emblemáticas do PSD, os D. Sebastião do costume, para as novas eleições no maior partido da oposição, que tinha encontrado o seu líder, de novo, há cerca de 7 meses.

Independentemente do valor que essas gratas figuras terão, intrínseco e simbólico, o PSD continua a viver das glórias do passado, mais precisamente do período áureo do cavaquismo.

O PSD deveria ser essencial ao debate político e ao país, pois as maiorias absolutas sem oposição ou alternativa credíveis empobrecem e descredibilizam a própria essência da vivência democrática.

Mas o recurso cíclico a figuras do passado é uma falsa fuga em frente. Não se volta atrás no tempo, nunca. A situação do país é diferente, as circunstâncias internacionais são diferentes, os protagonistas têm que ser diferentes. Parece a repetição de um erro clamoroso de José Sócrates ao lançar a candidatura de Mário Soares à Presidência da República.

Por outro lado, se é necessário que o PSD enfrente os seus mitos e os seus fantasmas, talvez seja indispensável que todas essas figuras finalmente se arrisquem a perder. Talvez assim surja algo de novo, refrescante e acutilante.

 

É urgente que algo aconteça.

O tempo dos abutres

 

Sete meses, foram só sete meses. O desmoronamento é total.

 

Alinham-se os eternos candidatos de bicos longos e curvos: António Borges, Mota Amaral, Santana Lopes, Passos Coelho, Aguiar Branco, Rui Rio, Manuela Ferreira Leite, Ângelo Correia.

 

A direita alimenta-se de si própria . E de vez em quando dá um ar a sua graça, ouvindo-se Paulo Portas com um ar sério e distinto, a dizer que o CDS quer tirar a maioria ao PS.

 

É risível e tristíssimo, o nosso quadro político , à direita e à esquerda.

 

Sócrates está para lavar e durar.

 

Luís Delgado, na SIC notícias, tenta transformar Luís Filipe Menezes num Cristo crucificado. Continua, de há 3 anos para cá, a dizer que quando a classe media estiver de rastos, quando perceber a horrível crise que aí vem, visto que está muito fragilizado, e todos perceberem quão mal está a situação económica, então aí sim, Sócrates começará a cair.

Sisters of mercy

 

Oh the sisters of mercy, they are not departed or gone.
They were waiting for me when I thought that I just can't go on.
And they brought me their comfort and later they brought me this song.
Oh I hope you run into them, you who've been travelling so long.

Yes you who must leave everything that you cannot control.
It begins with your family, but soon it comes around to your soul.
Well I've been where you're hanging, I think I can see how you're pinned:
When you're not feeling holy, your loneliness says that you've sinned.

Well they lay down beside me, I made my confession to them.
They touched both my eyes and I touched the dew on their hem.
If your life is a leaf that the seasons tear off and condemn
they will bind you with love that is graceful and green as a stem.

When I left they were sleeping, I hope you run into them soon.
Don't turn on the lights, you can read their address by the moon.
And you won't make me jealous if I hear that they sweetened your night:
We weren't lovers like that and besides it would still be all right,
We weren't lovers like that and besides it would still be all right.

 

(Leonard Cohen: sisters of mercy)

A Madeira e o Jardim

Alberto João Jardim soma e segue e continua. Mas isso já não me espanta. O desbocamento, a grosseria e o sentido de posse que tem do cargo que ocupa e para o qual tem sido sucessivamente eleito, valha a verdade, não é novidade. Mas ele ultrapassa-se sempre a si próprio.

O que também não é novo, embora não deixe de ser inédito, é o apoucamento que os mais altos representantes da nação aceitam desta personagem de opereta. Primeiro Jaime Gama, Presidente da Assembleia da República, depois os próprios deputados da Assembleia Regional da Madeira, que após um estremeção de ofensa não faltaram ao jantar solene oferecido ao Presidente, e por fim o Presidente da República que aceitou esta afronta ao país e a todos os cidadãos, ao regime democrático e à dignidade do cargo.

Alberto João Jardim recebeu na sua corte o Sr. Silva que, por acaso e lateralmente, é o Presidente desta República a que o Presidente Regional da Madeira transformou em bananas.

Adenda: vale a pena ler as declarações de Manuel Alegre e os posts de Medeiros Ferreira.

Dentro da vida

Não estamos preparados para nada:

certamente que não para viver

Dentro da vida vamos escolher

o erro certo ou a certeza errada

 

Que nos redime dessa magoada

agitação do amor em que prazer

nem sempre é o que fica de querer

ser o amador e ser a coisa amada?

 

Porque ninguém nos salva de não ser

também de ser já nada nos resgata

Não estamos preparados para o nada:

certamente que não para morrer

 

(poema de Gastão Cruz)

 

(pintura de Judith Goldstein: The Tree of Life and Death)

Campos

Os vivos sobrevivem, condição

simples de quem será sobrevivido

 

Olhando os campos verdes do inverno

é como se no escasso coração

 

da minha vida o sangue recebido

de quem antes viveu ficasse eterno

 

até à minha morte e, depois dela,

noutros sobreviventes esse rio,

 

não meu e meu ainda, perdurasse

E os campos, que não vela

 

nenhuma névoa humana, o mesmo rio

do meu sangue para sempre inundasse

 

(poema de Gastão Cruz)

 

(pintura de Carry Ackroid : Green Fields )