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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Liberdade de manifestação

As manifestações, contra ou a favor dos governos, são formas perfeitamente legítimas e democráticas de os cidadãos se exprimirem.

Por isso, as tentativas de intimidação dos que querem participar, ou dos que não querem participar são absolutamente intoleráveis.

Revista de imprensa

No Público de hoje, Pacheco Pereira pergunta se os professores estão dispostos a continuar a luta iniciada hoje, na rua, com uma greve dura, por tempo indeterminado; Vasco Pulido Valente acha que os professores não devem ser avaliados.

Curiosidades

Há uma curiosidade muito grande que eu tenho e que não sei como satisfazer:
  • quantos dos dirigentes políticos que estão contra estas reformas, esta ministra, que estão solidários com a revolta dos professores, que pensam que são necessárias reformas mas não estas, que já ocuparam cargos de responsabilidade política e técnica, desde os professores, aos dirigentes sindicais e políticos, comentadores e jornalistas, têm ou tiveram os filhos na Escola pública que esta Ministra tanto tem maltratado? E quantos os que estão de acordo com estas reformas?
  • por exemplo: José Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues, Valter Lemos, Jorge Coelho, Helena Roseta, Manuel Alegre, Ana Benavente, José Pacheco Pereira, Luis Filipe Menezes, Durão Barroso, Paulo Rangel, Santana Lopes, Helena Lopes da Silva, Francisco Louçã, Ana Drago, João Semedo, Maria José Nogueia Pinto, António Lobo Xavier, Nuno Melo, Paulo Portas, Mário Nogueira, Paulo Sucena....

Opiniões

Vale a pena ler este artigo de Teodora Cardoso, de que deixo aqui apenas o último parágrafo:


(através deste blogue)

Em marcha

À boleia da demissão de Correia de Campos, reuniram-se as forças mais conservadoras da sociedade, à esquerda, à direita e ao centro, para remar contra as indispensáveis reformas do sistema educativo.

Vale tudo, desde a desinformação até às teorias da conspiração em que não faltam polícias à paisana a indagar o número dos professores de uma determinada escola que irão à marcha da indignação.

De facto os professores deviam estar indignados com a falta de qualidade do ensino, com o absentismo, com a ausência de participação dos pais e encarregados de educação no processo educativo, com o desrespeito de que são alvo, com a falta de disciplina, com a falta de rigor, com a ausência de formação, com a falta de dignificação da profissão docente, com o as promoções automáticas, com a inadequação de muitos profissionais, com a falta de exigência, com a normalização medíocre, com a ausência de prémio a quem merece.

A Escola pública deveria orgulhar-se por poder recrutar os melhores professores, os mais empenhados, os que produzissem resultados medidos em melhores notas, aferidas por exames nacionais, em menor abandono escolar, na aprendizagem dos mais renitentes em comparecer, dos que mais dificuldades têm, a nível social e cognitivo, no salto qualitativo de quantos lhes passassem pelas aulas. Deveria ser exigente para com os docentes, pois só assim os discentes percebem a exigência para com eles.

A Escola pública é uma necessidade se quisermos reduzir as desigualdades sociais e as desigualdades de oportunidades, se quisermos que os cidadãos com menos recursos possam ter acesso à qualidade que todos merecem, para a integração das várias culturas de imigrantes, para a aprendizagem do civismo e da solidariedade. Mas com exigência, rigor e competência, com provas dadas, com permanente formação e avaliação, dos professores e dos alunos.

A minha marcha é a favor das reformas, do estatuto da carreira docente, de maior autonomia e responsabilização das escolas, de mais e melhor trabalho, de avaliações de desempenho, de promoções por mérito. Espero que José Sócrates honre o mandato que tem e mantenha no cargo a Ministra da Educação.

Lar, doce lar (2)

Reacções ao entrecosto que tão amorosamente fiz, que tão delicioso estava, no meu entender de conhecedora das lides culinárias mais sofisticadas:

  1. Em óbvia e franca alusão ao anúncio do Mastercard: 1500g de entrecosto - xxxx€; sumo de 3 laranjas - xxxx€; 3 colheradas de mel - xxxx€; 45 minutos no forno a gás - xxxx€; cara do filho mais velho a olhar para o cozinhado - priceless…
  2. Em óbvia alusão à incapacidade culinária da mãe (filho mais novo):
    - É um prato digno da Susan Harper

O melhor mesmo é trocar de filhos…

Lar, doce lar (1)

Para variar, hoje vou dar uma de dona de casa, esposa e mãe, preparando carinhosamente o jantar.

Já experimentei a receita, generosamente partilhada por uma colega muitíssimo mais prendada do que eu, de que gostei muito. Para dizer com franqueza, não percebi se os ruídos de aprovação dos comensais foram sinceros, ou se pretendiam ser apenas encorajadores, com um ar de this is a nightmare!

Bom, vou arriscar-me outra vez, para tirar a prova dos nove. É daquelas receitas muitíssimo fáceis de fazer, porque por muito que esteja virada para a profissão doméstica, isto é sol de pouca dura.

Então: vai-se ao talho e pede-se entrecosto, um bom bocado porque tem muito osso, cortado grosseiramente em pedaços jeitosos. Depois colocam-se num tabuleiro de ir ao forno, temperam-se generosamente com sal e regam-se com uma mistura de uma boa quantidade de sumo de laranja com mel (cada laranja grande tem direito a uma colher de sobremesa bem fornecida de mel). Para 1500 g de carne, sumo de 3 laranjas grandes e 3 colheres de mel. Hoje vou experimentar polvilhar de salsa fresca, para ver o que dá. Depois põe-se a assar no forno, em forno médio e vai-se espreitando para ver se está pronto.

Pode acompanhar-se com tudo: arroz, batata cozida, batata frita, puré de batata, de castanha, de maçã, pão e saladas à discrição.

Eu gostei muito. Experimentem. Vamos ver a cara do pessoal cá de casa, hoje.

Da Desonra

Ana Benavente ataca a Ministra da Educação apelando à sua demissão, pois pensa que Maria de Lurdes Rodrigues não honra o PS.

Os resultados do sistema e da política educativa das últimas décadas, entre as quais se conta Ana Benavente entre as responsáveis, estão à vista de todos e aparecem nos relatórios internacionais como se pode ver aqui.

Isso é que não honra o país. Nem os invertebrados que estão à frente de algumas escolas e que usam instrumentos de avaliação para fazerem censura política.

A Escola pública precisa de professores competentes que saibam avaliar e que sejam avaliados pelos resultados do seu trabalho. A Escola pública não pode ter alunos desocupados durante os tempos lectivos devido às faltas dos professores. A Escola pública permite reduzir a desigualdade entre os cidadãos se e só se for uma escola de excelência.

O desempenho dos professores, assim como dos médicos, advogados, gestores, administradores, governantes, de quaisquer trabalhadores, é a única forma de fazer a apologia do mérito. Todas as avaliações têm insuficiências. Mas mais insuficiente é não haver qualquer avaliação.

José Sócrates cedeu com o Ministro Correia de Campos. Convinha a quem tanto clamou contra o fecho e a reorganização do fecho das urgências, que comparasse o mapa de serviços de urgência anterior com o recente, já publicado.

É claro que já se pede a demissão da Ministra da Educação. Se a Ministra também for remodelada, acaba-se de todo a réstia de esperança que animou os mais ingénuos, como eu: que, com este governo, era possível fazer a diferença.

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