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Em vão

por Sofia Loureiro dos Santos, em 24.11.07
Em vãos gestos de alegria
suporto a certeza do mundo
numa teia apertada invisível
em lenta
rota
previsível.

(pintura de Christopher Le Brun: the speech of light)

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publicado às 15:59

Que contas são essas, Sr. Ministro?

por Sofia Loureiro dos Santos, em 22.11.07
A sustentabilidade financeira do SNS tem sido uma das bandeiras do ministro Correia de Campos para concretizar muitas das políticas de saúde a que temos assistido, nomeadamente a manutenção e alargamento do modelo Hospitais-Empresa.

A notícia veiculada pelos media sobre as questões levantadas pelo Tribunal de Contas, relativamente às contas do SNS de 2005 e 2006 são muitíssimo preocupantes e requerem urgente esclarecimento do ministro.

Se a seriedade das contas, da metodologia e da apresentação dos resultados é posta em causa, ou se demonstra que não há razão para tal ou quem deixa de ser sustentável é esta política de saúde.

Em que ficamos?

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publicado às 21:39

Maus hábitos

por Sofia Loureiro dos Santos, em 22.11.07
Durante o dia de ontem, desde manhã, que ouvimos, nas rádios, incitações para acarinharmos a selecção, pois se apoiássemos a selecção os jogadores teriam muita vontade de corresponder e dar alegria aos portugueses. Fomos lembrados pelo treinador Scolari, que devíamos vaiar o seleccionador e os jogadores finlandeses, independentemente do que a selecção fizésse.

Portanto, se quiséssemos ter um bom espectáculo, teríamos que mostrar à selecção quanto a amamos, para que ela, na sua infinita generosidade, se dignasse dar um bom espectáculo.

No fim de mais um jogo da selecção (de que só vi resumos), determinante para o apuramento da fase final do campeonato europeu, depois de os portugueses, obedientemente, terem apoiado a selecção, o jogo terminou empatado e, dizem os entendidos, ninguém vibrou com a qualidade.

Pois Scolari, no auge da sua importância, indignado pela falta das humildes criaturas que ousam dizer que Portugal não joga bem e que o apuramento foi sofrido, ofende-se enormemente e abandona a sala com estrépito.

Nós estamos, de facto, mal habituados, pois aguentamos estas notícias e estas estopadas todas, estas arrogâncias e estas prima donas, dando-lhes a importância que elas não merecem.

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publicado às 21:27

Infância

por Sofia Loureiro dos Santos, em 22.11.07
Onde estão o pião e o arco com que brincávamos,
o que foi feito do pátio e da casa enorme,
em que momento perdemos a inocência da infância?
O tempo era o nosso maior brinquedo
mas isso foi antes de termos relógios
e de sermos controlados por eles,
isso foi antes de termos agendas e calendários
para tornar os dias previsíveis e antecipados.
Inventávamos o mundo,
éramos cowboys, índios, marcianos,
podíamos ser tudo por sermos crianças
e não tínhamos imagens para nos aprisionar os sonhos.
Sabíamos talvez menos sobre as coisas
mas as descobertas eram nossas
e as sensações que tínhamos eram mais verdadeiras
porque não condiziam com as que vêm nos manuais.
Dizem que todas as infâncias são lugares mágicos
mas a nossa, por ser nossa e única,
tem uma magia que ultrapassa as palavras
e obriga-nos a libertar outra vez a criança
que o tempo submergiu neste nosso corpo das certezas.


(poema de José Torres; fotografia de Shirley Baker: street kids)

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publicado às 20:02

A Original

por Sofia Loureiro dos Santos, em 18.11.07
Bonnet de la liberté

Liberdade, igualdade, fraternidade.

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publicado às 22:29

Bóina de esquerda

por Sofia Loureiro dos Santos, em 18.11.07

Para quem não viu bem.

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publicado às 22:21

Cantos

por Sofia Loureiro dos Santos, em 18.11.07
Encontro cantos
esquinas neste espaço
curvas de tempo
por gastar.

Escrevo enquanto
me lembrar
dos olhos das mãos
do teu olhar.


(pintura de Rose Lynn: Eagle’s Nest & Blue Sky)

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publicado às 19:32

Como se brincava antes da PlayStation

por Sofia Loureiro dos Santos, em 18.11.07
Com o post anterior respondi ao desafio que me fez José Simões, do DER TERRORIST, sobre como se brincava antes da PlayStation (Com'eravamo, i giochi prima della PlayStation).

Éramos mais livres, aprendíamos com tentativas e erros, as nossas famílias confiavam mais na humanidade, em geral, e em nós, em particular. E nós confiávamos uns nos outros, só chamávamos os adultos em último caso. O mundo era o nosso reino e os pais, avós, enfim, as pessoas crescidas, só serviam para atrapalhar.

Passo esta corrente (mais uma) a outros cinco blogues:

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publicado às 18:10

Férias grandes

por Sofia Loureiro dos Santos, em 18.11.07
O Avô já tinha saído, aí pelas 5 da manhã, bem pela fresquinha, segundo ele. Até à Tapada eram uns 2 quilómetros a pé, por caminhos de terra que atravessavam a aldeia, onde homens e animais partilhavam os passos.

O Avô era muito poupado, aproveitando tudo o que a natureza dava, mesmo que fosse o desperdício de alguma natureza, como o estrume dos burros e dos cavalos, que ele recolhia religiosamente levando, tão precavido que era, uma pá e um saco para o depositar. Era para adubar a terra, dizia ele aos netos que lhe perguntavam, angélicos mafarricos, para que queria ele bostas de burro.

Eram os Cinco, todos os Verões, mesmo que o cão fosse a criança mais nova. Tendo entre os 12 e os 5 anos, caminhavam sozinhos de madrugada, durante cerca de 2 quilómetros, sem telemóvel, cotoveleiras ou joelheiras, sem água nem comida, sem adultos por perto, e ficavam a manhã inteira a subir aos cabeços, com sandálias escorregadias, a picarem-se nos cactos, a comerem fruta das árvores, cheias de pó, maduras ou verdes de mais, em quantidades industriais, a caírem e a ferirem os joelhos e as cabeças, a pegarem em lagartixas para se assustarem uns aos outros.

Não havia melhor coisa no mundo. As partidas de badminton no quintal, com a corda da roupa a servir de rede, os jogos de escondidas, em que o mais afoito e admirado por tal feito se escondia na pocilga dos porcos, pelo que ninguém o iria encontrar nunca, embora a retrete antiga, numa casinhota com aspecto infecto, e o galinheiro ou a coelheira, também fossem lugares a que poucos se arriscavam.

A adega e o forro, cheios de tralhas antigas, móveis estropiados, arcas em que os livros contavam histórias de um amor ridículo e proibido, como proibida era a leitura de qualquer livro que não fosse Uma família Inglesa, As pupilas do Senhor Reitor, As duas Mães e poucos mais, umas escadas imensamente perigosas, que rangiam horrores, não tinham corrimão e estavam às escuras, pregos ferrugentos, toneladas de pó branco e espesso, de muitos e muitos anos, que se viam pairando no ar, pela luz baça que entrava pelo telhado, uma enorme quantidade de perigos que eles adoravam e que ninguém parecia entender.

Abandonados à sua própria sorte mas inigualavelmente felizes.

(pintura de Andrew Macara: three boys with tyres)

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publicado às 18:02

Chapéus de esquerda

por Sofia Loureiro dos Santos, em 17.11.07

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publicado às 22:26



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