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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

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Estiquei todos os músculos, até ao limite do possível, após horas e horas de sono, encaracolado e profundo. Amanhã é dia de retomar viagens, caminhadas, físicas de quilómetros, mentais à velocidade da luz. Retemperar.

Para tanto não preciso de mais que dos braços que me esperavam, da cumplicidade de quem me quer. A vida é feita de partidas e gestos dolorosos, mas os reencontros reavivam a chama, movem mundos e abrem mares, que nos deixam voltar.

Granito

Gasto nos ombros
as forças tensas
do tempo a passar
por dentro de mim.

Com esforço inevitável
espreito hesito
na dor de continuar.
Estendo as mãos
em asas
pesadas como granito.
Ergo o corpo
ensaio o grito
preparo-me para voar.


(escultura de John Bernard Flannagan: The Early Bird)

O 1º de Maio

Comemorei o dia do trabalhador a trabalhar. Porque precisava, porque tinha que ser. Durante o caminho fui ouvindo várias frases desgarradas, várias considerações sobre o sindicalismo e os sindicalistas, sobre a relação entre os patrões e os empregados.

Desde que me lembro, o 1º de Maio enche-se de manifestações cuidadosamente programadas para lutar politicamente contra os governos, quaisquer que eles sejam. E desde que me lembro, os oradores são praticamente os mesmos, as frases praticamente as mesmas, as faixas, os cartazes, as palavras de ordem, os lamentos e as promessas de luta, tudo igual.

O mundo mudou e muda todos os dias. O problema do trabalho, ou mais precisamente da ausência dele, é dos maiores desafios que se colocam à sociedade que vamos construindo. O paradigma do trabalho para toda a vida acabou, há milhares de pessoas a quem é negado esse direito.

Para quem tem emprego, a insegurança dos postos de trabalho é cada vez maior e o uso que as entidades patronais fazem dessa insegurança é cada vez mais preocupante.

Tal como no início do movimento sindical, a mobilização dos trabalhadores em volta de associações que os protejam e os defendam é hoje uma necessidade avassaladora.

Mas não nestes sindicatos que avaliam a sociedade com os olhos de há 30 anos, não com estes sindicalistas que não conhecem o trabalho, as suas condições, a sua competitividade, a sua falta de ética, porque efectivamente são funcionários administrativos no seu próprio sindicato.

Rigor e a exigência devem ser a bandeira de quem diz defender os trabalhadores, a formação, a competitividade, os bons resultados, a exaltação do mérito. Só assim podem exigir exactamente o mesmo das direcções das empresas, dos directores dos serviços, dos patrões, dos ministros, dos governos.

Os sindicatos devem ser associações que dialoguem com seriedade e com verdade com os representantes do poder instituído, para que impeçam e denunciem as arbitrariedades que vão sendo cometidas, sem respeito nem preocupação pelo futuro das empresas e de quem lá trabalha.

É necessário um movimento sindical renovado, que defenda verdadeiramente o trabalho e lute por condições dignas numa sociedade em que as regras da solidariedade se vão esquecendo, e em que a lei parece estar sempre do lado do mais forte.

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