Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Pa(c)tos em marcha


Não há memória de rentrée política sem sugestões de pactos de regime, ou acordos entre governo e oposição. Desde a justiça, à economia, saúde e educação, já se propuseram acordos e pactos alargadíssimos e importantíssimos, sem os quais nenhuma reforma será possível!

Outro must são as marchas, corridas, maratonas, passeios e caminhadas em prol de qualquer grande e generosa ideia: o Bloco de Esquerda, que parece já ter perdido a capacidade de encantar os media, está a marchar pelo emprego! Talvez melhore as perspectivas de trabalho temporário dos massagistas e praticantes de podologia...

A falta de imaginação e de ideias a sério é confrangedora.

No entretanto, o PS prepara-se para desertificar tudo o que está à volta de Sócrates, reforçando o poder unipessoal e moldando o partido à sua imagem e semelhança, com os costumeiros yes-men, como Vitalino Canas, Pedro Silva Pereira e a inevitável inteligência parda de António Vitorino.

Irrelevâncias

Sempre me intrigaram os critérios editoriais dos jornais, muito pelo que escolhem ser notícia, mas também pela unanimidade e homogeneidade dessas escolhas.

Habitualmente no Diário de Notícias e no Público as notícias de capa são as mesmas, os desenvolvimentos semelhantes, enfim, a globalização até já globalizou as cabeças dos jornalistas. Hoje, para meu espanto, nos dois jornais, exactamente com a mesma fotografia, ocupando uma página inteira, um artigo sobre a demanda, pelos incontáveis herdeiros, da herança milionária de um comerciante de nome Manuel Vicente D'Anunciação, que morreu em 1899!!!

É de inquestionável importância a existência, ou não, da fortuna, dos herdeiros, verdadeiros ou falsos, da batalha judicial entre portugueses, brasileiros e ingleses, justificando-se plenamente o espaço e a relevância que dois matutinos de grande tiragem, com fama de seriedade, lhe dedicam.

Muitíssimo menos importante é o facto, noticiado há dois dias e nunca mais mencionado (dada a frivolidade e superficialidade do mesmo, quase a roçar o brejeiro ou mesmo o pornográfico, justificando plenamente a ausência de interesse jornalístico) de a REFER ter anunciado a intenção de rescindir o contrato com a Teixeira Duarte, na sequência do pedido, pela mesma, de prorrogação do prazo de finalização da reabilitação do túnel do Rossio para… 2011!!!

É claro que é uma infeliz coincidência ser a mesma Teixeira Duarte a fazer as obras do metro do Terreiro do Paço!

É claro que são de uma clareza virginal os critérios editoriais que resultam no esquecimento deste assunto irrelevante, nos media e também na blogosfera (com honrosas excepções).

O silêncio é de ouro!

Em que ficamos?


O governo socialista de Sócrates usa a comunicação social como caixa de ressonância distorcida dos seus objectivos políticos. Não está em causa se os fins são ou não meritórios. O que questiono são os meios.

Ao contrário da transparência que se exige numa democracia, com ou sem maioria absoluta, este governo ensaia as intenções reformistas deixando escapar para os jornais reflexões ingénuas, absurdas ou populistas, para assustar as corporações e conquistar a restante população.

Declaro desde já que sou militantemente a favor de reformas, que esperançosamente aguardo alterações de fundo em vários sectores profissionais, que os serviços públicos são para servir todos os cidadãos e não para resolver problemas de emprego aos seus funcionários. A saúde, a educação e a justiça são exemplos de sectores em que a necessidade de romper com o imobilismo, de alterar atitudes e rever os objectivos é urgentíssima. São também sectores em que se espera grande oposição corporativa, muitas vezes desleal e estapafúrdia.

Em maior ou menor grau, a sociedade anseia por alterações no seu modo de vida, às vezes pelo pior motivo, que é o desalento. Por outro lado o governo tem uma maioria absoluta parlamentar e uma oposição totalmente frívola, bacoca e agónica.

Por tudo isto parece-me totalmente desnecessário e de muito mau agoiro o jeito boateiro do governo, praticado por todos os ministros. Em relação às propostas de alteração da remuneração dos médicos hospitalares, às quais já me referi, e andando calmamente pela blogosfera, li um artigo de Correia de Campos, num site do Ministério da Saúde, em que não fala de perda da exclusividade (regime laboral que obriga a trabalhar apenas para uma entidade empregadora, neste caso o Ministério da Saúde) mas em que afirma ter enviado as referidas propostas aos sindicatos. Li notícias na imprensa e em blogues dando já como certa a alteração do regime de exclusividade e o início da negociação com os sindicatos. Mas o Sindicato Independente dos Médicos (Jornal virtual - Negociações ou Alzheimer? - de 25/08) assegura que não foi convocado nem recebeu nenhuma proposta para negociar.

Em que ficamos? Não havia necessidade…


(pintura de Johanna Leipold: Pinocchio)

Involuir


  • Ciência – scientia - conhecimento rigoroso e racional de qualquer assunto; conjunto organizado de conhecimentos baseados em relações objectivas verificáveis e dotadas de valor umiversal.
  • Crença – credentia - fé; lei religiosa; convicção.
  • Religião – religione - doutrina; sistema religioso; crença na existência de uma ou mais forças sobrenaturais.
  • Criacionismo – s. m., Filos., Teol. - teoria ou sistema que sustenta terem sido as espécies animais e vegetais criadas de forma distinta e permanecerem invariáveis (este sistema é oposto ao transformismo); no sentido metafísico e cosmológico, o termo criacionismo designa a concepção segundo a qual Deus produziu o Mundo do nada; no sentido psicológico, aplica-se à doutrina, adoptada pela Igreja Católica, que afirma que a alma de cada pessoa é criada por Deus e infundida no corpo, seja no momento da concepção, seja no estado embrionário do corpo.
  • Evolucionismo - s. m. - teoria que defende a existência de uma evolução das espécies das mais simples para as mais complexas, ao longo dos períodos geológicos; Filos. - concepção filosófica que explica a formação e o desenvolvimento do mundo físico e das espécies vivas, da consciência e da sociedade humana, por um processo de evolução contínua; transformismo.

Para além da política, o fundamentalismo vai passar a reger o conhecimento. Mais perigoso que o terrorismo islâmico é o terrorismo da ignorância e a ditadura da fé.

O método científico veio trazer liberdade e criatividade, veio trazer a liberdade de pensar, experimentar, demonstrar.

Esta é uma verdadeira ameaça à nossa concepção de sociedade livre, tolerante e ousada.

Será que nos espera outra Idade Média?

Pág. 6/6