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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Carolices

Causa-me grande espanto a polémica à volta das férias judiciais.

Em primeiro lugar estranho o próprio conceito de férias em determinados serviços públicos. As pessoas adoecem todos os dias assim como há assaltos, homicídios, cheques "carecas" e burlas todos os dias, porque nem as doenças nem os malfeitores fazem férias.

Assim, existem determinados serviços que não devem fechar para férias. É claro que quem presta esses serviços deve ter férias. Só que o próprio serviço não pode ser afectado. Portanto não percebo porque é que os juízes, magistrados, etc, não podem marcar férias, como o comum dos mortais, ao longo do ano, e de acordo com o interesse do próprio serviço.

Porque o direito a fazer 22 dias seguidos de férias não se pode sobrepor ao dever que os funcionários têm de assegurar a manutenção em funções de um determinado serviço. Por isso é que os mapas de férias dos funcionários são primeiro combinados entre eles e posteriormente têm que ser aprovados pelas chefias.

Quanto à carolice dos magistrados, ela é igual à carolice de todos os profissionais que gostam de trabalhar bem e que têm gosto na sua profissão. Mas se não podemos esperar isso dos magistrados, esperemos, pelo menos, que cumpram as funções pelas quais são pagos. E essas são, tal como em todas as profissões, trabalhar o melhor que sabem e podem, em todas as circunstâncias.

É isso que os Srs. Magistrados exigem das equipas de saúde que, durante as suas (dos Magistrados) férias, estão nos hospitais para os atenderem, ou às suas famílias, com profissionalismo, boa vontade e, quem sabe, até carolice

Café e jornal


A vida durante as férias é um acontecimento inesperado, porque as ruas, as casa, as lojas, as passadeiras, os condutores, os fumos, o calor e as sombras, se vêem do lado de fora do carro.

As lojas que abrem, a fruta a ser disposta de uma forma atraente, os apressados para o café matinal.

Eu posso saborear o jornal do dia, vagarosamente, olhar para o relógio e ver tanta tempo pela frente, ainda por preencher.


(pintura de Anthony Ulinski: cereal bowl and newspaper)

Teatros

Sinto-me um bocado desconfortável quando, mais ou menos inflamada, me insurjo contra acontecimentos ou declarações que são camuflagens dissimuladas para objectivos opacos.

Quando falo de Israel, Líbano, Palestina, das guerras e das encenações em que todos colaboram, dos actores principais aos directores artísticos e às produções, sinto-me uma tola espectadora, que está ainda à espera de Godot.

Adão e Eva


Deitados lado a lado
no ar amarfanhado do quarto,
silenciosamente abandonados,
paralelos na doçura
das roupas despidas.

Sem adornos nem palavras
nesta grandeza única
do acto de nos vestirmos
um do outro.



(Pintura de Christina Saj: Adam and Eve)

À espera


Continuamos todos à espera de um esclarecimento por parte da Sra. Ministra da Educação, sobre as razões da repetição das provas de exame a Química e a Física.

Entretanto afiam-se as facas há muito desembainhadas e aperta-se o cerco: providências cautelares (as sempre eternas) contra o Ministério da Educação, abaixo-assinados de milhares de professores, manifestações e protestos das Associações de Pais, e o que mais se verá!

Metamorfoses


Por este andar, Vítor Constâncio começa a parecer-se perigosamente com Santana Lopes. A retoma cada vez mais anunciada por eles, mas nós não vemos nada!

Será que Vítor Constâncio não precisa de mudar de lentes? As dele devem ser de aumentar!

Sem fronteiras


Por aqui vamo-nos entretendo com o calor, os exames, as férias, os incêndios. Levando a nossa vidinha, mais ou menos inha, lendo e vendo imagens de destruição a que já nos habituámos.

A banalização do terror e da violência deixa-nos quase indiferentes ao horror de se viver permanentemente ameaçado, fisicamente ameaçado.

Dentro das nossas casas com ventoinhas ou ar condicionado, persianas e cortinas, água canalizada e frigoríficos, é-nos totalmente impossível a abstracção do que será um bairro estilhaçado, a família e os vizinhos mortos, escombros em vez de ruas, sem padaria para comprar pão, sem cama para dormir, sem casa de banho, sem água, sem medicamentos.

À mesa de jantar estremecemos com as imagens, enquanto bebemos uma coca-cola, aplaudimos as declarações dos representantes dos governos, com ar condoído e preocupado, sem nos apercebermos das mães a quem morreram filhos, dos filhos a quem morreram mães, das vítimas desta e de outras guerras, das bombas e dos fanatismos, dos crimes em nome de deus, qualquer que ele seja.

A morte não respeita fronteiras e os filhos de Israel têm intestinos, cérebros e mãos como os filhos de Alá, de Jesus, ou dos homens apenas. Têm medo, e choram, amam e odeiam, adoecem e nascem da mesma forma, têm o sangue da mesma cor e a vida a uma distância de milisegundos de uma bala, de uma pedra, de uma bomba.

(Des)Informar

Vamos habituando os olhos a ler reportagens enviesadas, supostamente mostrando todos os ângulos da questão mas, mais ou menos subtilmente, manipulando, omitindo, dando realce ao que interessa a alguns.

É verdade que os jornalistas são pessoas e, portanto, com toda a legitimidade a defender um ponto de vista, uma ideia, uma fé. Até têm o direito de o fazer em editoriais.

O que já me parece menos claro é que todo um jornal defenda a mesma ideia ou, pelo menos, não publique artigos de opinião, não faça reportagens isentas, não mostre fotografias, não informe.

Vem isto a propósito da informação disponível no Público sobre o recente conflito entre Israel, a Palestina e o Líbano. É absolutamente avassalador o engajamento de José Manuel Fernandes a um dos lados (Israel), de tal forma que títulos, subtítulos e textos estejam compostos com o objectivo de formatar a reacção de quem lê.

Os israelitas matam, os libaneses (ou palestinianos) chacinam. Num dos títulos fala-se da cidade mais tolerante de Israel (Haifa) mas, se lermos o texto, não conseguimos perceber a que tolerância se refere o articulista nem em que critérios se baseia para o afirmar nem, tão pouco, o nome do próprio autor.

Ontem ouvi de passagem, num dos noticiários televisivos, uma intervenção de Zapatero condenando a atitude desmesuradamente bélica de Israel. O Público não se digna, sequer, referir estas declarações.

Melhor que eu, este post demonstra o que quero dizer. De facto ninguém é inocente.

Terrorismo de estado


Tenho, e sempre tive, um irresistível fascínio pelos judeus, pela sua diáspora, pelo seu martírio e pela capacidade de sofrer e regenerar que têm.

A sua chegada à Palestina e a fundação de Israel foi dolorosa, para eles e para os palestinianos, que se viram invadidos e espoliados da sua terra.

Nada justifica o terrorismo. Os palestinianos elegeram através de eleições livres, o Hamas. Por muito que doa, são eles, os terroristas, que representam o povo palestiniano.

Depois de declarações inflamadas a afirmar o contrário, o Hamas implicitamente reconheceu o direito à existência de Israel. Quando o mundo parecia respirar de alívio os israelitas, utilizando o pretexto do rapto de 1 soldado, resolveram deitar por terra todas as esperanças e, de uma forma totalmente descabida, desatam a bombardear a faixa de Gaza e agora o Líbano.

Qualquer tentativa de compreensão sobre esta escalada de violência, totalmente protagonizada por Israel, e que pateticamente algumas pessoas tentam justificar, como aconteceu no último “Expresso da meia-noite” (da SIC), é infrutífera.

Israel continua a fazer ouvidos de mercador ao coro internacional que, titubeantemente, o condena. Mas, o que fazer? Israel continua a contar com o apoio incondicional do EUA, naquilo que dizem ser a defesa contra o terrorismo. E como se defendem os palestinianos do terrorismo de estado praticado por Israel?