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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Timor


Estas casas de pedra de terra
estas meias de pele
estas ruas de fome de espera
estas mãos de nada.

Passos parados de sol
olhos fechados de luz
caminhos que faltam já tardam.

Desce a cortina das sombras
na cama de amanhã.

Cá estaremos ou não.



(pintura de Élio Oliveira: Timor Lorossae)

Lápis


Gosto dos lápis de carvão, dos lápis de cor e dos lápis de cera. Gosto da forma, da cor, do cheiro, do traço que vai nascendo pelos dedos, das sombras, dos cabelos, das letras, dos sóis dos meninos, das bolas, das caricaturas, das cartas de amor, dos palavrões.

Gosto mais de lápis do que de canetas, porque eles gastam-se ao nosso serviço, sacrificam-se e morrem por nós.

Quantas vezes foram eles a pagar as nossas angústias de contas por acertar, de caligrafias pouco ortodoxas, sendo trucidados e afiados sucessivamente, à procura da inspiração dos bicos, culpando as pontas já rombas do esforço?

Lápis de carvão, lápis de cor, lápis de cera Viarco: lindos, úteis, simples, nossos.

Contras sem Prós

Assisti ontem à maior parte do programa “Prós & Contras”. Foi uma tristeza.

Manuel Maria Carrilho (MMC) com tiques tresloucados e histéricos, voz desafinada e olhar alucinado, demonstrou à exaustão a sua petulância, arrogância, pedantismo e um ego desmesurado, atropelando as palavras de toda a gente, raiando a má educação.

A maior infelicidade é que eu até acho que MMC tem razão nalgumas coisas que diz. É verdade que há uma total desvirtuação das (poucas) mensagens dos políticos, protagonizada pelos jornalistas, que procuram o espectáculo e não a informação. É verdade que o poder dos média é quase incontrolável. É verdade que somos intoxicados por pretensas notícias sem que os jornalistas se tenham preocupado em percebê-las, explicá-las ou sequer confirmá-las, e que se repetem em todos os jornais, televisões etc, até gastarem a paciência de quem vê, lê ou ouve. É verdade que é quase um sacrilégio dizer-se que há mau jornalismo.

Mas parece que MMC só se apercebeu disso porque perdeu as eleições, não porque genuinamente o pense. Pelo contrário, tentou usar a comunicação social e saiu-lhe “o tiro pela culatra”. Para MMC a diferença entre estar em público e estar em privado, é que em público finge aquilo que não é.

Emídio Rangel, no papel de anjo virtuoso do jornalismo foi, simplesmente, risível.

Ricardo Costa, que é um dos jornalistas analistas, e cuja independência não é exemplar, enviou algumas mensagens pouco dignas, principalmente a Emídio Rangel, como por exemplo perguntar-lhe se tinha avisado Jorge Sampaio e Cavaco Silva de que estavam a ser filmados, num dos debates que fizeram. Mesmo que o não tenha feito não justifica um comportamento pouco ético da parte de Ricardo Costa. Mesmo assim, aguentou bem as inacreditáveis acusações de MMC.

Pacheco Pereira foi quem se saiu melhor, pedindo de imediato a MMC que provasse a compra dos jornalistas pelos tenebrosos agentes imobiliários, e desmascarando a total incoerência dos políticos que se servem da comunicação social e que depois dizem mal dela.

Fátima Campos Ferreira não soube manter a conversa ao nível da discussão sobre a democracia e os valores da liberdade e responsabilidade informativas, conduzindo-a para o reino da maledicência, o diz que disse, acusações não demonstradas, puxando as revistas cor-de-rosa e os episódios com Bárbara Guimarães para inflamar MMC. Foi vulgar.

Assim se deu mais um exemplo do que é um mau programa de informação: em vez de esclarecimentos tivemos um espectáculo de má qualidade.

Poesia premiada


Viagem

Não penses na rédea, na espora,
não penses nos cavalos que partiram num qualquer
outono,
não lamentes, não olhes para trás,
não queiras dar o seu a seu dono,
e vai,
vai simplesmente para sul, para o acaso de tudo,
e pelas noites brancas derrama uma lágrima,
uma lágrima de ouro.


Prémio de poesia da APE: José Agostinho Baptista.

Oscarzinhos

Ontem passei pela SIC e estava a dar a gala dos globos de ouro. Porque é que temos que imitar, em pequeno, pindérico e piroso, o que se faz nos EUA? A começar pela Bárbara Guimarães, com aquela forma tão explicada e tão soletrada de falar e de arrastar os erres?

Nuclearzinho

A pouco e pouco, com debates e opiniões lançadas e debatidas pela “entourage” de Patrick Monteiro de Barros, já se fala de um REFERENDO a propósito da construção de uma central nuclear.

A mim crescem-me os anticorpos a tudo o que diga respeito a esse senhor. A opção energética está a ser feita a reboque das ambições empresariais de uma pessoa que, inclusivamente, já anda a sondar câmaras municipais.

Qual será o preço que o país está disposto a pagar? Será que está disposto? Quais serão os responsáveis políticos que vão ter a coragem de assumir frontalmente essa discussão, dando a cara por ela?

O Sr. Engenheiro Sócrates, muito caladinho, anda a ver no que vão parar as modas. A conversa cheira a mentira, perdão, a inverdade.