Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Apesar de tudo

Apesar de tudo
temos o céu azul
e as árvores a chover folhas
castanhas e verdes.
Ouvimos os sons da vida
e, de manhã,
continuamos a respirar.

O Pacheco Pereira é madrugador e optimista. Levanta-se e olha lá para fora, e continua. A vida, apesar dos pesares, é bela.

António Barreto, mais uma vez, no seu melhor (jornal “Público” de hoje).

Bom domingo.

Livros


Entro na livraria. A porta é pesada, com vidros e madeira velha. O cheiro do papel ligeiramente poeirento invade-me. Olho a mesa central, com pilhas mais ou menos arrumadas, capas dispostas numa estética irreconhecível mas apetecida.

Amorosamente, pego nos livros, procuro o nome do autor, espreito a sua biografia, folheio, sinto a aspereza das letras impressas.

Fascínio e necessidade absoluta, mais do que de café ou cigarros, entro na livraria como numa catedral, num culto reverencial e absoluto, com a cadência dos fins de tarde e a inevitabilidade do caminhante.

(pintura de Van Gogh)

...


Notas dissonantes
Os teus cabelos brancos
O gole do amor

Ardem rugas insubmissas
Deito-me na tua pele
Desenho mãos

Entrelaço na cama
as tuas pernas
Respiro o teu sono

(pintura de Martin Bulinya)

...

Inqualificáveis as manifestações orais e escritas de ilustres deputados e militantes do PS, nomeadamente de Ana Gomes e Vitalino Canas. A primeira com um longuíssimo texto no Causa Nossa, a tentar demonstrar o que o segundo disse na Assembleia da República: que "Estão bem uns para os outros, os caricaturistas irresponsáveis e os fundamentalista violentos, ambos só podem ser alvo da nossa condenação”.

A tanto chegou a cobardia moral, o seguidismo e a cegueira do partido do governo.

Declaração Islâmica Universal dos Direitos Humanos

Fiquei a saber, através do herdeirodeaecio.blogspot.com, que também há uma Declaração Islâmica Universal dos Direitos Humanos.

Convém notar que, tal como é referido nas notas explicativas, tudo está sujeito à Lei, ou Chari’ah, o que pode fazer toda a diferença (o texto está escrito em português do Brasil).
(www.ljib.hpg.ig.com.br/declaracao.htm)


(…)
I – Direito à Vida
a. A vida humana é sagrada e inviolável e todo esforço deverá ser feito para protegê-la. Em especial, ninguém será exposto a danos ou à morte, a não ser sob a autoridade da Lei.
b. Assim como durante a vida, também depois da morte a santidade do corpo da pessoa será inviolável. É obrigação dos fiéis providenciar para que o corpo do morto seja tratado com a devida solenidade.
II – Direito à Liberdade
a. O homem nasce livre. Seu direito à liberdade não deve ser violado, exceto sob a autoridade da Lei, após o devido processo.
b. Todo o indivíduo e todos os povos têm o direito inalienável à liberdade em todas as suas formas, física, cultural, econômica e política – e terá o direito de lutar por todos os meios disponíveis contra qualquer infringência a este direito ou a anulação dele; e todo indivíduo ou povo oprimido tem o direito legítimo de apoiar outros indivíduos e/ou povos nesta luta.
III – Direito à Igualdade e Proibição Contra a Discriminação Ilícita
a. Todas as pessoas são iguais perante a lei e têm direito a oportunidades iguais e proteção da Lei.
b. Todas as pessoas têm direito a salário igual para trabalho igual.
c. A ninguém será negada a oportunidade de trabalhar ou será discriminado de qualquer forma, ou exposto a risco físico maior, em razão de crença religiosa, cor, raça, origem, sexo ou língua.
(…)
XII – Direito de Liberdade de Crença, Pensamento e Expressão
a. Toda a pessoa tem o direito de expressar seus pensamentos e crenças desde que permaneça dentro dos limites estabelecidos pela Lei. Ninguém, no entanto, terá autorização para disseminar a discórdia ou circular notícias que afrontem a decência pública ou entregar-se à calúnia ou lançar a difamação sobre outras pessoas.
b. A busca do conhecimento e da verdade não só é um direito de todo muçulmano como também uma obrigação.
c. É direito e dever de todo muçulmano protestar e lutar (dentro dos limites estabelecidos em Lei) contra a opressão, ainda que implique em desafiar a mais alta autoridade do estado.
d. Não haverá qualquer obstáculo para a propagação de informação, desde que não prejudique a segurança da sociedade ou do estado e que esteja dentro dos limites impostos pela Lei.
e. Ninguém será desprezado ou ridicularizado em razão de suas crenças religiosas ou sofrerá qualquer hostilidade pública; todos os muçulmanos são obrigados a respeitar os sentimentos religiosos das pessoas .
XIII – Direito à Liberdade de Religião
Toda a pessoa tem o direito à liberdade de consciência e de culto, de acordo com suas crenças religiosas.
(…)
Notas Explicativas:
1. Na Declaração dos Direitos Humanos acima, a menos que o contexto propicie de outra forma:
a. o termo "pessoa" refere-se tanto ao homem quanto à mulher.
b. O termo "Lei" significa a Chari’ah, ou seja, a totalidade de suas normas provém do Alcorão e da Sunnah e de quaisquer outras leis que tenham sido baseadas nessas duas fontes, através de métodos considerados válidos pela jurisprudência islâmica.
2. Cada um dos direitos humanos enunciados nesta declaração traz uma obrigação correspondente. Cada um dos direitos humanos enunciados nesta declaração traz uma obrigação correspondente.
3. No exercício e gozo dos direitos citados acima, toda pessoa se sujeitará apenas aos limites da lei, assim como por ela se obriga a assegurar o devido reconhecimento e respeito pelos direitos e liberdade dos outros, e de satisfazer as justas exigências de moralidade, ordem pública e bem-estar geral da Comunidade (Ummah). No exercício e gozo dos direitos citados acima, toda pessoa se sujeitará apenas aos limites da lei, assim como por ela se obriga a assegurar o devido reconhecimento e respeito pelos direitos e liberdade dos outros, e de satisfazer as justas exigências de moralidade, ordem pública e bem-estar geral da Comunidade (Ummah).
(…)

Guerra Santa



No chão uma cabeça
Na cabeça uma esquina
Na esquina uma pedra
Na pedra uma mão
Na mão um corpo
No corpo um anseio
No anseio a visão de Deus.

(pintura de Vajira Gunawardena)

Por causa do trabalho, não pude estar na Rua Castilho, em solidariedade com a Dinamarca. Sirva para o que servir, aqui declaro a minha solidariedade para com todos os que se sentem limitados nas suas liberdades.

É provavelmente verdade que todas estas manifestações estejam a ser manipuladas por alguns chefes fundamentalistas. Talvez seja verdade que o jornal dinamarquês é xenófobo.

Seguro é que a liberdade de expressão é um dos fundamentos da nossa civilização. O que virá a seguir?

Mercado criativo


POÉTICA (I)

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Aonde há espaço:
- Meu tempo é quando.

(poema de Vinicius de Moraes; pintura de Mary Ann Guliov)

“Mercado criativo” – foram palavras que ouvi Martim Avillez Figueiredo proferir, no fórum TSF.

“No caso da PT, a Sonae condiciona ainda o sucesso da OPA à alteração dos estatutos da operadora de telecomunicações e à restrição dos direitos especiais do Estado ou que este aprove o plano de reestruturação que será apresentado.” – Público online

“A Sonae manifestou ao Governo disponibilidade para manter a «golden share» do Estado caso consiga ter sucesso na Oferta Pública de Aquisição lançada sobre a Portugal Telecom, disse Paulo Azevedo na conferência de imprensa para apresentação da operação.” – Jornal de Negócios online

(Deve ser a criatividade do dito mercado, que se move e arrebita, em prodígios imaginativos!)

Lamentável

Ontem, no programa “Prós e Contras”, o Bispo Auxiliar de Lisboa, D. Manuel Clemente, no meio da sua prolixa argumentação, falando ininterruptamente sem dizer nada, brandiu a expressão “pensar bem”, a propósito da liberdade. Ou seja, há liberdade para quem pense bem. O que ele não explicitou, nem precisava, era qual a definição de pensar bem ou quem decidia da bondade do pensamento.

Ângelo Correia também se multiplicou na atitude de virgem ultrajada e indignada, relativamente ao horror perigoso que se estava ali a tentar demonstrar (Vasco Rato, entenda-se), confundindo uma infinidade de sensibilidades e culturas, e mais palavras politicamente correctas, penso que para agradar ao seu companheiro de lugar, o Xeque David Munir que, apesar de condenar as manifestações violentas, não permitiria a publicação dos "cartoons". Ou seja, ele tem direito a ficar ofendido, mas o cartonista não tem direito a publicar o que quer.

Inédito foi o facto de ter concordado, em várias ocasiões, com Vasco Rato, que, por norma, diz exactamente o oposto do que eu penso.

Lamentável a posição oficial do governo português, pela voz de Freitas do Amaral. É triste percebermos a falta de coluna vertebral de alguns países, como o nosso, tentando defender o indefensável.

Momento


Sinto-me tão bem, rodeada pelo murmúrio da música, manta nos joelhos e gozo pela noite, a bebericar um chá de rooibos, passeando pela blogosfera.

Hoje, os problemas do mundo não me afligem. Egocentricamente, absurdamente, humildemente saboreio este momento de deleite.

(pintura de C Zhong)

Declaração Universal (?) dos Direitos Humanos


Declaração Universal dos Direitos Humanos
(Proclamada pela Assembleia Geral da ONU a 10 de Dezembro de 1948)
Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo;
Considerando que o desconhecimento e o desprezo dos direitos do Homem conduziram a actos de barbárie que revoltam a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os seres humanos sejam livres de falar e de crer, libertos do terror e da miséria, foi proclamado como a mais alta inspiração do Homem;
(…)
Artigo 1°
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.
(…)
Artigo 18°
Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos.
Artigo 19°
Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão.
(…)