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...

por Sofia Loureiro dos Santos, em 23.01.06

Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
Ou metade desse intervalo, porque também há vida…
Sou isso, enfim…
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulho de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato.

(poema de Álvaro de Campos; pintura de Amadeo de Souza-Cardoso)

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publicado às 20:44

O dia seguinte

por Sofia Loureiro dos Santos, em 23.01.06
Muito já se disse e ainda se dirá sobre as presidenciais. Momentos de glória para alguns (Cavaco Silva, Manuel Alegre e Jerónimo de Sousa), de desânimo para outros (Mário Soares, Francisco Louçã e José Sócrates).

Não deixa de ser triste ler alguns artigos de opinião, nomeadamente aqui, na “blogosfera”, de apoiantes de Mário Soares, cuja ideia de democracia varia consoante ganham ou perdem os seus candidatos. As diferentes e imaginativas cambalhotas contabilísticas para reduzir a vitória de Cavaco são hilariantes.

No PS já começou o apontar de dedos. Ana Gomes concluiu que Manuel Alegre é um dos grandes responsáveis pela derrota da esquerda. Será só cegueira?

Vai ser muito divertido ouvir e ler as diversas análises e teorias da conspiração a propósito do resultado eleitoral de Manuel Alegre, das suas intenções (ocultas) ou das dos seus apoiantes.

Espero que haja colaboração (e não competição) institucional.

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publicado às 17:48

Portugal

por Sofia Loureiro dos Santos, em 22.01.06


O teu destino é nunca haver chegada
O teu destino é outra Índia e outro mar
E a nova nau lusíada apontada
A um país que só há no verbo achar

(poema de Manuel Alegre;
pintura de Julie Cobden)

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publicado às 22:46

Cavaco Silva: Presidente 2006 - 2011

por Sofia Loureiro dos Santos, em 22.01.06
Está eleito o novo presidente: Cavaco Silva.

Por pouco, por muito pouco (50,6%) poderia ter havido segunda volta. Mas por um voto se ganha, por um voto se perde. Neste caso ganhou Cavaco Silva, perdeu Manuel Alegre.

Todos se esforçam por descortinar acontecimentos futuros ao facto de Manuel Alegre ter ficado em segundo lugar, bem distanciado de Mário Soares. Pela primeira vez, muitos comentadores olharam para a sua candidatura independente como algo de importante no panorama político português.

E é de facto importante. Como disse Inês Pedrosa, foi a demonstração de que há vida para além dos partidos políticos, que um conjunto de cidadãos, por puro civismo, movimentaram esforços e vontades para apoiar um outro cidadão que, por mérito dele próprio, soube galvanizar esses esforços e essas vontades.

Não me parece possível, nem desejável, que se tirem conclusões partidárias da votação em Manuel Alegre, que se candidatou a Presidente da República, não a secretário-geral do PS ou a fundador de outro partido.

Também me parece que José Sócrates deve tirar as suas conclusões. Foi José Sócrates, antes da reunião da comissão política do PS, que decidiu apoiar Mário Soares. Gostava que José Sócrates reconhecesse ter errado na escolha do melhor candidato. De facto, como está demonstrado, Manuel Alegre seria o melhor candidato da esquerda.

Não posso deixar de referir a extrema “deselegância”, como lhe chamou Mário Bettencourt Resendes, ou o gesto anti-democrático, como lhe chamo eu, de Sócrates, ao fazer a sua declaração como secretário-geral do PS em cima da declaração de Manuel Alegre. Não lhe ficou mesmo nada bem!

Outra dúvida que também me assalta: será que Manuel Alegre tinha razão relativamente aos resultados da Eurosondagem? Desde há várias semanas que as sondagens indicavam o segundo lugar para Manuel Alegre, com excepção daquela. Neste momento e no mínimo, é uma empresa bastante desacreditada. Onde estava a DESCOLAGEM de Soares, também vaticinada por Jorge Coelho?

Apesar da homérica derrota. Mário Soares merece o meu respeito. Pelo que foi e pelo que fez por Portugal, mas também pela coragem de levar até ao fim as suas ideias.

Obrigada a Manuel Alegre, pela sua voz inconformada e inconformista, pela sua atitude não alinhada. Continuarei a contar com ele em todos os combates pelos valores da liberdade e da democracia.

À minha maneira, todos os dias continuarei a defender o meu Quadrado, o nosso quadrado.

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publicado às 21:08

Todos às urnas!

por Sofia Loureiro dos Santos, em 22.01.06
Vote-se nos velhos, nos novos, nos bonitos, nos feios, nos gordos, nos magros, com ou sem dentes... É preciso é votar!

Todos às urnas!

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publicado às 16:09

José Tavares e MIT

por Sofia Loureiro dos Santos, em 22.01.06
Ainda não percebi muito bem o que se passa com o “dossier” MIT.

Repentinamente, para os comuns ouvidores de notícias, o ex-coordenador do plano tecnológico, José Tavares, questiona o primeiro-ministro sobre a eventualidade da vinda do MIT para Portugal estar em causa, devido a divergências, dentro do próprio governo, relativamente às Universidades envolvidas no projecto. Afirmou ainda que havia um ministro (mas não disse qual, não percebo porquê) que se opunha à vinda do MIT para Portugal.

Após a agastada resposta de José Sócrates, muitas dúvidas ficaram no meu espírito.

Qual o objectivo do ex-coordenador do plano tecnológico ao trazer à baila este assunto? Será que, ao falar no projecto em perigo minimizou a possibilidade do mesmo ficar na gaveta, como deve ter acontecido a tantos, apenas por divergências, por vezes pouco abonatórias, entre os protagonistas políticos?

Todos temos a noção de que há alguns assuntos que são melhor tratados na discrição dos gabinetes do que sob os holofotes dos telejornais. Também todos sabemos que antes de se formalizarem acordos, projectos e tratados, há um sem número de contactos informais, cartas, faxes e telefonemas, dos próprios ou de colaboradores, preparando o terreno para a sua concretização posterior.

Será que assim foi o caso? Então qual a motivação de José Tavares? Despeito?

A falta de confiança nos nossos governantes é tanta que nos vêm à cabeça múltiplas possibilidades, nenhuma delas brilhante.

Gostava de ser esclarecida.

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publicado às 15:39

Votar sem boicotes

por Sofia Loureiro dos Santos, em 22.01.06

Os boicotes eleitorais são uma prática que se generalizou no nosso país. Todos os motivos são bons para os fazer, desde a ausência de estradas, centros de saúde ou, como parece ter sido o caso desta vez, o suposto esquecimento a que é votada uma Junta de Freguesia (Passos) que não tem a mesma cor política da respectiva Câmara.

Independentemente das razões que assistem a quem boicota (embora não pense que seja este o melhor meio de protestar, negando a própria essência da participação popular), uma coisa é boicotar o acto eleitoral, ou seja, não votar, não fazer parte da mesa, por falta de comparência, outra muito diferente é impedir activamente a abertura das assembleias de voto, destruir boletins, etc.

Estes últimos actos são ilegais. Portanto cabe ao Estado repor a legalidade, através dos corpos que existem para isso: PSP, GNR, etc. Num estado de direito e numa democracia ninguém deve ser impedido de votar. O boicote acontece por vontade própria dos cidadãos e não porque um grupo deles o impõe, recorrendo a meios ilícitos.

O que a mim me espanta é a complacência (ou mesmo conivência) de alguns dos nossos concidadãos e a cobertura mediática que é feita a este tipo de situações. Hoje, logo de manhã, acordei com a TSF a contabilizar os boicotes (sem boicotes nem há eleições que se prezem!) e a perguntar ao Presidente da Junta de Passos se já havia feridos nos confrontos entre os boicotantes e a polícia, mostrando-se este muito penalizado pelo facto de a polícia estar a tentar abrir, à força, a assembleia de voto.

Da mesma forma que a existência de piquetes de greve são atentatórias dos direitos civis dos cidadãos, penso que isto é um atentado aos seus direitos políticos e um atentado à autoridade do estado.

É claro que a autoridade do estado só é legítima se for exercida dentro dos limites da lei, ditados por uma sociedade civilizada. Não pode ser admissível o abuso da força e do poder pelas forças militarizadas, cuja função é primar pela nossa segurança.

Todos temos o direito de querer ou não querer votar, em segurança.

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publicado às 15:02

“À Manhã”

por Sofia Loureiro dos Santos, em 21.01.06
“a gente tem-se uns aos outros e mais nada…”

Um texto de ternura, solidão e carinho, os dois extremos da vida num espaço minimalista, quente e etéreo. Actores verdadeiros, luz e som na medida certa. Pequenos fragmentos estes, que nos reconciliam com a vida.
www.teatromeridional.net

(Teatro Municipal S. Luiz - Lisboa)

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publicado às 12:01

Declaração de voto

por Sofia Loureiro dos Santos, em 21.01.06
Defendo o quadrado. Podia ser o rectângulo ou o círculo, uma qualquer figura geométrica que pudesse desenhar a alma, a nossa alma, lusitana, ibérica ou global, a alma de quem vive na procura da felicidade.

Uma felicidade feita de momentos, de fragmentos de luz, dos sons de algumas frases épicas, ou das palavras murmuradas de quem nos ama. Uma felicidade conquistada todos os dias, um a um, mas com a certeza de que haverá sempre um amanhã, mesmo que já não seja nosso.

Defenderei sempre estes quadrados, em grandes ou pequenos formatos, infinito conjunto como infinitas são as almas.

(pintura de Brittany Branch)

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publicado às 11:38

...

por Sofia Loureiro dos Santos, em 18.01.06

Faltam 4 dias. É preciso votar. Como diz Manuel Alegre, não há vencedores antecipados. Todos devemos participar. As sondagens não são eleições, são apenas isso mesmo, sondagens. Não há nada nem ninguém que substitua o acto de votar. Depois logo se vê!

Amanhã estreia “À Manhã”, o novo trabalho do Teatro Meridional, escrito por José Luís Peixoto, encenado por Miguel Seabra e Natália Luíza, interpretado por Carla Galvão, Carla Maciel, Paula Diogo, Pedro Diogo e Romeu Costa.
O Teatro Meridional habituou-nos a um trabalho original e de grande beleza: “A noite de Molly Bloom”, “Macbeth. Uma Tragédia Ibérica”, “Qfwfq. Uma história do Universo”, “A Varanda do Frangipani”, “Geração W”, para citar apenas os que vi.

Corram todos ao Teatro Municipal de S. Luiz, (sala principal), às 21 horas.

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publicado às 17:43



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