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A pergunta

por Sofia Loureiro dos Santos, em 20.01.07
A discussão da IVG está bem lançada e todos os dias vão aparecendo novos blogues em que se debatem argumentos a favor ou contra. Alguns com contributos muitíssimo interessantes, mesmo para quem já está convertido.

A propósito é muito interessante ler o excerto da entrevista de Paula Teixeira da Cruz, no DN, assim como o artigo do Prof. Jorge Miranda no Público (só disponível online para assinantes), que defendem opiniões contrárias.

Parece-me perigosa a tese de que a votação neste referendo possa, de alguma forma, espelhar o sentimento dos cidadãos relativamente à governação. É uma falácia que os defensores do “não” podem usar como recurso a uma tentativa de ganhar adeptos.

Toda a discussão filosófica sobre a vida humana e a pessoa humana, quando começa ou quando adquire a forma, é muito interessante mas pode desviar-nos do objectivo deste referendo e da pergunta que vai ser respondida e que se refere apenas à despenalização da IVG até às 10 semanas. Independentemente do que cada um de nós pense sobre a IVG, o que está em causa é saber se queremos que uma mulher que a pratique seja condenada a prisão. Ao contrário do que diz o Prof. Jorge Miranda, não se liberaliza, apenas se despenaliza. Como diz Paula Teixeira da Cruz: Fala-se na liberalização do aborto mas liberalizado está ele agora porque não há regras, há um mercado clandestino e paralelo.

A resposta à pergunta do referendo não tem a ver com opções políticas nem deve ser fruto de alinhamentos partidários. E todos os cidadãos, independentemente dos cargos públicos que ocupem, das funções de estado que exerçam, têm o direito de se manifestarem e de divulgarem a sua opinião.

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publicado às 15:33


4 comentários

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De Sofia Loureiro dos Santos a 20.01.2007 às 21:10

São, eu não o teria dito melhor: subscrevo e aplaudo!
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De São a 20.01.2007 às 20:18

Sofia
Estou inteiramente de acordo consigo e considero que é importante que no dia 11 deixemos de fingir que a realidade não existe e encaremos os factos para, definitivamente, despenalizar as mulheres. Quando se argumenta que as mulheres que praticaram I.V.G. ficaram psicologicamente afectadas, recorrendo por vezes ao suicídio, o que dizer da carga psicológica acrescida quando se vêem obrigadas a utilizar a clandestinidade e pessoas cujo objectivo é ganhar dinheiro, sem terem os recursos necessários que tal operação implica? Não será ainda mais arrasador?
Vou votar SIM!
Desejo entretanto, como todos nós, que no nosso país se criem condições para, tanto em casa como nas escolas, existir a capacidade de ensinar uma sexualidade saudável que conduza os nossos filhos a enfrentar, sem medos, a opção de ter filhos ou não. Neste aspecto, a Igreja também poderia evoluir aceitando uma contracepção realista e, finalmente, que o Estado (com legislação adequada) e as empresas (não preterindo as mulheres) permitissem aos casais ter filhos com dignidade.
Como é óbvio, as pessoas que, como eu, irão votar sim, não se desumanizaram: pessoalmente, também penso em vidas humanas, nomeadamente nas crianças que morrem por maus tratos (fisicos ou psicológicos), fome ou guerra. Esses já sentem, já sofrem; só não entendem o que lhes está a acontecer!
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De Sofia Loureiro dos Santos a 20.01.2007 às 18:14

Muito bem observado, Impaciente. Respeito muito o Prof. Jorge Miranda, mas não estou de acordo com ele. E concordo consigo que se passa sempre um atestado de menoridade às mulheres.
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De impaciente a 20.01.2007 às 16:43

Quando um Prof. como Jorge Miranda “confunde” liberalização com despenalização... algo está MUITO errado!

Esgrimam-se argumentos falaciosos para uma questão que, reduzida à expressão mais simples, pode ser colocada nestes termos:
Se a IVG fosse um problema prioritariamente masculino alguém acredita que tivesse saído da AR sem solução?

Passa-se assim um atestado de menoridade às mulheres... algo que a Igreja também abençoa, desde sempre, sem qualquer movimento que, no seu interior, conteste tal prática! E, depois, venham apresentar argumentos contra a descriminação da Mulher, como se fizessem algo para a combater!

Talvez o exemplo de Simone Veil, em França, se tenha perdido nos meandros da democracia...

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