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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Pequenos silêncios

Verdadeiro dia de recolhimento, de ronronice na cama, de gestos lentos e apreciados. A luz do Inverno inunda as janelas, dá vontade de nos aquecermos, uns com os outros, uns aos outros.

Café a fumegar na sala, sentados calmamente a saborear os despojos da noite, folheando gulosamente os livros que secretamente desejávamos, apreciando os pequenos cartõezinhos com ingenuidades simpáticas. Olhando para as receitas com sabores orientais, provando uma ginginha de “reserva 2006, marca registada P.M”, cheirando as folhas de um chá especial, uma colherada de doce de abóbora com amêndoas, nozes e versos, acariciando os nossos pais, os nossos filhos, os nossos amores, os nossos amigos, todos dentro deste casulo a que chamamos casa, a que chamamos alma.

Este é o dia de recolha de pequenas frases, pequenos silêncios, pequenas ausências, algumas que doem com uma dor longínqua e meio doce, outras mais presentes e mais amargas, este é o dia em que na solidão dos nossos dedos podemos dizer o quanto amamos.

(pintura de Vieira da Silva)

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