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Projecto

por Sofia Loureiro dos Santos, em 28.10.06




Na reprodução humana um zigoto é uma célula resultante da união entre dois gâmetas: um óvulo (feminino) e um espermatozóide (masculino). Esta célula (ovo ou zigoto) após várias divisões celulares, resulta num embrião, estádio em que o corpo formado é pluricelular e se diferencia nos vários tecidos e órgãos necessários a um novo indivíduo. Este período, a embriogénese, dura 8 semanas, contadas a partir do momento da fecundação (união física do óvulo com o espermatozóide)*.

A seguir a esta fase, inicia-se um período de desenvolvimento intra-uterino (cerca de 30 semanas) em que o novo indivíduo, o feto, cresce e matura os tecidos e os órgãos, até que os mesmos assegurem a sua sobrevivência de uma forma autónoma, fora do útero materno.

O ovo é uma célula que transporta em si uma informação genética e um potencial de desenvolvimento único e irrepetível, que pode resultar num ser humano, caso todas as outras etapas sigam o seu curso e não sejam alteradas. Assim, é um projecto, ainda não concretizado, de um ser humano, da mesma forma que qualquer outra célula de um indivíduo, também pluripotencial e com a totalidade da informação genética, pode ser considerada um projecto de ser humano, neste caso idêntico (geneticamente) ao indivíduo dador da célula.

Se reduzirmos a argumentação do início da vida ao absurdo, chegaremos rapidamente à conclusão de que qualquer operação cirúrgica ou, mais prosaicamente, o simples acto de cuspir, ao inutilizar (ou matar) vários milhares de células pluripotenciais, é um homicídio, mesmo que involuntário.

Mais do que a evidência científica de quando se deve considerar o início de uma vida humana, se na sua concepção, se durante a embriogénese, o que cada um de nós deve resolver consigo próprio, é se um projecto de vida, único e irrepetível, deve ser levado até ao fim.

Essa responsabilidade pode ser partilhada mas, em última análise, é sempre individual e intransmissível, como individual e intransmissível é, até aos dias de hoje, a experiência da gestação e do parto.

Por isso a despenalização da interrupção voluntária da gravidez é a aceitação de que cada um de nós, com a sua genética, com o seu corpo, com a sua educação, com a sua cultura, com o seu ambiente amoroso, familiar e social, deve assumir essa responsabilidade que, como em todas as circunstâncias em que algo de seminal se trata, é total e dolorosamente solitária.

*Como, na maior parte dos casos, não é possível saber com segurança, a data exacta da fecundação, o tempo de gestação é contado a partir da data da última menstruação, o que resulta num aumento de 2 semanas – a ovulação dá-se mais ou menos 2 semanas depois do início da menstruação.

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