Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Clandestina


Neste amolecimento quotidiano
alimento os cofres clandestinos,
estico as bandeiras do silêncio,
aguardo o abanar das fibras.

Nesta penumbra de nós enredados
aliso os lençóis. Pesa-me o sono,
alonga-me a noite de sussurros,
mil olhos que transpiram sinais.

Folheio o catálogo das emoções.
Mais tarde decido quais as gotas
De dor e desvario, de intenso amor
que liberto destas secretas prisões.


(pintura de Manel Lledòs: segredos)