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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Palimpsesto de Arquimedes

Palimpsesto é um termo que deriva do grego παλίμψηστος (πάλιν - de novo; ψάω- riscar) ou seja, um pergaminho ou um manuscrito que é apagado e reutilizado.

Num manuscrito do século XIII, um livro de orações, com 348 páginas, muitas delas muitíssimo degradadas e impossíveis de ler, vendido num leilão (nada mais do que o Christie’s, em Nova Iorque, em 1998, por 3 milhões de dólares) a um coleccionador americano, que o depositou no The Walters Art Museum de Baltimore, em Janeiro de 1999, foram descobertos textos de Arquimedes, mais precisamente o Códice C, e outros textos de Hyperides, um orador do século IV a.c.

Arquimedes, um filósofo grego que viveu no século III a.c., deixou uma enorme e importantíssima herança nos campos da matemática, da física e da astronomia. Alguns dos seus escritos, nomadamente o Códice C, tem andado perdido e achado ao longo dos séculos, parecendo estar escondido neste livro de orações.

A prática era a reutilização dos pergaminhos, feitos com pele de animais e, portanto resistentes às “lavagens” com sumo de limão ou leite, à esfrega com pedra e lavagem com areia, a fim de apagar o que estava escrito. Assim terá acontecido com este manuscrito que, depois de sofrer este tratamento de limpeza, terá sido reescrito como livro de orações.

Conhecido como Palimpsesto de Arquimedes já desde o princípio do século XX, só a partir de 1999/2000 tem sido estudado com todas as técnicas mais avançadas de imagem e de detecção de metais (para detectar a tinta já apagada), estando a evidenciar-se os textos antigos.

E parece que mais completas interpretações dos trabalhos de Arquimedes estão a surgir, nomeadamente um jogo para crianças (Stomachion) do tipo do Tangram, em que existem 14 formas geométricas que se podem conjugar para formar novas formas. No entanto, parece que o desafio de Arquimedes poderia ser mais específico: de quantas formas se poderiam combinar 14 triângulos para fazer um quadrado? Isso poderia significar que os gregos já se interessariam pela análise combinatória (um dos ramos da matemática).

Estes novos detectives que estudam a antiguidade ajudam-nos a perceber algum do percurso da humanidade, espantando-nos a nós dependentes das novas tecnologias, com a capacidade de pensar e descobrir dos nossos antepassados, mesmo não tendo computadores nem Internet!

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