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Família(s)

por Sofia Loureiro dos Santos, em 14.04.24

Isabel miramontes.jpg

Isabel Miramontes

Abraçar alguém, homem ou mulher ou qualquer dos géneros alternativos, grande, pequeno, escuro, claro ou às cores, de qualquer nacionalidade, ter alguém que amamos, alguém que beijamos infinitamente.

Ter momentos em que nos juntamos, rimos ou sofremos, apoiamos ou discutimos, de felicidade, raiva, estremecimento ou distanciamento, ter alguém de pequenino que nos olha e apreende, que nos cheira, com o corpinho morno junto ao nosso, que nos dilata e preenche o coração, que nos inunda de ondas de amor.

O amor, sempre o amor. Amar alguém é a nossa mais preciosa característica, e não a temos que justificar a ninguém.

Família é a que temos, biológica ou não, constituída por aqueles que escolhemos, sejam quem forem, de onde forem, como forem, estejam aonde estiverem, melhor bem junto a nós.

E ninguém tem absolutamente nada a ver com isso.

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publicado às 10:52

O ar dos tempos

por Sofia Loureiro dos Santos, em 13.04.24

Womens-Rights-Pioneers-Monument_Meredith-Bergmann_

Women’s Rights Pioneers Monument

Meredith Bergmann

 

É pesado.

Vamos assistindo àquilo que considerávamos valores universais, de civilização, civismo, direitos, liberdade e garantias, no sei de um mundo que se ia desenvolvendo.

Mas não. Nos EUA, preparam-se novas proibições às leis do aborto. Por toda a Europa, o revivalismo, o reaccionarismo e a forma despudorada com que se tem ouvido cada vez mais gente a defender o retrocesso a ideias ultramontanas, sendo muito difícil fazer frente a essa situação.

Não é o facto de as poderem defender que está em causa. A democracia é isso mesmo. Mas a descoberta de que há tantos a defenderem estatutos de dona de casa, a sensibilidade maior da mulher, papéis distintos para homens e mulheres reescrevendo tudo o que se passou nos últimos 100 anos, já não digo 50 anos, a lavagem cerebral quanto ao que apelidam ideologia de género, a obrigatoriedade de seguir padrões comportamentais e ideológicos, a negação da pluralidade de soluções e de vontades de afectos, é assustadora.

Por outro lado, ao fim de 2 dias de discussão do programa do governo, descobrimos que a promessa da redução do IRS feita pela AD era, pura e simplesmente, mentira, descarada e saloia, é deprimente.

São ares dos tempos.

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publicado às 12:06

Boas notícias

por Sofia Loureiro dos Santos, em 06.04.24

grupo paralamentar ps.jpg

Público

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publicado às 14:44

Domingo de Páscoa

Prosas Bíblicas - Livro 1

por Sofia Loureiro dos Santos, em 31.03.24

prosas biblicas 1.jpg

 

30.

 

Empapamos de suor

Os lençóis da juventude

Com a fé e o ardor

Dos profetas da virtude

 

Entrelaçamos de dor

Os dias de vastidão

Enterramos o bolor

Que cresce na solidão

 

Aprendemos o caminho

Nas noites de agonia

Senhor mostra-me o carinho

Com que derretes o dia

 

Maria Sofia Magalhães

Prosas Bíblicas

Pág. 42

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publicado às 12:13

Stabat Mater dolorosa

por Sofia Loureiro dos Santos, em 30.03.24

Philippe Jaroussky & Julia Lezhneva

Stabat Mater dolorosa - Pergolesi

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publicado às 11:40

Sábado de Aleluia

Prosas Bíblicas - Livro 1

por Sofia Loureiro dos Santos, em 30.03.24

prosas biblicas 1.jpg

11.

 

Vou plantando incertezas

Entre caminhos escuros

Arrancando asperezas

Construindo alguns muros

 

Solto os cães dentro de mim

Que guardam o vento leste

Mastigam num frenesim

A marca que me fizeste

 

O tempo já corroeu

A divina tatuagem

Senhor agora sou eu

A refazer a viagem

Maria Sofia Magalhães

Prosas Bíblicas

pág. 23

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publicado às 11:14

Bloqueio Institucional e político

O Chega que já chegou

por Sofia Loureiro dos Santos, em 27.03.24

Parlamento.jpg

Dignidade

 

O dia de ontem, na Assembleia da República, foi o início de uma caminhada para o abismo na credibilidade e na qualidade dos trabalhos parlamentares.

Tudo foi mau: modos, atitude, grosseria e, mais grave que isso, o total desrespeito pelo papel dos deputados e do Parlamento. A globalização do Trumpismo, do achincalhamento, da falta de sentido de Estado e de Serviço Público ficou bem patente com as decisões e contra-decisões dos deputados do Chega. Excepção foi a dignidade com que António Filipe conduziu os trabalhos.

Será o mote para uma legislatura de bloqueio. Até às próximas eleições.

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publicado às 17:07

Le Chant des partisans

por Sofia Loureiro dos Santos, em 24.03.24

Le Chant de partisans

 

Ami, entends-tu le vol noir des corbeaux sur nos plaines?

Ami, entends-tu les cris sourds du pays qu’on enchaîne?

Ohé ! partisans, ouvriers et paysans, c’est l’alarme!

Ce soir l’ennemi connaîtra le prix du sang et des larmes…

 

Montez de la mine, descendez des collines, camarades

Sortez de la paille, les fusils, la mitraille, les grenades…

Ohé ! les tueurs, à la balle ou au couteau tuez vite!

Ohé ! saboteur, attention à ton fardeau… dynamite!

 

C’est nous qui brisons les barreaux des prisons pour nos frères,

La haine à nos trousses et la faim qui nous pousse, la misère…

Il y a des pays où les gens au creux du lit font des rêves

Ici, nous, vois-tu nous on marche et nous on tue, nous on crève…

 

Ici, chacun sait ce qu’il veut, ce qu’il fait quand il passe…

Ami, si tu tombes un ami sort de l’ombre à ta place.

Demain, du sang noir séchera au grand soleil sur les routes.

Sifflez compagnons, dans la nuit la liberté nous écoute…

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publicado às 20:55

Domingo de Ramos

Prosas Bíblicas - Livro 3

por Sofia Loureiro dos Santos, em 24.03.24

Giotto_domingoramos.jpg

Giotto di Bondone

Cenas da vida de Cristo – Entrada em Jerusalém

Cappella degli Scrovegni

 

14.

 

Falareis da rosa como se soubésseis de espinhos

Cuidareis dos filhos para que morram sozinhos

Carregareis as pedras com que fareis os caminhos

Servireis a fome que alimentais de carinhos

 

Mas a cova que vos espera será de lama

Mas o templo que vos tenta será de vento

Mas o tempo que vos gasta será a chama

Que do espaço vos devora sem um lamento

 

Maria Sofia Magalhães

Prosas Bíblicas – Livro 3

Pág. 74

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publicado às 17:18

Portugal e a Europa

e agora?

por Sofia Loureiro dos Santos, em 22.03.24

eleicoes portugal 2024.JPG

Depois de umas eleições resultantes da combinação de um golpe de estado judicial e de uma decisão pouco compreensível do nosso Presidente que, durante um ano, andou a ameaçar demitir o governo do PS, suportado numa maioria absoluta (para além de Mário Centeno, António Costa sugeriu 3 nomes do PS para formarem governo - António Vitorino, Carlos César e Augusto Santos Silva), temos uma constelação de instabilidade.

O Chega conseguiu 50 deputados. Não partilho do coro condescendente de quem justifica o voto no Chega com a zanga ou o protesto. Pode protestar-se de muitas formas. Mas quem vota escolhe e, para escolher, tem a obrigação de ouvir e ler. No caso do Chega basta ouvir o que dizem, principalmente André Ventura, mas não só. E o que dizem é assustador.

O PS teve uma derrota eleitoral, grande se olharmos aos resultados de 2022. Mas após o ano horribilis que teve, com tanto disparate, a governar desde 2015, o mais espantoso é não ter tido uma muito maior diferença para a AD.

A AD tem uma tarefa espinhosa pela frente. Ainda mais quando é torpedeada por gente que escreve cartas a pedir a Luís Montenegro que faça o contrário do que prometeu.

Mas o que mais me preocupa são as eleições americanas. Se Trump as ganha a Europa deixará de ter quem a defenda. Nada disso foi discutido.

eleicoes americanas.JPG

Estará Portugal preparado para as consequências dessa eventualidade? Com a extrema-direita cada vez mais poderosa em toda a Europa, para além de Trump, estaremos a chegar à beira da generalização da guerra?

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publicado às 16:26


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