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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Um dia como os outros (173)

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(...) Acho que só os tolos é que não olham à sua volta e não reintegram uma realidade na sua obra. O acto artístico é sempre um acto de reflexão. (...)

 

(...) Vivemos tempos de uma grande instabilidade. Não são os tempos dos anos 30 e 40, quando a nossa Europa sofreu aquela guerra horrível, mas são tempos de angústia e de medo. (...) Recentemente, nos tempos em que o nosso país foi ocupado pela troika, vivemos uma tristeza colectiva muito grande, foram tempos de apreensão e de grandes dramas pessoais. Neste momento, acho que estamos a viver um tempo, não digo bom, mas de esperança. (...)

 

(...) Aquilo que se passa com os refugiados é das situações mais dramáticas que se pode viver. A pessoa perde os bens pelos quais lutou durante toda uma vida, para ter algum suporte e dignidade, e perde também um bocado da sua identidade e do seu chão. Custa-me ver o que a nossa Europa está a fazer aos refugiados, que vêm de países em guerra ou de países onde há fome ou onde se pratica um verdadeiro genocídio. A Europa tem uma resposta muito fraca e muito cobarde perante esses seres humanos. (...)

 

(...) O dia-a-dia pode ser muito violento. Como artista, sinto muitas vezes que as forças se combinam para lutar contra um estado de criação, contra um estado de pensamento e contra um estado de reflexão, porque o dia-a-dia é, realmente, duro. (...)

 

(...) Mas gosto imenso de viver na aldeia porque na aldeia não tenho compromissos, e eu gosto de viver sem compromissos, vou cada vez menos a eventos sociais, cansa-me a superficialidade dos convívios, gosto de viver só com os amigos e com a família. (...)

 

(...) O facto de as pessoas visitarem cada vez mais exposições pode ter que ver com a necessidade de procurarem uma dimensão mais espiritual, até mais misteriosa, para a vida. Acho que as pessoas encontram, nessa visita aos museus, uma dimensão que antes encontravam nas igrejas, a dimensão do sagrado, essa dimensão que todos precisamos porque somos mais do que carne, somos espírito. Precisamos do encontro com a criação e alguém que vê uma manifestação de arte também começa a criar. (...)

 

(...) Ter alguém que nos fala com verdade é, realmente, uma grande sorte.

 

Graça Morais

Um dia como os outros (172)

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 (...) Nos media, em relação a este caso, Lobo Xavier é descrito como amigo de Domingues e conselheiro de Estado, mas fica sempre esquecido o facto do Lobo ser administrador executivo do BPI. Parece estranho ser um administrador do BPI, concorrente directo da CGD, a ter acesso aos SMS de um ex-presidente da Caixa e a fazer o papel de defensor da ética. Parecendo que não, o indivíduo que traçou o plano da CGD e que trabalhou no BPI, troca e revela SMS sobre a Caixa com Lobo Xavier, administrador do BPI. Já vi toupeiras com menos dioptrias.

 

Tenho a curiosidade aos saltos e gostava de saber durante quanto tempo o doutor Domingues andou a trocar mensagens com o administrador do BPI, desde quando e o que lhe revelou. O meu ADN de porteira começa logo a latejar e fico cheio de vontade de conhecer as SMS trocados entre Domingues, ex-administrador da CGD, e Lobo Xavier, administrador do BPI, ex-banco de Domingues. Aposto que há smiles. (...)

 

João Quadros

Um dia como os outros (171)

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(...) Na verdade, o que a direita não suporta é que Centeno tenha provado que era possível trilhar outro caminho económico, com menos sacrifícios para os portugueses, e mesmo assim conseguir reduzir o défice para valores historicamente baixos, o mais baixo em 42 anos de democracia, coisa que a direita nunca conseguiu até agora. O que a direita não perdoa a Centeno é que tenha conseguido fazer isto colocando a economia a crescer um pouco mais do que se esperava, com o regresso do investimento, a subida das exportações, a melhoria do clima económico e do indicador de confiança.

 

É por isso que a direita quer abater Centeno. O homem tem um belo cartão de visitas para apresentar cá dentro e lá fora, junto dos seus parceiros do Eurogrupo. E o que importa ao país não são seguramente os sms que trocou com Domingues mas os resultados económicos das suas políticas. Para já, os segundos estão a ganhar por 10-0 aos primeiros.

 

Nicolau Santos

Um dia como os outros (170)

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(...) Um dia, depois desses dias que me formaram, hoje, eu dei-me conta de que um homem que varreu os adversários do seu partido amesquinhando-os, que apoucou deficientes, que rebaixou o heroísmo autêntico na guerra de um correligionário seu (ele, que para fugir dessa mesma guerra pretextou doenças que não tinha), que se me apresentou, em palcos públicos, sem compaixão por pais que perderam o filho, que achincalhou as doenças, verdadeiras ou inventadas por ele, da adversária, que levou a humilhação como a arma principal da luta política, um dia, dizia eu, vou ver esse homem a tomar o poder mais poderoso do mundo. Contra ele recuso-me, neste dia, a discutir as ideias dele, políticas, económicas ou ecológicas. A partir de amanhã, certamente. Hoje, tenho a dizer, tão-só, que é um dia desgraçado.

 

Ferreira Fernandes

Um dia como os outros (169)

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 (...) Alguém que quer, através da prática clínica, impor aos outros, insensível ao sofrimento que causa e louvando-o até como "redenção", as suas crenças religiosas, não deve ter licença para o fazer. É para isso que servem as leis e as ordens profissionais: para garantir que ninguém usa o poder que lhe é conferido por uma certificação oficial para subverter a sua missão, infringindo direitos fundamentais e incentivando discriminações que a Constituição interdita. Porque está errado. Porque é maldoso. Porque destrói vidas. Não está em causa calar Maria José Vilaça: pode subir a púlpitos, escrever artigos, dar entrevistas, ir à TV pregar a sua visão do mundo e dos homossexuais. Mas não como psicóloga. Porque isso, sim, é uma total anormalidade.

 

Fernanda Câncio

Um dia como os outros (168)

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(...) Nem a ONU é uma democracia, nem os seus procedimentos são totalmente previsíveis. Estamos no terreno da diplomacia. Mas, desta vez, houve uma promessa de transparência e as provas públicas, debates e avaliações pretendiam melhorar a desgastada imagem das Nações Unidas. O escrutínio, neste tempo de informação global, é outro. E a golpada alemã, que só será bem sucedida se contar com o apoio de americanos e russos, terá efeitos um pouco mais nefastos. (...)

 

Daniel Oliveira

 

Um dia como os outros (167)

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(...) De qualquer forma, os factos falam por si, basta ir ler os estatutos de alguns colégios com contratos de associação. Um caso engraçado é o do Colégio Rainha Santa Isabel (CRSI), em Coimbra, a menos de 2 kms de excelentes escolas públicas, como a Escola Secundária de Dona Maria ou a Avelar Brotero. Como “visão educativa” a CRSI tem “somente em vista a glória de Deus e a salvação do mundo” e quer que “todas as nossas acções tendam para este nobre fim”. No item da acção educativa diz que quer viver “em bom entendimento, formando um só coração e uma só alma, pertencendo totalmente a Deus.” Diz ainda que “como escola católica que é, todas as turmas do CRSI iniciam o seu dia fazendo oração comum ou comunitária, pensada e adaptada para cada faixa etária, iniciando o nosso dia com a bênção e o encontro com Jesus Cristo.” A 350 metros está o Colégio São Teotónio, também com contrato de associação, que na sua página diz que o “objetivo do Colégio de São Teotónio enquanto Escola Católica é educar a partir dos referenciais do humanismo cristão”. Nada contra. Mas com o dinheiro dos contribuintes dum Estado laico, não. Aliás, tenho a certeza absoluta de que se uma escola islâmica com estas características fosse financiada com os nossos impostos, grande parte da direita se atirava ao ar. E muito bem, eu também me atiraria. (...)

 

Luís Aguiar Conraria

Um dia como os outros (166)

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(...) Entretanto, como no passado, há uma campanha montada no espaço público. Colégios que há anos pagam salários baixos e mantêm professores precários, às vezes com recibos verdes à margem da lei, apregoam a importância do emprego. Deputados que foram afoitos a degradar a escola pública e os apoios sociais falam da “igualdade” entre as crianças. Empresas que vivem de subsídios pagos com os impostos de todos contestam o ataque à “livre concorrência”. Está bom de ver que quem dirige esta campanha não está preocupado com os pais, com professores nem com os alunos, por mais que os instrumentalize para interesse próprio. Está apenas a querer manter uma renda ilegítima. (...)

 

José Soeiro

Um dia como os outros (165)

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(...) Ou seja: Cavaco não usou justificações democráticas e constitucionalmente sustentadas. Pelo contrário, adotou uma postura autocrática, tornando claro a uma parte do país que o seu voto e ideias cheiram mal - parte do país que, curiosamente, serviu para derrubar em 2011 um governo contra o qual reclamou "um sobressalto cívico". Para Cavaco, BE e PCP só dão jeito para deitar abaixo governos, nunca para os sustentar. E se os portugueses decidiram nas urnas virar a página, Cavaco cá está para lhes emendar a mão. Independentemente da vontade dos eleitores, o homem que ocupa Belém com a mais baixa votação e pior aprovação de sempre quer impor a sua, brandindo, como tantos, de Avillez a Barreto, fizeram nos últimos dias, a sua moca de Rio Maior. Ganha a verdade e a clareza, se tivéssemos dúvidas. Mas alguém devia lembrar ao PR que quem subiu à Fonte Luminosa foi o PS, e Costa esteve lá.

 

Fernanda Câncio

Um dia como os outros (164)

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(...) A maior das surpresas foi, no entanto, a mudança de atitude dos líderes do PCP e do BE. Antes das eleições, apenas se podia contar com o PS, o PSD e o CDS, os partidos do chamado arco da governação, para a formação de maiorias. Após as eleições, PCP e BE alteraram radicalmente este quadro ao declararem estar disponíveis para, com o PS, formar uma maioria parlamentar e viabilizar um governo de esquerda. Esta mudança alterou a relação de forças entre os partidos e abriu a possibilidade de mais escolhas de governo. (...)

(...) estamos perante uma mudança de fundo no funcionamento do nosso sistema político, e em particular do Parlamento. PCP e BE, por decisão dos seus dirigentes, autolimitavam as possibilidades da sua participação e responsabilização nas escolhas de governo e na governação. Essa não era uma situação normal, nem desejável. No momento em que os líderes partidários declaram a sua disponibilidade para participar plenamente na vida parlamentar, incluindo na constituição de soluções de governo, não tem sentido serem outros a limitar essa participação e a destruir a normalidade agora alcançada. (...)

(...) Cerca de 20% de eleitores, do PCP e do BE, passam a poder ver concretizadas, pelo menos em parte, as propostas políticas dos seus partidos. Estes, por sua vez, passam também a poder ser responsabilizados pelas soluções que preconizam, pelos seus êxitos ou insucessos. (...)

(...) dizer que falta legitimidade ao PCP para participar numa solução de governo porque 90% dos eleitores votaram noutros partidos, exige lembrar que também 90% dos eleitores não votaram no CDS e que tal não foi, nem é, obviamente, impeditivo da sua participação em coligações de governo. Enfatizar as posições críticas do BE e do PCP sobre a União Europeia e o euro exige recordar que também o CDS foi (e não sabemos se ainda o é) profundamente eurocético e isso não impediu que fizesse parte de soluções governativas comprometidas com o projeto europeu. (...)

(...) argumentar que PCP e BE são partidos radicais (de esquerda) requer que se recorde que o Governo que agora cessa funções se deixou capturar por uma agenda ideológica radical (de direita), afastando-se do centro político. (...)

(...) dizer que o PS é mais próximo do PSD do que do PCP ou do BE, e que, portanto, seria mais “natural” uma aliança com a Coligação, esquece os efeitos do afastamento do centro político protagonizado pelo PSD nos últimos anos. O PSD que conhecemos no passado já não existe, está transformado num partido de direita, e já não de centro-direita, radicalizado, que não negoceia nem se aproxima das forças partidárias à sua esquerda. Hoje, exceção feita a alguns dos grandes objetivos macroeconómicos, é quase impossível encontrar pontos de convergência nas agendas políticas dos dois partidos em matérias como a educação, a saúde, a ciência, a proteção social, a modernização administrativa ou o investimento público. Não foi o PS que se tornou mais radical nas suas propostas. O PS mantém, para as principais áreas de política e de intervenção do Estado, uma posição de centro-esquerda. Foi antes a coligação PSD/CDS que se radicalizou à direita alienando o apoio de muitos militantes históricos dos dois partidos e afastando-se de tal forma do centro que tornou praticamente inviável qualquer aliança com o PS. (...)

(...) defender que o PS não tem legitimidade para negociar com outras forças partidárias à sua esquerda porque o seu eleitorado não lhe deu esse mandato, exige que se recorde que ninguém tem o dom de adivinhação das intenções dos eleitores. Apenas existe o dever de, com humildade, as interpretar. Mas uma coisa é certa: António Costa afirmou repetidamente na campanha eleitoral que recusava tanto o prosseguimento de políticas de austeridade como a ideia de que haveria partidos do arco da governação e partidos excluídos do exercício de funções de governo. E coligações pós-eleitorais, que se formaram depois das eleições, sem ser previamente sufragadas, aconteceram já, por mais de uma vez, na história recente do nosso Parlamento. Por exemplo, as coligações de governo PSD/CDS lideradas por Durão Barroso e Pedro Passos Coelho.

 

Maria de Lurdes Rodrigues