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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

O misterioso caso das manchetes do El Mundo

Parece que há um jornalista chamado Sebastião Pereira, que se ofereceu ao El Mundo para cobrir o incêndio de Pedrógão Grande, em Portugal, cujos artigos são incendiários e mentirosos e replicados, como é hábito, pelos media nacionais.

 

Parece ainda que não se encontra rasto desse jornalista, nem em Portugal nem em Espanha.

 

Não é preciso espantarmo-nos com as manipulações de outros países em épocas eleitorais, por exemplo nas Presidenciais norte americanas ou no referendo do Reino Unido. Temos as nossas manipulações domésticas, com fabricação de notícias falsas com a cumplicidade (por acção ou omissão) dos meios tradicionais. Nem é necessário recorrer às redes sociais. Basta ter à vontade e desplante para criar casos e factos políticos.

 

Assim vai a nossa democracia.

O único acidente é o nosso esquecimento

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Atentado em Berlim

 

Vamo-nos habituando ao horror, retomamos as nossas vidinhas. Há guerra na Síria, no Iraque, na Palestina, atentados em África, na Ásia e na Europa.

 

E é na Europa que mais nos dói, não porque não nos doam todas as outras mortes, todas as outras atrocidades, mas porque é dentro da nossa casa, dentro das nossas portas.

 

Sobressalto, horror, desfalecimento psicológico, depois a rotina, Isto já é rotina.

 

Mas teimamos em manter as portas abertas, não podemos ceder ao medo. Teimamos em ir vivendo, atentado após atentado, assassinato após assassinato.

 

E é da liberdade que não podemos prescindir. Da liberdade, do direito a uma vida digna e em segurança, da liberdade de ser respeitado e respeitar.

 

Agora foi em Berlim.

Da necessidade absoluta de cuidado e contenção

Nestas horas de horror, em que todos nos interrogamos como é possível e que motivações poderão estar por detrás de semelhantes carnificinas, o que leva um homem a lançar um camião para cima de uma multidão de gente com a vontade e o objectivo de as matar, procuramos, mesmo sem querer, culpados. Aplaca-nos o sentido de justiça ter alguém a quem acusar, julgar e condenar.

 

Por isso me custam as várias notícias que poderão ser extemporâneas sobre a ineficácia e a incapacidade da polícia e/ ou de outras autoridades francesas no combate ao terrorismo. Não fazemos ideia do que se passou nem do número de vezes que terão sido prevenidos outros ataques, tão ou mais sangrentos que este.

 

Por outro lado também não me parece que se possa concluir já que este foi um ataque do DAESH ou da AL QAEDA ou de outro qualquer grupo terrorista. Até agora, que saibamos, ainda não foi reivindicado por nenhum dos grupos que o celebram e aplaudem. A acreditar nas notícias, o homem estaria acompanhado por armas falsas e por uma granada inutilizada. Parece-me muito bizarro, tudo isto.

 

Por isso penso que todos devemos ter cautelas redobradas perante conclusões que poderão ser apressadas e erradas. O horror e a solidariedade que sentimos assim como o desejo de esclarecimento não devem sobrepor-se à frieza e capacidade de análise, de forma a não sermos arrastados para mais ódios e mais medo.

Nice, 14 de Julho de 2016

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Nice, Promenade des Anglais (1891)

Edward Munch

 

A tudo nos habituamos e ao que de pior temos também. A multiplicação da morte e da violência, sem se perceber exactamente em nome de quê, de quem, para quê ou para quem, por muitas explicações mais ou menos informadas, mais ou menos realistas, mais ou menos apaixonadas que ouçamos, transforma a barbárie na norma e nós em seres sem palavras, sem lágrimas, sem paixão para a revolta.

 

Talvez por isso e paradoxalmente a nossa melhor arma seja o silêncio e a indiferença, tratando todo este horror e ignomínia como mais uma distracção de verão.

 

Talvez os mentores de toda esta carnificina em todo o mundo, privados do melhor instrumento terrorista que é a divulgação e a manutenção do medo, percebam que continuaremos a viver e a trabalhar, a passear e a aplaudir, a dançar e a sofrer diariamente com aquilo que nos é mais precioso – a nossa liberdade.

O reinado do medo

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Não há mais palavras para condenar estas acções bárbaras de criminosos sem escrúpulos.

 

O reinado do medo, propagado por carnificinas transmitidas directamente pelas televisões, não pode ser justificado por qualquer deriva ideológica de todos os que, democraticamente, são eleitos e representam os povos em que a liberdade é o estandarte, como tenho assistido em posts no facebook, ao mencionarem Bush, Aznar, Tony Blair e Durão Barroso como cabecilhas dos atentados. Independentemente de todas as divergências entre pessoas e povos, o respeito pela nossa forma de vida deve ser exigido a todos os povos e culturas, como o exigimos nas nossas sociedades democráticas.

 

O que está em causa é a nossa forma de viver, a nossa liberdade e a nossa democracia. É muito, muito difícil, mas não podemos ceder ao medo.

 

Resistências

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Tiago Taron

 

Paris en colère

Maurice Vidalin & Maurice Jarre & Mireille Mathieu

 

Que l'on touche à la liberté
Et Paris se met en colère
Et Paris commence à gronder
Et le lendemain, c'est la guerre
Paris se réveille
Et il ouvre ses prisons
Paris a la fièvre
Il la soigne à sa façon
Il faut voir les pavés sauter
Quand Paris se met en colère
Faut les voir, ces fusils rouillés
Qui clignent de l'œil aux fenêtres
Sur les barricades
Qui jaillissent dans les rues
Chacun sa grenade
Son couteau ou ses mains nues
La vie, la mort ne comptent plus
On a gagné, on a perdu
Mais on pourra se présenter là-haut
Une fleur au chapeau
On veut être libres
À n'importe quel prix
On veut vivre, vivre, vivre
Vivre libre à Paris
Attention, ça va toujours loin
Quand Paris se met en colère
Quand Paris sonne le tocsin
Ça s'entend au bout de la terre
Et le monde tremble
Quand Paris est en danger
Et le monde chante
Quand Paris s'est libéré
C'est la fête à la liberté
Et Paris n'est plus en colère
Et Paris peut aller danser
Il a retrouvé la lumière
Après la tempête
Après la peur et le froid
Paris est en fête
Et Paris pleure de joie

Paris

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O horror do terrorismo dentro das portas da nossa casa europeia, em Paris, símbolo da liberdade. Que o medo não possa fazer vergar a democracia e a sociedade livre.

Dos significantes e do significado

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A afirmação Je suis Charlie não significa que se goste ou se concorde com o conteúdo dos cartoons, que se compreenda a ofensa de quem se sente provocado – são provocantes e ofendem.

 

Mas não é isso que está em causa – ser-se Charlie é o grito de revolta perante a inqualificável e inaceitável aceitação, mesmo que politicamente correcta, de que se não devem publicar esses cartoons.

 

É grave e significativo que se tentem de alguma forma justificar as reacções às ditas provocações – quais são aceitáveis e inaceitáveis, tanto as provocações como as reacções? Há pessoas que têm responsabilidades acrescidas e o Papa é uma delas. Nada, mesmo nada pode justificar o terrorismo.