Sábado, 14 de Abril de 2012
Anjos com fome

 

Anjos com fome 

 

Vários andares, níveis de consciência, capacidade em estar atento. Vários espelhos onde se vê e revê a memória, o passado, o corpo, onde se encontra o próprio ou a imagem que se projecta para fora do próprio.

 

Vários sons, aflitos, suaves, assustadores, arrepiantes, calmos, ondulantes. Poucas vozes as dos poemas, poucos os poemas nesse poema inteiro. Poucas as palavras ouvidas em tom de confidência. Vários os tons de branco e castanho velado, de dourados secos e velhos, de vermelho e ocre. Várias as texturas dos tecidos, das pedras, das madeiras, da água, da poeira.

 

Várias as portas e as chaves que se abrem e fecham, que escondem e mostram, que começam e acabam, por onde se entra e se sai. Vários os movimentos de dança e desespero, de poder e submissão, de amor e de ódio, de recolha, de manipulação, de despojamento. Vários os momentos de partilha e solidão, de crueldade e sedução.

 

Caóticos e loucos, calados e gritantes, desconexos e pueris, inacabados e em fragmentos, de risos e viagens, sonhos de mulheres que são, que fizeram, que tiveram, que deram, que quiseram, que desejaram, que fugiram, que romperam. Tantos os sapatos que podemos calçar, que nos ensinam a calçar e que nos fazem meninas e velhas, monstros e anjos. Impossíveis as palavras para este espectáculo, defini-lo ou contá-lo, explicá-lo ou senti-lo. Surpreendente, impensável, lindíssimo e provocador.

 

Mais uma vez parabéns ao Teatro Meridional e a todos os colaboradores, que fazem de cada trabalho uma experiência imperdível. Destaque para as extraordinárias actuações das actrizes Ana Lúcia Palminha, Carla Galvão e Susana Madeira.

 


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publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 19:34
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Segunda-feira, 5 de Março de 2012
A derrota da crise (5)

2 de Março a 15 de Abril

Teatro Meridional

 

Um sonho ou um poema cénico, em que as narrativas se fragmentam em imagens que passam, se transformam e diluem.

São “poemas”  e sonhos de mulheres,  onde o feminino encontra os seus referentes em contos de fadas, nas deusas gregas e sempre nas mulheres de muitas histórias e de muitos lugares.

Povoado de símbolos que despoletam ou prenunciam diferentes acções, procurámos dar voz aos arquétipos, às imagens primordiais femininas, na constante repetição da mesma experiência realizada durante muitas gerações.

Diz a tradição que uma das missões dos Anjos é ajudar a humanidade a aproximar-se de Deus. Aqui, as mulheres são alguns dos “anjos” que têm fome do mundo e de si próprias.

 

Criação - Teatro Meridional

Encenação e Dramaturgia - Natália Luíza

Poemas - Al Berto, Fernando Pessoa, Herberto Helder, Gastão Cruz, Gonçalo M. Tavares, Teixeira de Pascoaes

Elenco - Ana Lúcia Palminha, Carla Galvão, Susana Madeira

Espaço Cénico e Figurinos - Marta Carreiras

Música original - Fernando Mota

Desenho de luz - Miguel Seabra

Vozes Gravadas - António Fonseca, Miguel Seabra e Natália Luiza

Fotografia - Nuno Figueira

Assistência de Encenação - Maria João Santos

Design gráfico e Vídeo - Patrícia Poção

Assistência de cenografia - Marco Fonseca

Operação técnica - Nuno Figueira
Montagem - Marco Fonseca e Nuno Figueira

Produção Executiva - Natália Alves

Direcção de Produção - Maria Folque

Direcção Artística TM - Miguel Seabra e Natália Luiza


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publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 21:27
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Quinta-feira, 21 de Julho de 2011
Mas apetece

 

 

Mas apetece ouvir, falar e escrever dos e sobre os nossos artistas, os que melhor são e fazem. Como exemplo escolho o Teatro Meridional.

 

Não há peça deles a que tenha assistido que me tenha deixado desiludida. A imaginação com que tratam temas actuais, compondo textos imprevisíveis, rigorosos, absurdos, corrosivos, cómicos, a simplicidade dos cenários, depurados, minimalistas, o jogo de luzes e de sombras, a música e o excelente trabalho de excelentes actores, transformam os espectáculos em experiências memoráveis e difíceis de traduzir.

 

Em Especialistas, agora em cena (e até 7 de Agosto), o Teatro Meridional usa a sustentabilidade ambiental, centrada no problema da energia, para ilustrar aquilo que a nossa sociedade ocidental transformou na ditadura das linguagens dos divulgadores especializados em parcelas do conhecimento. A manipulação da informação é um facto, misturando nos discursos apelos aos instintos do consumismo, do misticismo, da especulação, da mesquinhez, do altruísmo e da ingenuidade, sob a capa da imparcialidade científica, económica, psicológica e moralizadora.

 

Um retrato contemporâneo, em que a preponderância dos Especialistas e a hegemonia da especialização, ao olhar apenas segmentos desligados de um corpo social, é incapaz de manter um cimento entre os vários sectores, de avaliar as necessidades, os valores, os anseios desse corpo, privilegiando uns em detrimento de outros para manter equilíbrios, tal como se vai afastando daquilo que é a escolha de todos para impor a opinião de alguns – a dos Especialistas que ninguém pode, sabe ou quer escolher.

 

Acresce ao excelente espectáculo o espaço e o ambiente de conforto e acolhimento, onde nunca falta café, chá, e até bolo, associado à preocupação de bilhetes com preços em consonância com estes tempos de crise.

 

Parabéns a todo o grupo do Teatro Meridional por mais este magnífico espectáculo.

 


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publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 17:59
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Sábado, 16 de Abril de 2011
Vencer a crise (1)

 

Em cena, na Sala Vermelha do Teatro Aberto, uma peça de Rui Herbon - Grande Prémio de Teatro Português de 2010 (Teatro Aberto e Sociedade Portuguesa de Autores), com música original de Pedro Jóia.



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publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 16:14
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Domingo, 17 de Outubro de 2010
Realmente importante

 

 

Não são precisos prémios para sabermos que o Teatro Meridional é uma das companhias de teatro mais criativas e interessantes do nosso país. Mas é sempre bom percebermos, no meio de todo o negativismo e pessimismo que nos tolhe, que não só entre portas se reconhece esse mérito.

 

O Teatro Meridional, cuja direcção (da Companhia e artística) é assegurada por Miguel SeabraNatália Luiza, tem levado ao palco e ao público inúmeras peças originais, baseadas em textos variados, como colagens ou como recriações, em espaços cénicos de um cuidado e simplicidades extremas, em que a encenação, a música, as luzes e as palavras se completam e formam unidades de espectáculo únicas.

 

A 12.ª edição do Prémio Europa Novas Realidades Teatrais distinguiu, juntamente com 5 companhias de teatro de outros países europeus (Eslováquia/República Checa, Reino Unido, Rússia, Finlândia e Islândia), o Teatro Meridional.

 

A próxima peça desta Companhia será apresentada no Teatro Nacional D. Maria II, com estreia a 18 de Novembro, 5ª feira, às 21:30h, e chama-se 1974. A não perder.

 

 


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publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 13:53
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Sexta-feira, 30 de Julho de 2010
António Feio

 

Tal como disse José Pedro Gomes (em baixo, aos 3 minutos), António Feio fez muito pelo teatro. Tanto que hoje, devido ao António, à noite vai haver teatro a passar na RTP1, na SIC e, ao domingo, na RTP2,  coisa raramente vista.

 



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 22:15
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Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009
Itinerâncias

 

Para variar, para além do trabalho, há muitas coisas que nos alargam a mente e que nos alegram os dias:

  • Não consegui ir ao lançamento do livro mas, pelo que já li do Luís Naves, não se deve deixar escapar este livro: Territórios de caça.

  • A 12 de Novembro (amanhã), na Galeria 111, será inaugurada uma exposição - Matar o tempo. Não percam, às 19h00 e, depois, até 31 de Dezembro.

  • Contos em Viagem - Brasil, pela excelente companhia de teatro, Teatro Meridional, até 19 de Dezembro (nos domingos há espectáculo às 17h00). Imprescindível.

 



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 21:51
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Quarta-feira, 3 de Junho de 2009
Cidadãos honrados

 

Gostaria de falar da cidade como teatro da vida; do desenho urbano, que se vai modificando ao longo dos tempos, como cenário; dos enredos da evolução social e urbana, como sucessivos textos; da tão diversa roupagem que a cobre, como figurinos; dos decisores que nela actuam segundo papeis previamente distribuídos, mas sempre em aberto, como actores; dos poderes e contra-poderes, às vezes em conflito com texto e cenário, como encenadores; e dos cidadãos que detêm o poder de a todo o momento subverter a cena, como actores-autores de uma peça que, por mais que se escreva, está sempre já escrita e por escrever. (Helena Roseta)

 

A cidade, a sua organização, os seus habitantes, o poder que têm ou a que se submetem, o espaço público, fechado ou aberto, os templos, o poder, o teatro.

 

Como se transformam as cidades, como nos transformamos a nós, como nos transformam as cidades? Que significa o crescer da urbe em volta de becos, em volta dos operários, em volta de ruelas? Que significam os estrangeiros, os povoadores, os que chegam de fora?

 

Que significa planear, conceber, reformar, determinar, ordenar?

 

Onde está o palco, onde estão os actores, as imagens, os templos?

 

Onde está a cidadania, o poder dos habitantes honrados das cidades de hoje, iguais, desumanizadas, envelhecidas, insalubres, decrépitas, que não servem os seus cidadãos? Como podemos nós ser os argumentistas das peças multirraciais das cidades de hoje?

 

Uma conferência entre cruzamentos de imagens, de olhares, entre o desenho e a construção das cidades e o salão nobre do Teatro D. Maria II, conduzida pela Arquitecta Helena Roseta, cidadã honrada e mulher de muitos caminhos e de muitas interrogações, numa excelente iniciativa do Teatro com Cruzamentos. Foi ontem, ao fim da tarde, mas haverá mais.

  

 



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 22:49
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Sábado, 11 de Abril de 2009
Teatro com Cruzamentos

 

 

 

 

No Teatro Nacional D. Maria II, há Teatro com Cruzamentos (Projecto Teia).

 

Personalidades conceituadas de várias áreas profissionais são convidadas a darem uma “aula aberta”, criando uma relação entre o seu campo específico de estudo ou actividade e o teatro, na pluralidade de disciplinas que o TEATRO encerra. Profissionais de áreas tão diversas como a Estratégia Militar, a Medicina, o Direito, a Biologia ou a Política, mostram qual a importância que pode ter para o teatro a vitalidade dos discursos das Ciências e da Filosofia.

 

No Salão Nobre, às 18:30h: convidado - Prof. Dr. Alexandre Quintanilha - já no dia 21 deste mês.

 

 

 



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 19:33
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Domingo, 16 de Dezembro de 2007
Cabo Verde – Contos em Viagem
A viagem dos caminhos, a viagem das letras, das palavras, dos gestos, das histórias, do espaço, do mar, a viagem da vida que esperamos e da vida que temos e da vida que sonhamos, a viagem da luz, do som, dos objectos que nos compõem.

A viagem feita de fragmentos de contos, de fragmentos de poemas, de fragmentos de barcos, dos cais das partidas e das esperas, dos cais das vidas que começam e que acabam, das pessoas, das famílias, das raças, dos corpos.

A viagem dos actores e dos espectadores, a viagem de quem concebe e de quem interpreta, a viagem em comunhão, num palco quase oratório em que os fiéis participam na celebração.

O cenário despojado, minimalista, de fragmentos de madeira, de sobreposições de parca matéria; a actriz despojada e descalça, em que o vestuário é um adereço e em que o corpo se transfigura e se transforma em fragmentos das múltiplas personagens que encarna, vibrante, cheia, dengosa, choramingas, dura, crispada, esperançosa, ingénua, criança e velha, da idade dos sonhos que perseguimos; o músico despojado e descalço, que usa os materiais mais simples para acompanhar e chamar os sons, as melodias, os ritmos, as ondas do mar, as gotas da chuva, que embalam o ritmo e a cascata das palavras; a luz discreta, velada, imprescindível.

No Teatro Meridional, neste espaço em que respiramos os valores que escondemos envergonhadamente na nossa imagem de profissionais responsáveis, de adultos cínicos e velhos, aquecido por uma espécie de salamandra gigante central, com uma luz coada e reconfortante, com uma exposição de fotografia de Patrícia Poção, Alma di Terra, com chá e café para aquecer, algumas mesas para conversar, neste espaço lúdico, simples e quase solene que nos aninha e onde regressamos ao melhor que somos.
  • Textos: António Aurélio Gonçalves, António Nunes, Baltasar Lopes da Silva/Oswaldo Alcântara, Fátima Bettencourt, Germano de Almeida, João Vário, José Lopes, Manuel Ferreira, Manuel Lopes, Orlando Pereira Ramos Rodrigues, Ovídio Martins
  • Selecção de textos, dramaturgia e assistência artística: Natália Luíza
  • Direcção cénica e desenho de luz: Miguel Seabra
  • Interpretação: Carla Galvão (texto); Fernando Mota (música)
  • Música original e espaço sonoro: Fernando Mota
  • Espaço cénico e figurinos: Marta Carreiras
  • Assistência de cenografia: Marco Fonseca
  • Fotografia de cena e Registo Vídeo: Patrícia Poção
  • Montagem: Rui Alves e Marco Fonseca
  • Operação técnica: Rui Alves
  • Assessoria de gestão: Mónica Almeida
  • Direcção de produção: Narcisa Costa

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publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 12:01
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(...) Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz/ mas isso era o passado e podia ser duro/ edificar sobre ele o portugal futuro [Ruy Belo]
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