Há sempre alguém que gostaríamos de igualar, nesses sonhos de grandeza da adolescência, heróis da ciência, das artes, gente que desafia o perigo, que se entrega à morte para salvar o próximo, enfim, daqueles seres que se nos apresentam em forma humana, mas são carne e sangue de deuses.
Pois eu sempre juntei à minha lista os detectives das histórias que vou lendo, mas não do tipo Sherlock Holmes ou Philo Vance. Os que eu aprecio são a Miss Marple, a Mma Ramotswe, o Poirot, o Foyle, o Jaime Ramos e o Maigret, ou aqueles seres anónimos e sem graça que se revelam nos policiais, cheios de defeitos e de vícios mas argutos e, bem lá no fundo, generosos e capazes de entregas totais, de renascimentos memoráveis.
Este fim-de-semana comecei a saborear uma das muitas séries já realizadas com base nos livros da Agatha Christie, em que a espertalhona e mexeriqueira Miss Marple observa as águas paradas da vida de todos os dias e descobre mundos invisíveis e inconfessáveis.
É uma boa maneira de vencer a crise. Pelo menos desligamo-la por algumas horas.
Foyle’s War é uma série policial britânica que passou num dos canais televisivos a horas impróprias. Alguém que de mim gosta e que por mim vela, sabendo do meu gosto por histórias de crimes, ofereceu-me, num Natal longínquo, a colecção completa. Por um motivo ou por outro, ficou adormecida durante muitos meses. Quando vi o primeiro episódio fiquei rendida.
Christopher Foyle é Detective Chief Superintendent da Polícia de Hastings, perto de Londres, em pela II Guerra Mundial. Pede várias vezes para que o autorizem a colaborar no esforço da Guerra, mas os seus superiores decidem que Foyle é muito mais útil no seu posto. Contra vontade, Christopher Foyle passa a Guerra resolvendo homicídios, casos de sabotagem e roubo, de cobardes e heróis, de paixões e ganância, assistindo às arriscadas missões do seu filho, Andrew Foyle, piloto da RAF.
Com ele estão o Detective Sergeant Paul Milner, após ferimentos em combate, e Sam (Samantha) Stuart, filha e sobrinha de numerosos Vigários, contribuindo patrioticamente como motorista de Foyle.
Britânica até à medula, no rigor dos detalhes, na contenção e realismo das personagens, na excelência dos argumentos e dos diálogos, é uma série que aproveita, em cada episódio, casos verídicos em que baseia a trama. Anthony Horowitz, o autor, também adáptou várias histórias de Agatha Christie.

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