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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Da inconclusão da Comissão de Inquérito à CGD - 1 (um - I - 1ª - pimeira)

Resolução da Assembleia da República n.º 122/2016

Constituição de uma comissão parlamentar de inquérito à recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à gestão do banco

 

A Assembleia da República, (...) constitui uma comissão parlamentar de inquérito à recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à gestão do banco, (...) com o seguinte objeto:

a) Avaliar os factos que fundamentam a necessidade de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, incluindo as efetivas necessidades de capital e de injeção de fundos públicos e as medidas de reestruturação do banco;

b) Apurar as práticas de gestão da Caixa Geral de Depósitos no domínio da concessão e gestão de crédito desde o ano de 2000 pelo banco em Portugal e respetivas sucursais no estrangeiro, escrutinando em particular as posições de crédito de maior valor e/ou que apresentem maiores montantes em incumprimento ou reestruturados, incluindo o respetivo processo de aprovação e tratamento das eventuais garantias, incumprimentos e reestruturações;

c) Apreciar a atuação dos órgãos societários da Caixa Geral de Depósitos, incluindo os de administração, de fiscalização e de auditoria, dos auditores externos, dos Governos, bem como dos supervisores financeiros, tendo em conta as específicas atribuições e competências de cada um dos intervenientes, no que respeita à defesa do interesse dos contribuintes, da estabilidade do sistema financeiro e dos interesses dos depositantes, demais credores e trabalhadores da instituição e à gestão sã e prudente das instituições financeiras e outros interesses relevantes que tenham dever de salvaguardar.

 

Pelos vistos não interessa concluir esta Comissão de Inquérito. É muitíssimo mais importante descobrir o que exigia uma Administração que não chegou a funcionar, vasculhando os sms entre António Domingues e Mário Centeno.

A nova estratégia

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Público

 

 

A nova estratégia da direita é desacreditar o Presidente da Assembleia da República, com queixas permanentes, linguagem de taberna e a requentada asfixia democrática.

 

O ruído é grande e só demonstra a ausência de conteúdo e a aridez da direita política. O descabelo da novela dos SMS está a terminar, o problema dos 10.000 milhões de euros que se escoaram entre 2011 e 2014, sem que o PAF se incomodasse, enquanto tudo era permitido desde que se empobrecesse os cidadãos, são os motivos de tamanha agitação psicomotora e desnorte vocabular.

O novelo da novela

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Mário Centeno é o Ministro das Finanças de um governo que, após os anos de chumbo que vivemos, conseguiu cumprir não todas as promessas, mas algumas delas bem importantes, nomeadamente o défice, ao mesmo tempo que devolvia alguns dos rendimentos que tinham sido retirados dos cidadãos, não provisoriamente como a PAF nos queria fazer crer, mas definitivamente como a PAF prometia em Bruxelas.

 

Herdou um enorme imbróglio no sector financeiro, com o problema do BANIF a explodir-lhe nas mãos, para além do problema da CGD que, não esqueçamos, Passos Coelho gostaria muito de privatizar. Conseguiu uma vitória negocial em Bruxelas, precisamente sobre a mesma CGD, que todos tinham vaticinado impossível.

 

Ao querer uma administração profissional, acabou por ceder onde não devia ter cedido - permitir que António Domingues e a sua equipa exigissem o inaceitável. Não tenho dúvidas que o terá feito de boa fé e a bem do País, mas o Estado tem que se dar ao respeito e não pode permitir que os Administradores ditem as leis que querem e que não querem cumprir.

 

A oposição de direita não tem conseguido vender aos cidadãos a sua cartilha; há distensão social, as pessoas têm mais esperança, os indicadores económicos estão a melhorar, tudo lhe corre mal.

 

Usando de uma linguagem boçal, dando cambalhotas de incoerência e criando casos, a direita política viu nesta atabalhoada negociação entre o governo e a administração da CGD a oportunidade para atacar Mário Centeno. Tudo serve, até mesmo a publicação das SMS trocadas entre ele e António Domingues. Já não há nada que seja privado, nem as mensagens que se trocam no telemóvel.

 

E não há boa notícia que abafe a gritaria da direita, secundada por uma comunicação social que faz parte do combate político, cujos comentadores vêm os seus comentários desmentidos pela realidade, à medida que a Geringonça se mantém a governar e até a Europa elogia a governação.

 

Por muito bom Ministro que Mário Centeno tenha sido e seja, penso que a sua permanência no governo será uma fonte de desgaste permanente. Ou a base política de apoio - PS, BE e PCP - consegue marcar a agenda mediática de forma a calarem a direita, ou Mário Centeno terá que pagar com a sua demissão o erro que cometeu com António Domingues. É muito injusto, mesmo muito, mas não me parece haver muitas alternativas.

 

Nota: não consigo compreender como Marques Mendes se mantém a fazer as figuras que faz; como Lobo Xavier sabe da existência de SMS comprometedoras ou não; como estas duas personagens se mantém como conselheiros de Estado.

Estratégias

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Parece que a estratégia de Passos Coelho e de Assunção Cristas com a TSU não terá tido grande resultado.

 

Veremos se o arrastar do assunto CGD e Mário Centeno mantém, reduz ou aumenta a distância entre a Geringonça e a (ex-) PAF.

 

A nova maioria

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A Geringonça foi uma tal lufada de ar fresco e tão surpreendente que todos pudemos respirar fundo durante o ano anterior. As expectativas eram tão baixas que a solução se revelou melhor do que alguém se atrevia a desejar. A transformação dos partidos de protesto em partidos que suportavam uma solução governativa abriu a esperança de uma responsabilidade à esquerda a que não estávamos habituados. Catarina Martins e Jerónimo de Sousa foram protagonistas dessa mudança, tal como António Costa e todos os que, diariamente, trabalharam para manter o governo a funcionar, para devolver algum do rendimento perdido aos cidadãos, algum do optimismo do Primeiro-ministro e alguma da energia do Presidente da República.

 

Infelizmente parece que o BE e o PCP se inebriaram com o êxito do primeiro ano da Geringonça. A forma como, no Parlamento, se vão aliar à direita para destronar o que foi conseguido na Concertação Social, por muito que seja coerente com as suas posições, é uma machadada na estabilidade governativa. E se à manutenção das parcerias público-privadas (PPP) na saúde quiserem fazer o mesmo, então serão os coveiros da tão refrescante e promissora governação de esquerda.

 

Só por ignorância e/ ou preconceito se pode afirmar que as PPP na saúde não acautelam o SNS e o Estado. Os Hospitais em PPP são os melhores classificados nas várias avaliações comparativas que se vão fazendo e há relatórios que provam que o Estado lucra com essas parcerias.

 

Não ponho em causa a renegociação das mesmas, o apertado controlo efectuado pelo Estado, os contratos e as obrigações a que devem estar sujeitas. O que ponho em causa é a cegueira que o BE e o PCP mostram em teimar em ir queimando o governo em fogo lento, não se inibindo nem envergonhando de servir a estratégia da direita, além de ser objectivamente um erro na gestão do serviço público de saúde.

 

Espero bem que entendam o que estão a fazer e os riscos que todos corremos.

 

Quanto à posição/ oposição do PSD, é difícil qualificá-la. O oportunismo, a incoerência, o tacticismo, a baixa política é tal, que me causa urticária. A falta de sentido do que é servir os cidadãos, o vazio e a mesquinhez afastam a população dos seus representantes. Este é um excelente exemplo do que nunca se deveria fazer.

 

Declaração de interesses: trabalho no Hospital Vila Franca de Xira - uma PPP da José de Mello Saúde.

Do meu próprio inconseguimento

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Por mais análises que faça ou ouça, nada nem ninguém me consegue explicar como é possível que a coligação PSD/ CDS possa estar no mesmo patamar ou à frente na intenção de votos dos portugueses.

 

Não percebo como se pode preferir a continuação de uma coligação que troçou e troça todos os dias de todos quantos cá vivem, de todos quantos se vão embora para poder viver, a António Costa e ao PS. Por muitos erros de campanha do PS, por muito inábil que seja António Costa, o PS e o seu líder são incomparavelmente mais credíveis*, competentes e capazes que Passos Coelho, Paulo Portas e as suas respectivas formações partidárias.

 

Espero que os meus concidadãos votem a 4 de Outubro. Podemos fazer muitas manifestações, falar muito alto e escrever muitos abaixo-assinados, mas é com o voto que temos a possibilidade de mudar qualquer coisa. É preciso votar a 4 de Outubro. Seja em quem for. Seja como for. É nossa a responsabilidade de manter ou mudar o governo.

 

*Convém também dizer que António Costa é incomparavelmente melhor e mais credível que António José Seguro, independentemente do que vier a resultar das eleições. Mesmo que António Costa tenha que se demitir, o que fatalmente acontecerá se perder as eleições.

O vale (mesmo) tudo

PASSOS COELHO SERÁ O 1º SUBSCRITOR DE UMA INICIATIVA PARA AJUDAR LESADOS DO BES

 

Ninguém pode ser impedido de ver fazer justiça em tribunal por falta de recursos financeiros, mas se porventura existir dificuldade em organizar essa defesa, eu tenho a certeza de que o país não deixará, de uma forma solidária, de providenciar o necessário para que essa defesa se possa fazer. E eu disse que seria até o primeiro subscritor e contribuinte, a título individual, não é como primeiro-ministro, é como cidadão, para poder ajudar pessoas que se encontram em grandes dificuldades

Pedro Passos Coelho - 12 Setembro/ 2015

 

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