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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

I’m a Stranger Here Myself

anne sofie von otter.jpg

Anne Sofie von Otter

fotografia de Ewa-Marie-Rundquist

 

 

Muitos parabéns a Anne Sofie von Otter, que faz hoje anos. É uma excelentíssima mezzo-soprano que eu admiro imenso.

 

Ouvi-a hoje, numa canção de Kurt Weill, com letra de Ogden Nash, do disco Speak Low com John Eliot Gardiner). 

 

 

 

Tell me is love still a popular suggestion

Or merely an obsolete art?

Forgive me for asking, this simple question

 

 

I'm unfamiliar with his heart

I am a stranger here myself

 

Why is it wrong to murmur, "I adore him"

When it's shamefully obvious I do?

Does love embarrass him, or does it bore him?

I'm only waiting for my clue

I'm a stranger here myself

 

I dream of a day of a gay warm day

With my face between his hands

Have I missed the path? Have I gone astray?

I ask but no one understands

 

Love me or leave me

That seems to be the question

I don't know the tactics to use

But if he should offer

 

A personal suggestion

How could I possibly refuse

When I'm a stranger here myself?

 

Please tell me, tell a stranger

My curiosity goaded

Is there really any danger

That love his now out-moded?

 

I'm interested especially

In knowing why you waste it

True romance is so fleshly

With what have you replaced it?

 

What is your latest foibal?

Is Gin Rummy more exquisite?

Is skiing more enjoyable?

For heaven's sake what is it?

 

I can't believe

That love has lost its glamor

That passion is really passé

If gender is just a term in grammar

How can I ever find my way?

Since I'm a stranger here myself

 

How can he ignore my

Available condition?

Why these Victorian views?

You see here before you

 

A woman with a mission

I must discover the key to his ignition

And then if he should make

A diplomatic proposition

 

How could I possibly refuse?

How could I possibly refuse

When I'm a stranger here myself?

Youkali

 

 

Kurt Weill & Roger Fernay & Teresa Stratas

 

C’est presque au bout du monde

Ma barque  vagabonde

Errant au gré de l’onde

M’y conduisit un jour

L’île est toute petite

Mais la fée qui l’habite

Gentiment nous invite

À en faire le tour

 

Youkali, c’est le pays de nos désirs

Youkali, c’est le bonheur, c’est le plaisir

Youkali, c’est la terre où l’on quitte tous les soucis

C’est, dans notre nuit, comme une éclaircie

L’étoile qu’on suit, c’est Youkali

 

Youkali, c’est le respect de tous les vœux échangés

Youkali, c’est le pays des beaux amours partagés

C’est l’espérance qui est au cœur de tous les humains

La délivrance que nous attendons tous pour demain

 

Youkali, c’est le pays de nos désirs

Youkali, c’est le bonheur, c’est le plaisir

Mais c’est un rêve, une folie

Il n’y a pas de Youkali

Mais c’est un rêve, une folie

Il n’y a pas de Youkali

 

Et la vie nous entraîne

Lassante, quotidienne

Mais la pauvre âme humaine

Cherchant partout l’oubli

A, pour quitter la terre

Su trouver le mystère

Où nos rêves se terrent

En quelque Youkali

 

Youkali, c’est le pays de nos désirs

Youkali, c’est le bonheur, c’est le plaisir

Youkali, c’est la terre où l’on quitte tous les soucis

C’est, dans notre nuit, comme une éclaircie

L’étoile qu’on suit, c’est Youkali

 

Youkali, c’est le respect de tous les voeux échangés

Youkali, c’est le pays des beaux amours partagés

C’est l’espérance qui est au cœur de tous les humains

La délivrance que nous attendons tous pour demain

 

Youkali, c’est le pays de nos désirs

Youkali, c’est le bonheur, c’est le plaisir

Mais c’est un rêve, une folie

Il n’y a pas de Youkali

Mais c’est un rêve, une folie

Il n’y a pas de Youkali

It seemed the better way

leonard cohen.jpg

 

It seemed the better way

When first I heard him speak

But now it’s much too late

To turn the other cheek

 

It sounded like the truth

It seemed the better way

You’d have to be a fool

To choose the meek today

 

I wonder what it was

I wonder what it meant

He seemed to touch on love

But then he touch on death

 

Better hold my tongue

Better learn my place

Lift my glass of blood

Try to say the Grace

 

Preciso me encontrar

Cartola

 

 Zeca Pagodinho & Marisa Monte

 

 

Deixe-me ir

Preciso andar

Vou por aí a procurar

Rir pra não chorar

Deixe-me ir

Preciso andar

Vou por aí a procurar

Sorrir pra não chorar

 

Quero assistir ao sol nascer

Ver as águas dos rios correr

Ouvir os pássaros cantar

Eu quero nascer

Quero viver

 

Deixe-me ir

Preciso andar

Vou por aí a procurar

Rir pra não chorar

Se alguém por mim perguntar

Diga que eu só vou voltar

Depois que me encontrar

 

Quero assistir ao sol nascer

Ver as águas dos rios correr

Ouvir os pássaros cantar

Eu quero nascer

Quero viver

 

Deixe-me ir

Preciso andar

Vou por aí a procurar

Sorrir pra não chorar

 

(Deixe-me ir preciso andar

Vou por aí a procurar

Sorrir pra não chorar)

 

Deixe-me ir preciso andar

Vou por aí a procurar

Sorrir pra não chorar

 

(Deixe-me ir preciso andar

Vou por aí a procurar

Sorrir pra não chorar)

Concerto De' Cavalieri & Ana Quintans

concerto de cavalieri.jpg

CCB - 1 de Abril de 2017 

 

Lindíssimo concerto o de ontem, no CCB. Tomaso Albinoni e Antonio Vivaldi, com a orquestra Concerto De' Cavalieri e a excelente e belíssima Ana Quintans. Trechos de óperas de Albinoni, a maioria delas desaparecidas, recuperadas por Marcello Di Lisa, em conjunto com obras de Vivaldi, compuseram uma noite memorável.

 

A música (ou a arte, como um todo) é a forma da divindade que o Homem cria na sua mais terrena humanidade.

Balada de Outono

 Zeca Afonso

 

Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra 

 

 

Águas passadas do rio
Meu sonho vazio
Não vão acordar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar

Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar

Águas do rio correndo
Poentes morrendo
P'ras bandas do mar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar

Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar

Os mestres do fado

os mestres.JPG

 

Confesso que fui um pouco apreensiva assistir a este espectáculo. O meu gosto pelo fado passa mais pela rotura que Alain Oulman, com Amália Rodrigues, dando significado e expressão às palavras e aos poemas para além da beleza da música e dos trinados da guitarra e da voz que a acompanha, que se apodera de quem ouve num sentimento de doce e melancólica tristeza, dispensando a compreensão racional. Por outro lado tinha muita curiosidade em relação ao fado tradicional de Lisboa e às casas onde ele se canta, a solo ou à desgarrada.

 

O grande auditório estava repleto. A minha primeira surpresa surgiu ao ouvir as vozes poderosas e potentes de fadistas com mais de 70 anos. De repente, aqueles anciãos e anciãs, de fatos completos e xailes com lantejoulas, em penteados mais ou menos armados, em cima de uns saltos mais ou menos absurdos, com mais ou menos facilidade de locomoção, adquiriram uma presença e uma dignidade difíceis de descrever.

 

O dedilhar da guitarra soberbamente tocada, com o respectivo acompanhamento da viola e do baixo, aos quais se juntou um quarteto de violinos, elevando-se com o arranque das vozes moduladas, penetraram no corpo e na alma num enlevo que muito se assemelha ao que acontece com as mornas ou com o flamenco. Percebo bem o fascínio que o fado exerce, sendo um êxito em países cuja compreensão da língua é nula mas que comungam na apreciação da música e da voz, da guitarra e da quase magia que se instala, como uma névoa de um ópio invisível.

 

Obrigada a estes Mestres - António Rocha, Artur Batalha, Filipe Duarte, Nuno Aguiar, Maria Amélia Proença, Maria Armanda, Maria da Nazaré e Cidália Moreira. Foi uma noite verdadeiramente surpreendente.