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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

O admirável mundo novo

(...) Assim, determina-se o seguinte:

1 — Os contratos a celebrar, para concessão de espaços destinados à exploração de bares, cafetarias e bufetes, pelas instituições do Ministério da Saúde, sejam da administração direta ou indireta do Estado ou os serviços e entidades públicas prestadoras de cuidados de saúde que integram o Serviço Nacional de Saúde (SNS), designadamente os agrupamentos de centros de saúde, os estabelecimentos hospitalares, independentemente da sua designação, e as unidades locais de saúde, não podem contemplar a venda, nem a publicidade, dos seguintes produtos:

a) Salgados, designadamente rissóis, croquetes, empadas, chamuças, pastéis de massa tenra, frigideiras, pastéis de bacalhau, folhados salgados e produtos afins;

b) Pastelaria, designadamente, bolos ou pastéis com massa folhada e/ou com creme e/ou cobertura, como palmiers, jesuítas, mil -folhas, bola de Berlim, donuts, folhados doces, croissants ou bolos tipo queque;

c) Pão com recheio doce, pão-de-leite com recheio doce ou croissant com recheio doce;

d) Charcutaria, designadamente sanduíches ou outros produtos que contenham chouriço, salsicha, chourição, mortadela, presunto ou bacon;

e) Sandes ou outros produtos que contenham ketchup, maionese ou mostarda;

f) Bolachas e biscoitos que contenham, por cada 100 g, um teor de lípidos superior a 20 g e/ou um teor de açúcares superior a 20 g, designadamente, bolachas tipo belgas, biscoitos de manteiga, bolachas com pepitas de chocolate, bolachas de chocolate, bolachas recheadas com creme, bolachas com cobertura;

g) Refrigerantes, designadamente as bebidas com cola, com extrato de chá, refrigerantes de fruta sem gás, refrigerantes de fruta com gás, águas aromatizadas, preparados de refrigerantes, refrescos em pó ou bebidas energéticas;

h) «Guloseimas», designadamente rebuçados, caramelos, pastilhas elásticas com açúcar, chupas ou gomas;

i) «Snacks» doces ou salgados, designadamente tiras de milho, batatas fritas, aperitivos e pipocas doces ou salgadas;

j) Sobremesas doces, designadamente mousse de chocolate, leite-creme ou arroz doce;

k) Barritas de cereais e monodoses de cereais de pequeno-almoço;

l) Refeições rápidas, designadamente hambúrgueres, cachorros quentes, pizas ou lasanhas;

m) Chocolates em embalagens superiores a 50 g e chocolates com recheio;

n) Bebidas com álcool;

o) Molhos designadamente ketchup, maionese ou mostarda.

2 — Os contratos referidos no número anterior devem contemplar a disponibilização obrigatória de água potável gratuita e de garrafas de água (entende -se como água mineral natural e água de nascente) e preferencialmente os seguintes alimentos:

a) Leite simples meio-gordo/magro;

b) Iogurtes meio-gordo/magro, preferencialmente sem adição de açúcar;

c) Queijos curados ou frescos e requeijão.

d) Sumos de fruta e/ou vegetais naturais, bebidas que contenham pelo menos 50 % de fruta e/ou hortícolas e monodoses de fruta;

e) Pão, preferencialmente de mistura com farinha integral e com menos de 1 g de sal por 100 g de pão;

f) Fruta fresca, preferencialmente da época, podendo ser apresentadas como salada de fruta fresca sem adição de açúcar;

g) Saladas;

h) Sopa de hortícolas e leguminosas;

i) Frutos oleaginosos ao natural, sem adição de sal ou açúcar;

j) Tisanas e infusões de ervas sem adição de açúcar.

3 — Ao pão, referido na alínea e) do número anterior, devem ser privilegiados os seguintes recheios: queijo meio-gordo/magro, fiambre com baixo teor de gordura e sal e de preferência de aves, carnes brancas cozidas, assadas ou grelhadas, atum (de preferência conservado em água) ou outros peixes de conserva com baixo teor de sal, ovo cozido; o pão deve ser preferencialmente acompanhado com produtos hortícolas, como por exemplo alface, tomate, cenoura ralada. (...)

 

Diário da República, 2.ª série — N.º 248 — 28 de dezembro de 2017

 

A remodelação do corpo pessoal e social, à distância de (mais) uma proibição.

Puigdemont

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Carles Puigdemont

 

Não é só a Rajoy que se devem assacar as responsabilidades do desastroso processo a desentolar-se à volta do referendo catalão. É também a todos os que, numa fuga para a frente, tentam empurrar o processo para um beco sem saída. Vale a pena ler a análise de José Almeida Fernandes.

Catalunya

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DN

 

Não tenho opinião sobre a independência da Catalunha. Mas tenho opinião sobre o extremar de posições, nomeadamente a do governo central de Madrid, que está a tentar resolver um problema muito sério e complicado com a força bruta. Apenas consegue um recrudescimento do sentimento separatista e que a revolta se instale.

 

A Espanha franquista permanece na memória de muitos saudosos de uma Nação que nunca foi una.

Burnout opinativo

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Tantas e tão variadas as causas que acendem os ânimos e desatam as iras. É obrigatório ter opinião sobre tudo, contra ou a favor, muito decidida e sem cambiantes, que a reflexão não é boa conselheira. A tolerância deixou de ser um valor por si só, resumindo-se a um título que os que se declaram dele ruidosos possuidores se manifestam nada praticantes. Do combate aos fogos à pedagogia do ensino básico, da obrigação dos coming outs à reserva da privacidade absoluta, dos eclipses solares aos estados de calamidade pública, do sexismo do Chico Buarque, tudo é motivo de absolutas declarações e insultos descabelados.

 

Eu estou cada vez mais apalermada com as minhas indecisões, cada vez mais fundas e sobre cada vez mais assuntos. Num dia penso uma coisa, noutro penso outra; leio uma opinião com que concordo, outra contrária onde descubro razão; entretanto tento informar-me melhor, mas o assunto já foi esquecido e já ferve nova polémica agreste e terrível. Cada vez tenho menos opiniões, até porque não consigo colocar-me de um dos lados da barricada e isso é, só por si, um crime sem perdão para os dois lados da dita.

 

Por exemplo: continuo a achar que a sexualidade seja de quem for é um assunto que não diz respeito ao público em geral e que não tem qualquer interesse nem interferência nas funções públicas seja de quem for. Ninguém é melhor ou pior governante, médico, electricista ou jogador de futebol por ser homossexual ou heterossexual – é irrelevante. Mas também é verdade que nem sequer nos apercebemos que ainda há diferenças entre homo e heterossexuais quando se trata de falar, em ambientes sociais ou profissionais, das mais diversas pequenas coisas quotidianas, como da família, dos filhos, das férias, das fotos, dos problemas conjugais, dos gostos, das doenças, dos sogros e sogras respectivos, das idas ao cinema e aos concertos, das companhias, dos ciúmes, das raivas e irritações, enfim, de tudo aquilo que faz a nossa vida. Isso significa que, na verdade, a irrelevância do assunto pode não ser real. Por isso, se calhar, até é importante que pessoas com visibilidade pública assumam a sua homossexualidade, acabando por normalizar aquilo que ainda não o é.

 

Outro exemplo: os livros de actividades escolares da Porto Editora, separados e distintos para meninos e para meninas. Acho um enorme disparate e demonstrativo de uma atitude bafienta e retrógrada no que diz respeito à promoção de igualdade de género - disso não tenho quaisquer dúvidas. Também me parece óbvio que a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CCIG) só poderia dar um parecer condenando tal anacronismo idiota. Há, no entanto, algumas coisas que não consegui esclarecer: esses livros tinham sido adoptados por algum estabelecimento de ensino? Público ou privado? Onde está o comunicado da CCIG que não consegui ler? Confesso que não gosto da recomendação de retirada de venda. Bem sei que é só uma recomendação mas soa a uma obrigação. Por muito que os ache detestáveis e estúpidos, e desde que nenhum estabelecimento de ensino os tenha adoptado como livros escolares (é obrigação do governo zelar por um ensino que não promova a discriminação de géneros), o resto é connosco, o público. Ou será que temos outra vez listas de livros certos e errados, os aceites e os proscritos?

 

Mas o que mais me incomoda é que a intensidade, o empenhamento e a importância das discussões são os mesmos para todos os temas, desde os excessos alimentares aos atentados terroristas. Tudo é tratado como se a sobrevivência da espécie estivesse em causa ou o mundo prestes a explodir, reduzindo tudo ao menor múltiplo comum.

 

Será da silly season. O problema é que estamos a eternizar a silly season e nós é que nos tornámos silly. Felizmente ainda se vão encontrando artigos de opinião que não têm nada de silly e são bons em qualquer season, como este de Maria de Lurdes Rodrigues: O terrorista integrado.

Da falsidade das notícias...

... ou de como o jornalismo é o campeão da desinformação

 

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Confesso que estremeci quando li a manchete do último Expresso, pensando num escândalo inominável e de uma imensa gravidade. Ao contrário do que é meu hábito, comprei o saquinho com todas aquelas folhas de papel de jornal, para ler com cuidado todo o artigo.

 

É mesmo um escândalo inominável - ter um semanário, como o Expresso, a fazer uma primeira página com uma falsidade que a própria notícia, depois de lida, desmente. Mais inominável ainda é ler o Expresso curto de hoje, onde Pedro Santos Guerreiro repete a falsidade e desmente-a, de novo, de seguida.

 

Afinal, quais e quantas são as vítimas de Pedrógão Grande que não estão incluídas na lista dos 64 mortos? Não existem. Até porque o critério de inclusão das vítimas está explícito na própria reportagem - aquelas que resultaram directamente do incêndio. E, infelizmente, são 64 mortos. Aliás, independentemente de concordar ou não com o critério, nunca o vi ser questionado noutras tragédias.

 

Além de ser uma notícia falsa, é manipuladora e pretende criar um facto político usando desavergonhadamente a tragédia de Pedrógão Grande. No entretanto, tanto o PSD como o BE continuaram o embuste e amplificaram o facto político, pedindo explicações sobre os mortos escondidos.

 

Passamos o tempo a falar do pseudo jornalismo do Correio da Manhã, mas ele já se espalhou. Tanto faz ler as notícias no facebook como nos jornais ditos de referência. Já não se distinguem. É pena que os pedidos de demissão dos vários actores políticos, permanentemente brandidos pelos jornalistas, que se auto nomearam os seus juízes, não se estendam a eles mesmos, actores políticos também, ma não eleitos.

 

Como é hábito após a compra do Expresso concluo que foi dinheiro atirado ao lixo.

Democracia - a linha divisória

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Comunistas portugueses defendem Maduro

 

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PCP votou contra homenagem a dissidente chinês. E ouviu: “Lembram-se de Tiananmen?”

 

O PCP não aprende nada com a História. Mantém a mesma linha ideológica totalitária e, contra as maiores evidências de atropelos à democracia, desde que perpetrados por regimes próximos dos comunistas, negam-os, enquanto os mesmos atropelos dos regimes de direita, denunciam-nos.

 

É por estas e por outras que a coabitação com o PS deixa tanta gente, eu incluída, com um sabor amargo e com a sensação de se estar a ultrapassar a linha que divide os verdadeiros democratas, que defendem a liberdade de expressão de pensamento e aceitam o jogo democrático, dos defensores das ditaduras, mesmo que empreguem muitas vezes a palavra democracia.

A Arte d(n)a Resistência

 

MoMA Takes a Stand: Art From Banned Countries Comes Center Stage

 

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Zaha Hadid

 

This work is by an artist from a nation whose citizens are being denied entry into the United States, according to a presidential executive order issued on January 27, 2017. This is one of several such artworks from the Museum’s collection installed throughout the fifth-floor galleries to affirm the ideals of welcome and freedom as vital to this Museum, as they are to the United States.

 

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Marcos Grigorian

 

This work is by an artist from a nation whose citizens are being denied entry into the United States, according to a presidential executive order issued on January 27, 2017. This is one of several such artworks from the Museum’s collection installed throughout the fifth-floor galleries to affirm the ideals of welcome and freedom as vital to this Museum, as they are to the United States.

 

 

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Parviz Tanavoli

 

This work is by an artist from a nation whose citizens are being denied entry into the United States, according to a presidential executive order issued on January 27, 2017. This is one of several such artworks from the Museum’s collection installed throughout the fifth-floor galleries to affirm the ideals of welcome and freedom as vital to this Museum, as they are to the United States.

 

 

A partir de Yvette Centeno

 

O primeiro Presidente eleito democraticamente

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António Ramalho Eanes

 

 

O primeiro Presidente eleito democraticamente foi o General António Ramalho Eanes, outro dos poucos bons homens de Portugal. Convém que não baralhemos as coisas. Mário Soares não precisa que lhe atribuam méritos alheios. E é importante que não desvirtuemos a História.