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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Sociedade tutelada

Acho completamente errada a pretensão do governo legislar para proibir de jogos de futebol em dias de eleição.

 

Os cidadãos são livres de ir ou não votar. Se consideram mais importante o futebol, por muito que custe, escolherão o futebol.

 

Então e os espectáculos de música? E o cinema? E as corridas? E ir à praia, andar de barco, ou fazer uma viagem longa? Também se proíbem?

Do problema das retenções

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Não, não é da retenção de IRS, mas sim de fluidos. Ao contrário do que aprendi no curso de Medicina, por certo já muito desactualizado, agora todas as pessoas, mais as mulheres, claro, fazem retenção de líquidos, mesmo que não tenham qualquer tipo de insuficiência cardio-vascular, qualquer estado de mal absorção e/ ou hipoproteinémia, qualquer tipo de insuficiência renal.

 

A retenção de fluidos, conforme tenho aprendido nos últimos tempos, é qualquer coisa também ela muito fluida que nos faz aumentar de peso e que passa com a ingestão obsessiva de drenantes, outra palavra que começou a fazer parte do meu léxico. Portanto temos chás drenantes e líquidos drenantes, tudo para reter a retenção de fluidos, sejam eles quais forem. Também é preciso beber litradas de água que, paradoxalmente, acelera a drenagem dos ditos.

 

Para além das várias intolerâncias da humanidade, onde se destacam as recentíssimas intolerâncias ao glúten e à lactose, temos agora que ingerir chás de hibisco, alcachofra, gengibre e dente-de-leão, sumos detox com estranhas misturas de ervas e frutos, banir para todo o sempre o açúcar, deliciando-nos com doces que não têm doce, sobremesas sem açúcar e comendo muita gelatina, daquela dietética, queijo magro, manteiga que não é manteiga, pão das mais diversas farinhas, nomeadamente de farelo (lembro-me sempre que o meu avô compunha a comida dos porcos com farelo), com excepção absoluta do trigo, esquecer a existência da batata (a não ser que seja batata-doce, o novo milagre que cura todos os males do corpo), da massa e do arroz.

 

Portanto, para além de todas as culpas ancestrais que carregamos, as culpas da educação judaico-cristã, as culpas do escasso tempo livre que temos para a família e os amigos, soma-se agora a culpa de comer, porque não sabemos e porque estamos viciados em açúcar. Substituímos o silício pelos complicados e restritos menus a que nos obrigamos, tudo para acabar com a retenção de gordura, de açúcar e, principalmente, dos tais famigerados líquidos que teimam em acumular-se nos nossos martirizados organismos, mesmo depois de uma extremamente saudável sopa de couve-flor com orégãos e de uma saciante beringela gratinada com cogumelos.

Do combate aos excessos

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Vamos combater os excessos de Natal - menos sorrisos, menos generosidade, menos boas-intenções. Afivelemos pois as nossas caras rígidas e de poucos amigos, pois quem precisa de contar as calorias que come e bebe nunca está bem-disposto.

 

A nova moda saudável transforma a população num conjunto de pessoas inadaptadas aos inúmeros alergénios do meio – agora todos somos alérgicos à lactose e ao glúten. Além disso passámos todos a comer sementes em quantidades industriais, acompanhadas de garrafas de litro e meio de água, que bebericamos a toda a hora e momento, com a consequente permanente ocupação da casa de banho.

 

Drenemos pois as toxinas com sumos detox, chá verde e de gengibre. Nada de cacau quente com torradas – a manteiga e as proteínas animais são dos maiores inimigos de um corpo e de uma mente ágeis, leves, inodoras, jovens e elegantes.

 

Os doces são tanto melhores quanto menos doces forem. Aliás também devemos ser alérgicos ao açúcar, tolerando apenas parquíssimas quantidades de mel ou açúcar mascavado (ou amarelo), em doses milimétricas e só quando o rei faz anos. Acabemos com as vacas e os porcos e transformemo-nos em aves, com tanto peru e frango que deglutimos. Também nos podemos permitir peixinhos grelhados ou cozidos, apenas com um fiozinho de azeite, e muitos, muitos legumes, crus e cozidos, grelhados ou assados, crocantes ou cremosos, tudo o que for erva pode ser comido.

 

Portanto vamos combater os excessos de Natal. À falta de silícios podemos tentar a modalidade dos ginásios, às 7 da manhã ou às 8 da noite, ou ainda o PM (personal trainer), que nos faz emagrecer predominantemente na conta bancária. E entraremos em 2017 sem retenção de líquidos, redimidos e saudáveis, brindando com água aromatizada em vez de champanhe.

 

Chá de gengibre, limão e canela

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Cortam-se bocadinhos de raíz de gengibre, casca de limão e paus de canela e faz-se uma infusão. Bebe-se, em litradas, assim mesmo ou com mel.

 

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Queriam também que colocasse Vicks VapoRub na planta dos pés - recusei liminarmente.

Havia ainda o pormenor de calçar depois umas meias quentes.

 

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Os intocáveis (*)

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Pessoas de carne e osso, os jornalistas são como os políticos, os empresários, os médicos, os advogados, os agricultores, os arquivistas, os pedintes ou os futebolistas. Umas vezes são melhores outras piores, umas vezes estão certos, outras errados, uns são sinceros, rigorosos, competentes e honestos, outros cínicos, desleixados, incompetentes e desonestos.

 

Como classe profissional acha-se indispensável, incorruptível, incrível e insubstituível, mas está cheia de gente incompetente, incapaz, inacreditável, intratável e irresponsável, julgando-se inimputável e intocável.

 

Se Cristiano Ronaldo, José Sócrates, Armando Vara, Cavaco Silva, Paulo Portas, Ricardo Salgado, Gabriela Canavilhas, Fernanda Câncio ou Irene Pimentel, para citar alguns exemplos, são escrutináveis e criticáveis, também os jornalistas o são e é de toda a pertinência rever os seus artigos, reportagens e afirmações enquanto produtores de informação, tantas vezes insuficientes, enviesados e mentirosos, com dados errados, inventados ou interpretados à luz de opiniões próprias ou alheias que incorporam sem qualquer crítica.

 

Basta vermos as reacções às críticas de Gabriela Canavilhas a uma reportagem do Público sobre a manifestação em favor da escola pública, em contraste com a que foi feita relativamente à das escolas com contrato de associação, para nos darmos conta dos tiques ditatoriais dos jornalistas que, façam o que façam e digam o que digam, não podem ser contrariados.

 

Cristiano Ronaldo cometeu o erro de sair da imagem de plástico que associamos às figuras mediáticas, com explosões de raiva, frustração e asco por um grupo com quem tem um contencioso judicial há anos, grupo esse que pratica um tipo de pseudo jornalismo alicerçado na devassa da vida privada daqueles que considera propriedade pública, por estarem mais expostos ao público. Não o devia ter feito? É verdade, pelo menos mandaria a prudência bem educada que o não fizesse.

 

Mas atentado à liberdade de informação? Mas ninguém se dará conta de tanto ridículo e de tanto disparate?

 

(*) Nota: Ando definitivamente com falta de imaginação para títulos e para assuntos. Vale a pena ler (juro que não plagiei).