Já não são corpos já não são gente
bonecos desarticulados em posições angulosas
sem cabelos dentes carne.
São ossos que nos furam a alma
palhaços tristes trapos imundos
daqueles que se erguem como máquinas
impenetráveis aos nossos olhos
daqueles para quem a morte se engole
com o pão de todos os dias.
Já não são corpos já não são gente
são vozes que de todos os cantos do mundo
gritam e choram para sempre.
Theresienstadt, ou Teresín (em checo) – foi um campo de concentração nazi, desde 1941, para onde se deportavam judeus, definitiva ou transitoriamente, a caminho de Auschwitz.
Era um campo de concentração que, originalmente, foi pensado para albergar a burguesia judaica germanófona. Havia pintores, escritores, músicos, cientistas, diplomatas, professores, etc. Fazia-se uma tentativa de proceder como se a vida decorresse dentro da normalidade, mantendo as crianças nas aulas e uma produção artística que, por entre os horrores que ali se passavam, poderiam sugerir aos presos a ilusão e alguns vislumbres do que era ser-se humano. Chegou mesmo a ser usado como propaganda do regime nazi, que autorizou a Cruz Vermelha a visitá-lo em 1944.
Calcula-se que dos 140.000 deportados para Theresienstadt apenas 12.747 sobreviveram à guerra. No Museu Judaico de Praga estão guardadas colecções de desenhos e pinturas realizados pelas crianças e pintores de Theresienstadt. Muitos músicos continuaram a compor no campo de concentração.
Anne Sofie Von Otter, em 2007, publicou um CD com uma compilação de obras de vários compositores de Theresienstadt.
Não encontrei no YouTube nenhum excerto do CD. Mas é lindíssimo. Apenas encontrei uma interpretação de uma sonata para violino, de Erwin Schulhoff.
Yvonne Smeulers
Adenda (informação de Eugénia de Vasconcellos): ver o livro de Daniel Blaufuks.

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