A Europa fez o que o eixo franco-alemão tanto desejava – as decisões europeias não são democráticas e a democracia passou a ser uma palavra sem significado nos países europeus.
O novo acordo, que não é tratado para que não seja necessária a ratificação parlamentar e/ou referendo, impõe que os orçamentos de cada estado soberano sejam revistos pela Alemanha, que as constituições de cada estado soberano sejam modificadas. Ou seja, que os estados deixem de ser soberanos e passem a ser uma parte da Alemanha.
Para que iremos nós, cidadãos portugueses, eleger parlamentos se os instrumentos da governação vão passar a ser decididos e Berlim?
O governo português, liderado por Passos Coelho, não podia ser mais subserviente nem acomodatício. Tal como o líder do seu parceiro de coligação. Honra seja feita a António José Seguro que, desta vez, não se mostra disponível a abster-se na questão constitucional.
Esta Europa não é para nós. Convinha que nos preparássemos para sair pelo nosso próprio pé deste pseudofederalismo.
A Chanceler alemã, do alto do seu estatuto auto investido de Timoneira da Europa, quer uma união orçamental. Ontem Sarkozy, auto investido de Adjunto da Timoneira europeia, fez um discurso em que proclamava a união com a Alemanha na defesa do euro e da Europa.
A expressão União Orçamental agrupa as seguintes exigências - inscrição nas constituições dos países membros de tectos de dívidas públicas e de défices orçamentais, com penalizações automáticas para os infractores, desde que, obviamente, não sejam a Alemanha e a França. Quanto aos limites e aos orçamentos não se sabe bem se necessitam apenas de ser aprovados pelo Parlamento alemão ou se também têm que ser ratificados pelo francês.
Estou muitíssimo interessada em saber a opinião dos dirigentes dos partidos da coligação governamental, do maior partido da oposição e do Presidente da República, sobre esta refundação europeia e sobre a implementação democrática deste novo Tratado Europeu.

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