Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2011
Sem dívidas

 

Há ainda um enorme grupo de pessoas que, talvez receosas de que a manipulação da informação que protagonizaram e a desinformação centradas no ódio a José Sócrates, eleito como o maior idiota, incompetente, mal intencionado e parolo do mundo, aquele que deu origem à crise em Portugal e, pelos vistos, em toda a Europa, responsável pelas cheias, pela seca e pela rapina d’Os Mercados, comecem a ser esquecidos perante a imposição da realidade. Por isso continuam a publicar artigos e opiniões sobre o ex Primeiro-ministro, citando em tom jocoso frases retiradas de uma conferência, episódios em reuniões de pais e pagamentos de jantares faustosos.

 

Esses opinadores estão saudosos de um tempo, de um país e de uma sociedade que já não existem, em que a honra se media pela humildade, pobreza, falta de ambição e a cristã resignação perante a incapacidade de se ter um lugar ao sol, neste mundo.

 

Só para esses opinadores é que os países não têm dívidas, só para esses opinadores um país se basta a si próprio esquecendo as inter-relações entre as sociedades, as economias, as culturas. Só para esses opinadores é mais importante não ter dívida pública que investir em conhecimento, ciência, escolas, hospitais, estradas, aeroportos, barragens, parques eólicos, reformas, subsídios de desemprego. Só para esses opinadores o estado deve ser destruído.

 

De facto há um conjunto de ideólogos que não se reviram no estado social que nos orientou durante a última metade do século XX. Esta é a hora deles.

 



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 18:12
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(...) Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz/ mas isso era o passado e podia ser duro/ edificar sobre ele o portugal futuro [Ruy Belo]
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