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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

O carrossel argumentativo

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Tal como a Penélope, a rádio que me acompanhou por alguns minutos, no caminho para o trabalho, foi a Antena 1. E ouvi boquiaberta, a propósito da revisão dos financiamentos estatais à escolas privadas com contratos de associação, outro argumento diferente daqueles que têm sido bombardeados a toda a hora e momento nos jornais, nas televisões, nas rádios, para que se consiga a lavagem cerebral do costume - a esquerda radical quer destruir o ensino privado.

 

Pois para a Helena Garrido o que interessa é a qualidade do ensino, partindo obviamente do princípio que a qualidade está do lado da escola privada. E se houver uma escola privada e uma pública lado a lado, se a privada tiver mais qualidade, deve fechar-se a pública.

 

Claro que não se pode voltar a investir na requalificação das escolas como foi feito pela Parque Escolar e como defendeu António Costa a premência de se voltar a fazer. Não, isso seria enterrar milhões. A qualidade, como facilmente se pode perceber, não tem nada a ver com isso, mas na escola pública. E também não é argumento, para quem defende o rigor das contas e os cortes nas gorduras do Estado, a poupança que representa para o mesmo Estado acabar com os subsídios às escolas privadas quando as públicas estão subaproveitadas.

 

Mas o mais interessante é assistir à emergência de novos argumentos quando se percebe que os anteriores não servem o propósito pretendido. Já ouvi vários: um ataque à Igreja Católica, impedir que os mais pobres tenham acesso ao ensino privado, coarctação da livre escolha das famílias entre público e privado, e por fim este argumento da qualidade.

 

Há apenas um ponto em que estou totalmente de acordo com Helena Garrido - Mário Nogueira nunca foi um factor de qualidade e de modernização na Escola Pública, muito pelo contrário. Esteve sempre do lado das forças mais retrógradas e reaccionárias, sendo um dos grandes responsáveis por muita da degradação da tão falada qualidade da Escola Pública. 

 

Ao contrário da Penélope, ando com o sentido de humor pouco apurado.

Escola Pública

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Uns anos depois volta a guerra das associações de ensino privado com a manipulação informativa a que já nos habituámos, tentando deixar, outra vez, tudo como estava.

 

O que é interessante é o epíteto com que se quer desvalorizar estas decisões governativas dizendo depreciativamente que é uma questão ideológica. É de facto uma questão ideológica. Enquanto os que estiveram no poder na última legislatura têm como objectivo o Estado mínimo, tendo desmantelado o que puderam dos serviços públicos, com a redução da despesa do Estado do lado da vergonhosa redução salarial, redução de investimento na melhoria das condições e nas instalações e equipamentos, para que a iniciativa privada crescesse à custa do outsourcing dos serviços públicos, os que estão no poder agora preferem rentabilizar os serviços do estado e reduzir a multiplicação dos gastos, gerindo os dinheiros públicos e reduzindo a despesa mas do lado do que se gasta em contratualização externa do que deveria ser assegurado internamente.

 

Não está em causa a liberdade de escolha. O Estado deve assegurar para todos os cidadãos a escola pública de qualidade. Só assim será possível escolher entre o público e o privado, com o corolário óbvio de que as escolas privadas deverão se pagos por quem os quer utilizar e não pelo Estado. A não ser que o Estado não consiga assegurar a obrigatoriedade constitucional que, felizmente, é cada vez menos o caso.

 

Parece-me claríssimo que é, de facto, uma questão ideológica. O desemprego dos professores existe e será cada vez maior por causa da acentuada quebra da natalidade, por causa da forma como se distribuem os alunos por turma, se reorganizaram os horários e as ofertas curriculares, etc., etc. E convenhamos que o desemprego dos professores do estado foi enorme nos últimos anos.

 

É muito interessante ouvir as pessoas que tanto vilipendiaram as obras de remodelação das escolas, transformando-as em espaços modernos e adequados para todos os que dela necessitam e em igualdade de circunstâncias, virem agora usar o argumento da falta de condições para justificar a manutenção do status quo, facilitando e incentivando o esvaziamento do ensino público e a proliferação de escolas privadas, financiadas pelo Estado.

Da desigualdade no acesso à Universidade

A desigualdade gritante no acesso à Universidade tem décadas e é um assunto a que ninguém quer dar atenção. No último Expresso e, agora, na RTP 2, falou-se da divulgação de um estudo de Gil Nata e Tiago Neves, que demonstra que há uma acentuada inflação das notas, mais no ensino privado que nos público, mais em certas regiões do país que noutras, estudo esse que não consegui encontrar no portal InfoEscola.

 

vários anos que defendo que seria preferível fazer exames nacionais a todos os candidatos, sendo a nota de exame aquela que se considerava para o acesso à Universidade. Ou então permitir que cada Universidade tivesse as suas próprias provas de acesso. Pelo menos colocaria todos os candidatos em pé de igualdade. Por muito injusta que seja uma prova na avaliação de conhecimentos, é menos injusta que a situação presente, em que há uma elite que paga e compra as notas de entrada nas Faculdades.

 

É um escândalo que nada se tenha feito em tantos anos, permitindo esta claríssima violação do princípio Constitucional que se convoca para outras matérias (e bem) - o da igualdade.

Maria de Lurdes Rodrigues

 

Da justiça temos uma ideia romântica de igualdade, imparcialidade e infalibilidade. De um sistema de justiça queremos que seja rápido, certeiro e rigoroso.

 

Não conheço Maria de Lurdes Rodrigues. Pertenço a uma área profissional totalmente distinta, nunca me cruzei com ela nem profissional nem socialmente. Tenho dela, no entanto, a maior das admirações e um enorme respeito pelo que tem lutado pelo serviço público de Educação, nomeadamente no governo de Sócrates.

 

Não seria intelectualmente honesto da minha parte se, agora, viesse a desacreditar todo o processo em que está envolvida. Ainda tenho esperança que o objectivo da justiça seja ser certeira e rigorosa, já que não é igual para todos os cidadãos, muito menos rápida.  Espero portanto, tal como todos o devemos fazer para todos os processos, o desenrolar dos acontecimento e a conclusão de que, ao contrário de ter prevaricado no exercício de um cargo público, o honrou e dignificou, como eu penso que o fez.

 

No entretanto presto-lhe a minha homenagem.

Distracções

 

Fiquei hoje a saber que António José Seguro é contra esta prova de avaliação dos professores.

 

O que não sei é se António José Seguro acha que há professores a mais na escola pública ou não; se é a favor da escola a tempo inteiro, do ensino obrigatório do inglês, qual o número máximo de alunos por turma que considera ideal; não sei o que António José Seguro pensa sobre o acesso à carreira docente, como se deve estruturar e como se deve ser feita a avaliação do desempenho dos docentes para subida na carreira.

 

É que eu estou de acordo com a restrição do acesso à carreira docente da escola pública para quem mostre melhor capacidade e maior empenho em ensinar. Aliás como estou de acordo que o Estado restrinja o acesso à prestação do serviço público aos melhores, seja ele o ensino, a saúde, a justiça, a segurança. Também penso que este tipo de provas, apenas para quem tem menos de 5 anos, acaba por ser injusta para quem a faz, pois haverá sempre quem está de pedra e cal na profissão, há vários anos, que não tem condições para ensinar. Acabam por ser sempre os mais vulneráveis, neste caso quem é contratado, a ir para o desemprego.

 

Porque deixemo-nos de hipocrisias - esta prova apenas tem como objectivo dispensar professores. O estado não é uma agência de emprego, é verdade, mas tem obrigação de gerir os seus recursos humanos de forma a poder fornecer o melhor serviço com a maior qualidade. Mas essa qualidade será atingida com carreiras que premeiam o mérito, com avaliações justas e rigorosas, em que a competência e a motivação sejam os critérios primordiais para ascensão na carreira, com melhorias remuneratórias, obviamente.

 

Mas sobre esses assuntos não sei o que pensa António José Seguro, e o que faria diferente, perante as circunstâncias concretas. Provavelmente é porque ando muito distraída.

 

Da Educação Pública

 

Vários foram os textos e os posts que li sobre o PISA  2012. No entanto não ouvi nem li qualquer comentário do Ministro Nuno Crato sobre o mesmo quando, há poucos anos, se servia desta mesma organização para demonstrar como no ensino público imperava o facilitismo, como criava indigentes mentais e incompetentes, como certificava adultos sem qualquer conhecimento, apenas para melhorar as estatísticas. Isto, claro, predominantemente sob a batuta dos governos socialistas, em especial dos de Sócrates – nunca nos esqueçamos do que se disse e escreveu sobre o programa Novas Oportunidades, o ensino de Inglês, a aposta na Matemática, a Escola a tempo inteiro, a tentativa de valorização da carreira docente com a avaliação do desempenho, os computadores Magalhães, o programa de renovação das estruturas escolares, o encerramento das escolas com muito poucos alunos,etc.

 

Este Ministério resolveu desfazer tudo o que estava a ser feito. A avaliação das políticas implementadas era obrigatória, tal como a correcção do que correu mal. Mas o que se constata é que, por motivos ideológicos, como em muitas outras áreas, destruiu-se o que estava a resultar.

 

O mais triste é que António José Seguro anda tão distraído como o Ministro Crato. Quando a oposição em peso denegria o trabalho de Maria de Lurdes Rodrigues muitos houve, dentro do PS, que compreendiam muito bem as indignações de Mário Nogueira e da FENPROF; que, demagogicamente, se juntaram ao coro de carpideiras e de revolucionários de bancada para impedir que as reformas avançassem.

 

O que mais me preocupa é o tempo que se perdeu, o que significa de desperdício a regressão e a destruição do que foi uma verdadeira aposta na qualificação e no desenvolvimento do país. O que mais me preocupa, é a inqualificável irresponsabilidade destes governantes e destas oposições sem nenhuma visão, estratégia ou ideia para o futuro.

 

Novilíngua

 

Na novilíngua de que fala Pacheco Pereira estão também expressões como liberdade de escolha.

 

Nesse admirável mundo novo que este governo está a construir, todos os cidadãos, nomeadamente os mais pobres, através do cheque ensino e do esvaziar do SNS para os prestadores privados, terão acesso aos melhores colégios e às mais avançadas terapêuticas. Tal como com os seguros de vida e os fundos de capitalização especulativos, que serão, obviamente, a mina de ouro para os pobres trabalhadores. Não haverá despesismo público nem funcionários preguiçosos e cheios de privilégios.

 

Da pluralidade dos projectos educativos

 

 

Tenho estado mais ou menos afastada da polémica sobre o encerramento do Instituto de Odivelas e a junção deste com o Colégio Militar. Nunca fui adepta de colégios internos, quaisquer que eles fossem, com excepção da altura em que li As Gémeas no Colégio de Santa Clara e que me imaginava protagonista de aventuras semelhantes, nem equacionei a hipótese de lá colocar qualquer dos meus filhos.

 

Posso questionar se a oferta deste tipo de colégios por parte do estado faz sentido, nos dias que correm. Sou totalmente adepta da racionalização de recursos e da necessidade, por esse motivo, de tentar juntar os 3 colégios de ensino militar – Colégio Militar, Instituto dos Pupilos do Exército e Instituto de Odivelas. Não tenho nada contra a hipótese do Colégio Militar ser misto, como nada tenho contra a entrada de rapazes no Instituto de Odivelas.

 

O que não consigo compreender é a forma como todo este assunto está a ser debatido. Não percebo porque se foi buscar o problema do género para esta discussão. Num país e numa sociedade que aceita e preza a liberdade, em que tanto se enaltece a possibilidade de escolha entre as várias ofertas educativas, não entendo porque se demonizam os colégios internos, por um lado, a separação entre os géneros, por outro, e ainda o ensino militar.

 

Não concordo? Não, não concordo. Gosto de Escolas mistas, em que convivam rapazes e raparigas, que sejam externos, sem ordens unidas, manejo de armas, puericultura ou dança de salão. Mas isso não implica a obrigação ao pensamento único, com a ridicularização de quem pensa de forma diferente.

 

O único motivo pelo qual se decidiu juntar o Colégio Militar e o Instituto de Odivelas é o económico. Ficam caros, dão prejuízo, são grandes demais para a procura. E que tal propor que esses colégios se auto-sustentem? Talvez quem os procure esteja disponível para pagar mais.

 

É preciso não esquecer que esses Colégios foram muito importantes como apoio aos filhos de militares, nomeadamente na altura da guerra colonial. Funcionavam como ajuda para aqueles que ficavam órfãos, garantindo-lhes uma educação que, de outra forma, seria impossível para muitos. Da mesma maneira que a a Manutenção Militar, a ADME, as Messes, eram uma espécie de complemento e de ajuda para quem ganhava pouco – os militares sempre tiveram (e têm) uma remuneração muito abaixo de outro tipo de carreiras, como Magistrados, Professores Universitários, etc. Não há, neste momento, justificação para manter esse tipo de apoios? Na verdade já foram todos retirados, as remunerações é que não aumentaram, mas isso é um assunto totalmente diferente.

 

Quanto à conversa dos valores e da pátria e do nacionalismo e da excelência. É bafienta e disparatada, como tantas outras sobre a igualdade de géneros, defesa dos homossexuais, salvamento de espécies em vias de extinção e um sem número de causas que pululam pela nossa sociedade. Mas a existência de instituições centenárias com cultura própria deve ser respeitada, e por isso tenho ouvido defender associações culturais, empresas e casas comerciais que se transformaram em marcos ou em símbolos de comunidades, grupos profissionais, económicos, comerciais, etc.

 

Em relação ao oportunismo de que se acusa Gabriela Canavilhas, parece-me que a oportunista foi Berta Cabral, pois desviou a discussão para a desigualdade entre géneros quando o que está e sempre esteve em causa é, apenas e só, os custos associados à manutenção dos 3 estabelecimentos de ensino, separadamente.

 

E não será de estranhar que o Prof. Marçal Grilo, que coordenou um relatório em que se baseia o despacho do ministério da defesa, tenha assinado um documento contra esse mesmo despacho? E João Soares, também foi politicamente oportunista?

 

Declaração de interesses - sou filha e nora de militares, casada com um ex-aluno do Colégio Militar.