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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

A nova estratégia

Marques Mendes anuncia crescimento da economia acima de 3%. A seguir o INE apura 2,8% também no 3º trimestre. Logo:

 

PSD: "Crescimento ficou aquém das previsões, mas continua a ser positivo"

 

Pelo que me lembro, as previsões do governo eram de um crescimento de 1,8%, que tem sido superado trimestre a trimestre. Aquém de Marques Mendes? A desvergonha do PSD não tem fim.

Do arraso da decência

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Ainda me consigo surpreender com a falta de vergonha da ex-PAF. A era da pós-verdade, da mentira ou iniquidade, tanto faz, tem adeptos ferrenhos em Portugal.

 

Como é possível, depois de tudo o que se passou com o BES, Novo Banco, vende não vende, Sérgio Monteiro, etc., Assunção Cristas e Luís Montenegro tenham feita as declarações desavergonhadas que fizeram?

 

Não há quem não concorde que a solução é má,mas também parece que é a menos má de todas. É bom não esquecer que o ex-governo do PAF (e a Troika) escamoteou e escondeu os problemas da banca, pelo que o mínimo que se poderia esperar era um silêncio prudente e discreto.

Das desigualdades nos direitos fiscais

Compreendo e comungo das críticas em relação ao facto de não ser lícito considerar criminosos fiscais todos os que tenham contas no banco com mais de €50.000.

 

Mas espanta-me que não tenha assistido a uma comoção tão grande de cada vez que se anunciam medidas de cruzamento de dados de todos os tipos e feitios para quem se habilita a receber qualquer apoio social, para ver se não está a ludibriar o Estado e todos os bons cidadãos pagadores de impostos.

 

Nesse caso vale (ou valia) tudo, até somar as remunerações da família inteira para ver se os magros rendimentos justificam o retirar de algum subsídio.

 

Do empobrecimento dos pobres

O terrível e triste desperdício que foi a governação da Troika e da coligação PSD/CDS serão algumas das conclusões do estudo da Fundação Manuel dos Santos - Portugal desigual. Os jornais adiantam que os pobres, os jovens e as pessoas mais qualificadas foram aqueles que mais perderam com a crise. Hoje 1 em cada 5 portugueses vive com menos de 422 euros.

 

A desigualdade aumentou muito durante estes anos e quem menos perdeu foi precisamente o pequeno grupo de pessoas mais ricas. Isto não é populismo, é a realidade. Por isso, quando ouço falar de imóveis no valor de 600.000 euros facilmente adquiridos por quem pertence à classe média, sinto que a falta de vergonha não tem limites.

Dos ataques impostos às classes altas

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São realmente extraordinários os argumentos que se ouvem contra o novo imposto sobre o património. As classes médias, na boca de vários comentadores políticos e económicos, repentinamente tem poder de compra e rendimentos que lhes permitem ter património imobiliário que ultrapasse os 500.000. Exactamente, a escassíssima quantia de €500.000 que, segundo o inefável José Gomes Ferreira, facilmente se atinge.

 

Na opinião de Helena Garrido, outra comentadora altamente competente e imparcial, que apenas se preocupa com a economia, o problema deste populismo de esquerda é que tem um enorme perigo de abrandamento da economia. É difícil de acreditar, mas vale a pena ouvi-la dizer que o prometido imposto irá levar os desgraçados pagadores a não comprarem nem construirem casa, logo mais arrefecimento da economia.

 

Também é interessante ouvir/ ver a entrevista que o mesmo José Gomes Ferreira fez a Maria Luísa Albuquerque (que, por curiosa coincidência, está acessível na PSD TV). Foi uma conversa amena, em que Maria Luísa Albuquerque foi aproveitando as deixas simpáticas que lhe foi deixando o entrevistador, para explanar a sua opinião, mostrando como esta Geringonça está a desgraçar o País, que estava em tão bom caminho com o seu próprio governo.

 

Confesso que ainda conseguem surpreender-me.

 

"(...) Ora, "em qualquer país que leva os impostos a sério", este grupo de privilegiados garante habitualmente cerca de 25% da receita do IRS do ano (palavras de Azevedo Pereira). Por cá, os nossos multimilionários apenas asseguravam 0,5% do total de imposto pessoal. Ou seja, (conclusão nossa), como estamos em Portugal, onde estas coisas da igualdade perante a lei e a equidade tributária são aplicadas com alguma flexibilidade, os "multimilionários" pagam 500 vezes menos do que seria suposto. (...)"Elisabete Miranda - 12 Dezembro/2015

 

Da urgente necessidade das reformas laborais

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Ron Mueck

 

A discussão sobre a redução do horário de trabalho na função pública deveria servir de mote à discussão sobre a as alterações dos contratos de trabalho nos sectores público e privado, de uma reforma da legislação laboral que pudesse tentar resolver o crescente e permanente desemprego, a renovação geracional no mercado de trabalho e o gritante desaproveitamento de uma geração que não consegue iniciar a sua vida independente.

 

Como exemplo e falando de um sector que conheço: a grande maioria, se não a totalidade, dos serviços hospitalares de Anatomia Patológica, tanto públicos como privados, são assegurados por um escasso número de Patologistas com uma média etária a aproximar-se dos 55 anos ou mais. Há, neste momento, uma horda de Internos de especialidade que a acabará a partir do próximo ano e que aguarda que abram os quadros para poder ser contratada.

 

O que exponho para a minha especialidade pode extrapolar-se para as outras, nos Hospitais e Centros de Saúdees, e para outros sectores e áreas de trabalho. Durante anos foi-se aumentando a idade da reforma promovendo o envelhecimento activo, reduzindo os valores das reformas e pensões com o objectivo de as continuar a pagar; aumentou-se o horário de trabalho na função pública para 40 horas semanais, igualando o do sector privado, fecharam-se as contratações no Estado e reduziram-se os ordenados o mais possível, usando e abusando da fragilidade dos que aguardam uma oportunidade e a tudo se sujeitam para a conseguir.

 

Temos portanto quadros envelhecidos e cansados, sem tempo para pensar, ensinar, orientar e apoiar os mais novos, não há qualquer pirâmide etária que permita renovação e continuidade de atendimentos e serviços. Exige-se cada vez mais horas e mais responsabilidades aos mais velhos não havendo lugar para que os mais novos os substituam e iniciem o seu ciclo de vida.

 

É assustador pensar no que irá acontecer em 10, 20 anos, se não houver inflexão da situação e renovação urgente dos quadros e da legislação laboral. A sociedade não pode continuar a desperdiçar os seus mais jovens e qualificados activos, que não podem realizar-se plenamente, nem na vida pessoal nem na profissional. E porque não repensar as carreiras profissionais, diferenciando funções e reduzindo cargas horárias à medida que se aproxima o topo/ fim das mesmas, contratando mais gente jovem, por exemplo?

 

aqui falei de uma proposta de um estudo económico em que se advoga a redução dos horários para 21 horas semanais. Compreendo que os investimentos necessários sejam demasiados nos tempos que continuamos a passar, mas a ausência de implementação de medidas que renovem os quadros e as gerações, com políticas activas de promoção de emprego entre os mais jovens, é um caminho certo para o desastre e um ciclo vicioso quanto à sustentabilidade da segurança social e do SNS.

 

É muitas vezes em momentos de crise que se ensaiam ideias que podem ser a solução, por muito estranhas que sejam. É urgente que partidos, sindicatos, todas as organizações nacionais e internacionais reequacionem o que se tem feito e pensem numa solução. Talvez os fenómenos de aumento da marginalidade, da criminalidade, os fundamentalismos, para além das crescentes desigualdades sociais com as suas bolsas de pobreza e depressões colectivas possam começar a ser reduzidas.

 

Do acosso

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Não é com surpresa que assistimos ao coro mediático de um jornalismo acrítico sobre os cortes de rating a Portugal. É conhecida esta prática.

 

O que é mais extraordinário é a replicação sem qualquer análise dos títulos mais ou menos alarmistas, esquecendo-se de todas as considerações sobre o resultado do ajustamento português feitas por várias Instituições internacionais, já para não falar da observação do que se passou ao fim dos 4 anos da política que tanto agradou às agências de rating, e à falta de credibilidade das mesmas.

 

Mais extraordinária é a desfaçatez de uma maioria que não acertou em nenhuma das suas previsões estar tão espantada e céptica com as deste governo. Mas ninguém aprendeu nada. Ou a barragem propagandística da direita continua a hegemonizar os media portugueses.

 

O que se espera é que o governo de Portugal, País soberano e membro da Europa, negoceie com os seus parceiros sem se dobrar a todas as exigências de Bruxelas, independentemente da vontade expressa dos seus cidadãos. Tudo isto é normal e desejável, ao contrário do que os protagonistas da direita (políticos assumidos e não assumidos) que nos tentam convencer de que é radicalismo a vontade de cumprir a democracia.

 

Quanto aos mercados e às agências de rating, esperemos calmamente pelo fim das negociações.

Governar é difícil

Começaram já as dificuldades deste governo. As esquerdas devem reflectir bem no que se vai passar. É óbvio que ninguém gosta da solução encontrada para o BANIF mas a dúvida é outra - qual a hipótese alternativa? Será este o primeiro teste à vontade das esquerdas para assumirem os problemas e os rigores da governação.

 

Quanto ao PSD e ao CDS, nem tenho palavras para a vergonha de colocarem sequer a hipótese de não apoiarem este orçamento rectificativo, quando eles são os responsáveis pelo dito.

 

António Costa tem mostrado o que é ser um Primeiro-ministro. O governo está a fazer o que pode e o que deve. Finalmente. Vamos ver quanto tempo ainda falta para que Carlos Costa se demita.