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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

A Arte d(n)a Resistência

 

MoMA Takes a Stand: Art From Banned Countries Comes Center Stage

 

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Zaha Hadid

 

This work is by an artist from a nation whose citizens are being denied entry into the United States, according to a presidential executive order issued on January 27, 2017. This is one of several such artworks from the Museum’s collection installed throughout the fifth-floor galleries to affirm the ideals of welcome and freedom as vital to this Museum, as they are to the United States.

 

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Marcos Grigorian

 

This work is by an artist from a nation whose citizens are being denied entry into the United States, according to a presidential executive order issued on January 27, 2017. This is one of several such artworks from the Museum’s collection installed throughout the fifth-floor galleries to affirm the ideals of welcome and freedom as vital to this Museum, as they are to the United States.

 

 

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Parviz Tanavoli

 

This work is by an artist from a nation whose citizens are being denied entry into the United States, according to a presidential executive order issued on January 27, 2017. This is one of several such artworks from the Museum’s collection installed throughout the fifth-floor galleries to affirm the ideals of welcome and freedom as vital to this Museum, as they are to the United States.

 

 

A partir de Yvette Centeno

 

Angola na era da pós-verdade

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José Ribeiro

 

 

(...) Portugal prepara-se para exercer uma interferência em massa nas eleições gerais deste ano em Angola. Com a ajuda de antigos colonos, servidores do apartheid, finança internacional, falsos jornalistas, canais televisivos e revolucionários de pacotilha, está em curso um plano diabólico. Talvez não fosse mau seguir as lições do passado e o exemplo de Trump. Deixem ser os próprios angolanos a decidir sobre os seus destinos!

 

Fantástico! Vale a pena ler este editorial de José Ribeiro no Jornal de Angola, um esteio do jornalismo livre e obviamente não alinhado com o totalitarismo reinante naquela democracia musculada.

 

Que tal uma série sobre os agentes secretos portugueses em Angola - Angola e o plano diabólico português.

O primeiro Presidente eleito democraticamente

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António Ramalho Eanes

 

 

O primeiro Presidente eleito democraticamente foi o General António Ramalho Eanes, outro dos poucos bons homens de Portugal. Convém que não baralhemos as coisas. Mário Soares não precisa que lhe atribuam méritos alheios. E é importante que não desvirtuemos a História.

Da orfandade

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Mário Soares

 

 

É muito difícil explicar às mais novas gerações a importância e o significado que Mário Soares tem para nós, cidadãos que, ainda muito jovens, viveram a lua pela democracia a partir de 25 de Abril de 1974. Até a mim, quando revejo os inúmeros documentários e registos da época, me custa a acreditar que toda aquela frenética vivência foi real.

 

A paixão com que se esgrimiam razões, o imediato doutoramento que todos nós fizemos, em poucos dias (alguns em poucas horas), sobre regimes democráticos e ditatoriais, colonialismo e anti-colonialismo, greves, sindicatos, lutas operárias, liberdade de expressão de pensamento, fascismo, comunismo, patronato, trabalhadores, o mergulho naqueles revoltosos, turbulentos e fascinantes tempos, marcou-nos decisivamente.

 

Talvez por isso, ao ver desaparecer uma das mais decisivas figuras para a implementação e consolidação da democracia em Portugal, o sentimento de orfandade que alguns já manifestaram seja impossível de negar. Não precisamos de ter concordado com Mário Soares, sempre ou de vez em quando, não precisamos de ter votado nele, sempre ou de vez em quando. Mas a forma voluntariosa, decisiva, arriscada e eufórica com que Mário Soares exerceu os seus direitos de cidadão servindo o País, assumindo a política como uma actividade nobre e essencial à comunidade, moldou a nossa sociedade e o rumo de Portugal desde 25 de Abril de 1974.

 

Foram escolhas corajosas. A oposição ao regime de Salazar e Caetano, a oposição ao totalitarismo de esquerda durante o PREC, os governos sob assistência internacional, a adesão à União Europeia, o afastamento da linha oficial do PS aquando do apoio à candidatura de Eanes, a sua própria candidatura à Presidência e, já há poucos anos, a decisão de se candidar contra Cavaco Silva, a opinião contra a guerra do Iraque, decisões muitas vezes polémicas e pouco consensuais. Foi uma vida cheia e estou convencida que, apesar de muitos maus momentos, a terá percorrido com gosto e alegria, que era um dos seus traços mais cativantes.

 

Somos uma democracia, desenvolvemo-nos como uma sociedade solidária, integrados no espaço europeu muito por sua vontade e responsabilidade. Não o fez sozinho mas muito contribuiu, e decisivamente, para que assim fosse.

 

Há um filme americano cujo título é A few good men. Se traduzirmos esta expressão à letra - alguns bons homens - é a frase que me ocorre quando penso naquilo a que muitos chamam os pais fundadores da nossa democracia. Ele era - é - um deles.

 

Mário Soares

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Mário Soares

 

 

Quantas vezes polémico, quantas vezes magnânimo, outras tantas insolente, arrogante e prepotente, mas sempre amante da liberdade, combatente incansável e com um gosto genuíno pela luta política.

 

Quantas vezes o achei excessivo, ridículo até, mas sempre o admirei pela coragem e pela capacidade de ler a realidade e a sociedade portuguesa, que o fazia um temível adversário e um servidor público que marcou e modelou a nossa vida e a nossa democracia que, com muito poucos outros, fundou.

 

A ele, como a muito poucos outros, devemos a liberdade e a democracia, a viragem e abertura à Europa, a modernidade. A sua morte é o símbolo do fim de uma época.

 

Acordemos

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Hillary Clinton

 

Depois do enorme duche de água gelada após a inimaginável vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos EUA, vale a pena acalmar e pensar em várias questões:

  1. Não podemos assumir que as únicas razões para a votação em Donald Trump são a estupidez, a ignorância, a xenofobia e o sexismo, embora essas razões também devem ter estados presentes.
  2. Temos que tentar perceber que a insatisfação, a desigualdade, o desemprego e a crise económica desenvolveram uma crise social que afasta as pessoas dos políticos e da política, levando-as a acreditar em alguém que as convence estar fora do sistema.
  3. Os políticos, nomeadamente os de esquerda, menorizam e inferiorizam os eleitores, tratando-os com desdém e com sobranceria, em vez de tentarem compreender os seus anseios e procurarem soluções para os seus problemas.
  4. A constante afronta aos políticos e à política, falando-se continuamente de corrupção, com suspeitas constantes, acusações, faltas de respeito e desvalorização das funções públicas, são contraproducentes e só alimentam a desconfiança das populações em relação aos seus representantes.
  5. É urgente perceber o que causou os erros das projecções e das sondagens - as pessoas mentiram? Os autores das sondagens não valorizaram ou não contabilizaram com rigor as intenções de voto em Trump? Foram deliberadamente alteradas?
  6. É urgente perceber a crescente irrelevância dos media na cobertura das campanhas e na forma como, deliberadamente ou não, condicionam os leitores, provavelmente levando-os a fazer o contrário daquilo que advogam.

Este é um sinal, mais um depois do BREXIT, que deve acender todas as lanternas vermelhas em todos os cantos da Europa. As ondas populistas continuam e crescem e, enquanto as instituições nacionais e internacionais, como por exemplo a União Europeia, mantiverem o estado de negação e não olharem para os seus povos, para as suas angústias e temores, sem paternalismos nem juízos morais, para tentarem resolver os reais problemas das pessoas, a lenha continuará a ser lançada para estas fogueiras.

 

Não vale a pena lamentarmo-nos. A democracia funcionou e funciona. Mas se esta é a vontade da maioria, por algum motivo essa maioria tem esta vontade. O combate tem que ser frontal, diário e com actos, não apenas com intenções e discursos retumbantes.

 

Esperemos que o Trump Presidente não cumpra as promessas do Trump candidato. De resto, o futuro afigura-se-me bastante incerto e com cores bastantes escuras.

 

Inadmissível

Sejam quais forem as razões dos taxistas é inadmissível o que se está a passar em Lisboa. Espero que o governo, que tem legitimidade democrática, assegure a normal circulação na cidade de Lisboa.

 

As imagens da forma irracional e violenta desta chamada manifestação, que bloqueia os acessos ao aeroporto, assalta veículos e ameaça toda a gente, foram a melhor propaganda para a UBER.