Domingo, 12 de Fevereiro de 2012
Inutilidades

 

 

 

A inutilidade do automatismo de almas e corpos

inúteis porque iguais a todas as partículas universais

movimentando-se caoticamente governadas por leis invisíveis

que exaltam eternamente a inutilidade filosófica do pensamento.

 



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 21:41
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Sábado, 28 de Janeiro de 2012
Figura

 

 

Ebon Heath: visual poetry

 

 

Enquanto te espero para me adulares

vou adoçando estrias contornando a lápis a figura

sombreando curvas retificando gumes

pequenos rigores de alma que despontam

entre o amor que quero e o amor que permito.

 



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 19:20
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Flores

 

Ebon Heath: visual poetry

 

Vou criando flores que só a mim mostram cor e textura

vou criando flores que apenas os meus sentidos perfumam.

Se não forem os meus olhos que as flores observam

se não forem os meus dedos que as flores tocam

desfazem fragmentos de vazio pétalas de fascínio

pela ausência da entrega.

Vou criando formas que só a mim iludem e prendem

numa translúcida nuvem de ternura.

 



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 19:17
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Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012
Máscara

Ebon Heath: visual poetry

 

Pedes-me frases despidas de conceitos e artefactos

desenhos retos de uma linguagem figurada

entre o indecoro da lassidão e a experiência do tempo

pedes-me alma sem o alçapão da memória

corpo sem rasura nem mácula.

 

Aceno em sinal afirmativo sabendo que o momento

da entrega terá a evidente máscara

confidente e confiante da ternura.



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 14:30
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Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012
Perplexidade

 

Ebon Heath: visual poetry

 

Posso guardar os olhos recusando a luz

posso desligar os ruídos ignorando o eco

posso incendiar os dedos rejeitando o toque

que nenhum sentido da inevitável inação

negará a dimensão desta imensa perplexidade.

 



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 18:30
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Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012
Da poesia nua

 

Ebon Heath: Visual Poetry

 

 

 

Retiro adereços às palavras descarno sons e intenções

uso pinças e dentes sem delicadeza nem pudor

escancaro nervos e vozes mesmo as murmuradas.

 

Cruentos os versos que espirram nomes e solidão

nas paredes decalcados os olhos e a nudez

deste meu amor por tudo que de nada se desfez.

 



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 18:30
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(...) Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz/ mas isso era o passado e podia ser duro/ edificar sobre ele o portugal futuro [Ruy Belo]
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