A inutilidade do automatismo de almas e corpos
inúteis porque iguais a todas as partículas universais
movimentando-se caoticamente governadas por leis invisíveis
que exaltam eternamente a inutilidade filosófica do pensamento.
Ebon Heath: visual poetry
Enquanto te espero para me adulares
vou adoçando estrias contornando a lápis a figura
sombreando curvas retificando gumes
pequenos rigores de alma que despontam
entre o amor que quero e o amor que permito.
Ebon Heath: visual poetry
Vou criando flores que só a mim mostram cor e textura
vou criando flores que apenas os meus sentidos perfumam.
Se não forem os meus olhos que as flores observam
se não forem os meus dedos que as flores tocam
desfazem fragmentos de vazio pétalas de fascínio
pela ausência da entrega.
Vou criando formas que só a mim iludem e prendem
numa translúcida nuvem de ternura.
Ebon Heath: visual poetry
Pedes-me frases despidas de conceitos e artefactos
desenhos retos de uma linguagem figurada
entre o indecoro da lassidão e a experiência do tempo
pedes-me alma sem o alçapão da memória
corpo sem rasura nem mácula.
Aceno em sinal afirmativo sabendo que o momento
da entrega terá a evidente máscara
confidente e confiante da ternura.
Ebon Heath: visual poetry
Posso guardar os olhos recusando a luz
posso desligar os ruídos ignorando o eco
posso incendiar os dedos rejeitando o toque
que nenhum sentido da inevitável inação
negará a dimensão desta imensa perplexidade.
Ebon Heath: Visual Poetry
Retiro adereços às palavras descarno sons e intenções
uso pinças e dentes sem delicadeza nem pudor
escancaro nervos e vozes mesmo as murmuradas.
Cruentos os versos que espirram nomes e solidão
nas paredes decalcados os olhos e a nudez
deste meu amor por tudo que de nada se desfez.

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