Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012
A todo o custo

 

 

A Grécia continua o seu calvário para a exclusão do euro, que fará implodir o que resta do mito da Europa. Ontem assistimos a uma selvajaria destruidora em Atenas, aplaudida pelos saudosistas das lutas de massas. É outra versão do a todo o custo. Violência, incêndios a prédios, confrontos com a polícia, cerco ao parlamento, nada disto me parece justificável, mesmo que a raiva seja compreensível. Não é assim que espero ver a dignidade portuguesa defendida.

 

Faltam as alternativas, gente com ideias diferentes, que coloque à opinião pública escolhas autênticas, por muito duras que sejam de encarar. Por isso a ideia do referendo grego era boa, importante e democrática. Tal como democrática é a decisão do Parlamento grego em aceitar o acordo para o resgate. O problema é que a liberdade do Parlamento grego está condicionada por imposições de um colectivo que é um conjunto único, não pelo bem da Europa mas pelo bem da Alemanha. É não haver quem, na Grécia ou em Portugal, desenhe um outro futuro – fora deste simulacro de União Europeia, sem dinheiro, com desemprego, com enormes dificuldades, e tente recomeçar o que se destruiu.

 

Mas a esquerda está mais preocupada em mostrar-se de esquerda, com manobras de má publicidade, abraçando tudo o que é alarmismo e desgraça. Pois ela aqui está, a desgraça, desgraçadamente globalizada neste canto que desejávamos especial e imune.

 



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 14:55
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Sábado, 21 de Janeiro de 2012
Solidariedade, precisa-se

 

 

Sabemos que os tempos estão difíceis para todos, mas é nestas alturas que temos que ser solidários com aqueles que mais precisam. Ao comprares esta t-shirt estás a ajudar o nosso presidente a pagar todas as suas despesas. Por cada t-shirt vendida o Cão Azul dá 1 eur para ajudar o nosso presidente*

*Se por algum motivo não conseguirmos o NIB do presidente aceitamos as vossas sugestões para doarmos o dinheiro das t-shirts que vendermos.

 

Cão Azul T-Shirts

 



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 10:35
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Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012
A derrota da crise (4)

 

Outra ideia para transformar a realidade.

 

 


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publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 21:25
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A derrota da crise (3)

 

Aqui está uma ideia para apreciar condignamente:

 

 

Programa

 

9h: Sessão de abertura

9h30mn: María José García Soler (Universidade do País Basco) - La presencia de la gastronomía en la literatura griega.

10h: Maria Regina Cândido (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) - Banquete grego: entre o ritual da philia e o prazer da luxuria.

10h30mn: debate

10h50mn: pausa

11h20mn: Carmen Soares (FLUC) - A imagem da arte culinária e dos autores de literatura gastronómica na Grécia Antiga.

11h50m: Elisabete Cação (CECH) - Utensílios e processos de confecção em Arquéstrato e Ateneu.

12h10m: Nelson Henrique (CECH) - Da natureza para o prato: a observação de comportamentos e habitats no De alimentorum facultatibus de Galeno.

12h30m: debate

13h: almoço

15h: Inês de Ornellas e Castro (Universidade Nova de Lisboa) - Discursos e rituais na mesa romana.

15h30m: Carlos Fabião (Universidade de Lisboa) - Os preparados de peixe de época romana na Lusitania: os nomes e os produtos.

16h: debate

16h20m: intervalo

16h45m: Paula Barata Dias (FLUC) - Em defesa do vegetarianismo: Fílon de Alexandria e Porfírio de Tiro.

17h15m: Luís Lavrador (Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra) - A propósito dos interditos alimentares no Levítico.

17h35m: debate

18h: Maria do Céu Fialho (FLUC/CECH) - apresentação do livro Práticas Alimentares no Mediterrâneo Antigo, M. R. Cândido (org.). Rio de Janeiro 2012.

18h20m: Sessão de encerramento

20h: Ceia greco-romana (Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra)

 


Temas: ,

publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 21:09
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Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2011
Direito à saúde

 

Tenho estado espectante sobre a política de saúde deste governo. Considero indispensável, agora como antes, a necessidade de tomar medidas para sustentar financeiramente o SNS. A crise do País e da Europa agravam a situação. Mas precisamente por isso é tão importante a gestão dos serviços que o Estado deve manter e reforçar em épocas de austeridade e de grande redução de rendimentos disponíveis.

 

O aumento das taxas moderadoras eram esperadas, ou até exigidas pela troika. Mas a magnitude do aumento e a indiscriminação aparente do que aumenta faz perigar o acesso aos serviços de saúde a quem tem mais dificuldades económicas.

 

As taxas moderadoras para as urgências devem servir para incentivar os cidadãos a recorrer aos Centros de Saúde e aos médicos de família. Mas não é honesto e é perigoso aumentar para o dobro as primeiras (o custo das urgências pode ir até 50 euros por episódio) e para o triplo as segundas, pois não há médicos de família suficientes e os Centros de Saúde não têm capacidade para atender os doentes em tempo útil.

 

Estrangula-se de um lado e estrangula-se do outro. Ou seja, pela primeira vez desde a instituição do SNS os cidadãos portugueses deixarão de ir ao médico porque não têm dinheiro.

 

Se há ou não margem para o crescimento das taxas moderadoras é um debate fútil. O SNS, tal como a Escola Pública e a Segurança Social são as bases da sociedade que construimos desde o 25 de Abril. Ao contrário do que as manipulações política e jornalística tentam divulgar, são instrumentos que garantem a igualdade de oportunidades e a igualdade de direitos a todos.

 

O SNS tem por obrigação cortar os desperdícios, reorganizar-se e tornar-se mais eficiente. Os profissionais são quem mais pode contribuir para isso, pois a redundância de prescrições de meios complementares de diagnóstico e a hipermedicação são dois enormes sorvedouros de dinheiros públicos e exemplos de má prática. Mas o direito à saúde, inscrito na Constituição e no código genético da nossa democracia, está a ser posto em causa com este tipo de medidas.

 



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 22:35
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Segunda-feira, 28 de Novembro de 2011
Era uma vez o euro

 

Aquela crise que era só portuguesa e aquele pedido de resgate, frutos da incompetência de Sócrates e Teixeira dos Santos, está agora a atingir a Itália, mesmo depois de ter havido uma substituição do governo.

 

A França, a Espanha e a Alemanha seguir-se-ão. Mas o nosso governo mantém o modelo da austeridade, assume o papel contristado de PIG penitente perante a Chanceler alemã e Os Mercados, que não reconhecem o seu fiel discípulo.

 

Hoje a maioria fez um pequeno teatro de preocupação com os pobrezinhos. Os contratos de trabalho assinados com o Estado já foram todos rasgados. Além dos cortes salariais que incluem a supressão do 13º e do 14º mês, o governo prepara-se para acabar com o horário laboral de 40h semanais, com a elevadíssima taxa de desemprego.

 

Deve estar tudo certo. Os grandes economistas da oposição que sabiam todas as fórmulas mágicas para acabar com o desemprego e com a dívida, relançando velozmente a economia estão, com certeza, cheios de razão. Nós é que somos todos ignorantes, incompetentes e negligentes, todos filhos da ala socrática do PS, que ainda recebem ordens do grande chefe, enviadas de Paris.

 

Estamos, portanto, cada vez mais gregos.

 



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 21:32
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Terça-feira, 23 de Agosto de 2011
Plano inclinado

 

As notícias sobre a execução orçamental são as que se esperavam - reduzem-se as receitas por causa da recessão económica, o que faz com que os impostos que aumentaram não rendam o que o governo esperava.

 

Infelizmente não são novidades. Também não é novidade que o desvio orçamental a que o Primeiro-ministro aludiu para justificar o imposto extraordinário (13º mês) não existe nem nunca existiu. É tudo bastante visual, de facto.

 

Novidade será as facturas que Miguel Relvas descobriu serem descobertas pelos deputados, caso eles as queiram visualizar.

 

E qual vai ser a solução? Desistimos dos investimentos, desistimos do Estado Social, enfim, do Estado, aumentamos os impostos, as privatizações aí estão. Qual vai ser a solução?

 

E a Europa?



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 21:58
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Sexta-feira, 12 de Agosto de 2011
Os limites

 

Ainda bem que a Troika assumiu que não haverá mais aumentos de impostos, este ano. Agradecimentos à Troika, que nos governa. O Ministro das Finanças, no entanto, ainda não refeito do aumento do IVA anunciado hoje, já se prepara para os novos aumentos de impostos em 2012.

 

E isto é proque há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos.

 

 



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 23:01
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Quarta-feira, 10 de Agosto de 2011
Tumultos em Londres

 

 

Tenho visto as imagens de violência em Londres que passam repetidamente na televisão e no YouTube, com grande preocupação e revolta.

 

Tenho ouvido e lido as opiniões de várias pessoas, tentando explicar o que se passa. Todos queremos que haja explicações e culpamos a sociedade, a crise financeira, a falta de perspectivas de futuro, o desemprego, o defraudar das expectativas de gerações que não conseguem atingir aquilo que lhes foi prometido e propagandeado, o racismo, a xenofobia, todas as culpas de uma sociedade que se enche de minorias marginalizadas, de descontentamentos latentes e crescentes, que qualquer rastilho faz detonar e que os gangs de criminosos aproveitam e amplificam. Há uns anos foi Paris, agora é Londres, com passagem por Atenas. A crise europeia é económica, financeira, social e de valores. O materialismo e o consumismo desenfreado criam e alimentam excluídos que constituem um caldo de tensão constante. 

 

Mas todas essas explicações me parecem insuficientes e vazias perante a constatação de uma total ausência de noções básicas de convivência, de companheirismo, de solidariedade, de decência pura e simples. Para além dos diagnósticos já por todos efectuados, não podemos deixar de nos revoltar e de repudiar os actos criminosos e o vandalismo a que se assiste, a destruição pela destruição, o aproveitamento e o sacrifício dos mais frágeis e desamparados. Uma sociedade democrática não pode deixar de usar a força da autoridade e de pugnar pela defesa dos cidadãos, sob pena de eles próprios se transformarem em vingadores autoproclamados e de formarem novos grupos de criminosos.

 

Não podemos aceitar que seja inevitável, como não podemos desculpar a existência de monstruosidades. Seria muito importante que os líderes políticos assumissem a responsabilidade de olhar para o que se está a passar e invertessem o rumo das exigências ao comum dos cidadãos, assegurando-lhes um dos valores mais importantes para o ser humano – a paz e a segurança.

 

Nota: Vale a pena ler Ferreira Fernandes e Helena Garrido.

 



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 23:01
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Quinta-feira, 23 de Junho de 2011
Os limites da democracia

 

 

A propósito da Grécia, das dívidas, dos pacotes de austeridade e do afundamento do projecto europeu, assim como da subversão dos princípios democráticos, pela redução das opções de escolha dos cidadãos, vale a pena ouvir Maria João Rodrigues, entrevistada por Paulo Tavares (TSF).

 



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 21:24
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(...) Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz/ mas isso era o passado e podia ser duro/ edificar sobre ele o portugal futuro [Ruy Belo]
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