Para além de várias outras nomeações, este filme ganhou distinguido como melhor documentário pelo Directors Guild of America Awards em 2010, melhor guião para documentário pelo Writers Guild of America Awards e o Óscar para melhor documentário em 2011.
No meio de tantos especialistas em economia e finanças, de tantos comentadores sobre os mercados, a crise, a bolha imobiliária, os subprimes, o capital, a esquerda e a direita, fazendo uma pesquisa pela internet, encontrei muito poucas referências o que, só de si, é mesmo muito significativo. Vi-o hoje e recomendo vivamente. Tal como Nicolau Santos, deveria ser objecto de estudo obrigatório.
Coberto de dívidas e sem esperança, Kim decide afogar-se, atirando-se de uma ponte sobre o rio Han, na cidade de Seoul. O azar ou a sorte não o deixam morrer e ele acaba numa pequena ilha deserta, da qual se contempla o esplendor de uma grande metrópole.
Do outro lado da ponte, em Seoul, fechada num apartamento, vive KIM, uma rapariga cuja existência se confina ao seu quarto. O seu contacto com o mundo é feito através de um telescópio e da internet, onde se inventa em personagens fictícias. A lua é a sua casa.
Kim, naufragado na ilha e Kim, naufragada na lua, iniciam uma estranha aproximação, apenas possível naqueles que, despojados de tudo, percebem o essencial da vida e se despem de tudo o que nos parece indispensável e nos escraviza.
Filme de actores, com um argumento aparentemente simples, em que a banda sonora acompanha as emoções sem as conduzir nem as condicionar, uma deliciosa descoberta.
Não percam. Está ainda no Fonte Nova e no El Corte Inglés.
Entretanto, ouçam o concerto para violino Op. 35, de Tchaikovsky, por David Oistrakh.
Lago imenso e escuro, dia de nevoeiro, árvores que abanam, casa de pedra, usada, desleixada, roupas largas, gravidezes expostas, cigarros desfeitos, olhos enormes, cabelos desgrenhados, salas vazias, quartos pequenas, crianças que escutam, olhos enormes, lágrimas contidas, rugas de expressão, homens sem rumo, desamor, amor, velhice, sorrisos, querer sem querer, ter sem saber, esmagar, deitar fora, enganar, triturar, esperar.
Olhos enormes.
Un homme et une femme é um filme de Claude Lelouch, de 1966. Nunca o tinha visto embora conhecesse bem a música de Francis Lai.
Não sei se é um filme inocente, cândido, ingénuo ou romântico. Provavelmente é isso tudo. É um filme que se passa em viagem, entre as viagens de duas pessoas que se encontram no caminho. É um filme de silêncios e olhares, de uma ternura imensa, simples.
Se calhar está datado, porque a nossa relação com as coisas simples não está na moda. E por isso mesmo é também intemporal.
De 7 de Outubro a 10 de Novembro decorrerá a 10ª Festa do Cinema Francês, nas cidade de Lisboa, Almada, Porto, Guimarães, Faro e Coimbra.
Novos autores, curtas-metragens, homenagem a Agnès Varda, concertos com Jane Birkin e Moriarty, muitas razões para seguir sem descanso esta festa, e participar nela.
História de estereótipos de mulheres, de homens e mulheres latinos, do amor em Barcelona e Oviedo, do flamenco e das guitarras, do artista enquanto desequilíbrio e criação, autodestrutivo, das fantasias e da liberdade sexual de quem não tem barreiras.
Estereótipos gentis e credíveis, amáveis caricaturas do que somos, filhos do ambiente, das pedras, do vinho, das flores, das cores das cidades meio indígenas aos olhos de um americano como Woody Allen.
Não no seu melhor, mas um filme leve e, ao mesmo tempo, um filme que se nos cola como uma máscara invisível, mas que nos assenta bastante bem.
Só ontem vi este filme, que eu saiba o primeiro realizado por George Clooney, sobre o terror e a caça às bruxas do Macartismo.
De uma sobriedade exemplar, num registo a preto e branco que nos remete para os filmes de época e da época, cheio de sombras, com o fumo dos cigarros e a voz negra e doce de uma cantora de blues, um saxofone que se entranha no ambiente, as vozes sussurradas do medo, os olhares de quem tudo sabe e de quem tudo esconde, a perseverança de quem sabe quais são as prioridades e os valores que devem guiar a informação e o jornalismo.
Indispensável nestes tempos de espectáculo, superficialidade e falta de rigor informativo. O bom jornalismo faz a diferença. A recusa da demissão de princípios pode mudar alguma coisa.

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