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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

O uso das armas químicas

O facto de se condenar o uso de armas químicas na Síria não é o mesmo que aplaudir o ataque dos EUA. A rapidez com que já se concluiu que tinha sido Bashar al-Assad o responsável, aceitando a intervenção dos EUA sem mais explicações e à margem das Instituições internacionais, recorda o que se passou com a manipulação informativa aquando da guerra do Iraque, nomeadamente com a evidência de existência das armas de destruição maciça. Não podemos, no entanto, escamotear que houve, de facto, um horrível ataque com armas químicas.

 

Mas a estratégia do PCP de tentar desviar o assunto que se discute com outros horríveis pecados do adversário, desculpabilizando os seus aliados, é também conhecido, arcaico e desonesto.

Do arcaísmo ideológico ainda vivo

O PCP continua a manter as suas costumeiras características de uma cegueira ideológica arcaica. Inacreditável que, perante um inqualificável crime de guerra na Síria, com a utilização de premeditada de armas químicas, não se tenha juntado ao voto de condenação no Parlamento português. Pelo contrário, condena os EUA pelo bombardeamento que se lhe seguiu.

 

É lamentável e incompreensível.

Do arraso da decência

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Ainda me consigo surpreender com a falta de vergonha da ex-PAF. A era da pós-verdade, da mentira ou iniquidade, tanto faz, tem adeptos ferrenhos em Portugal.

 

Como é possível, depois de tudo o que se passou com o BES, Novo Banco, vende não vende, Sérgio Monteiro, etc., Assunção Cristas e Luís Montenegro tenham feita as declarações desavergonhadas que fizeram?

 

Não há quem não concorde que a solução é má,mas também parece que é a menos má de todas. É bom não esquecer que o ex-governo do PAF (e a Troika) escamoteou e escondeu os problemas da banca, pelo que o mínimo que se poderia esperar era um silêncio prudente e discreto.

Da inconclusão da Comissão de Inquérito à CGD - 1 (um - I - 1ª - pimeira)

Resolução da Assembleia da República n.º 122/2016

Constituição de uma comissão parlamentar de inquérito à recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à gestão do banco

 

A Assembleia da República, (...) constitui uma comissão parlamentar de inquérito à recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à gestão do banco, (...) com o seguinte objeto:

a) Avaliar os factos que fundamentam a necessidade de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, incluindo as efetivas necessidades de capital e de injeção de fundos públicos e as medidas de reestruturação do banco;

b) Apurar as práticas de gestão da Caixa Geral de Depósitos no domínio da concessão e gestão de crédito desde o ano de 2000 pelo banco em Portugal e respetivas sucursais no estrangeiro, escrutinando em particular as posições de crédito de maior valor e/ou que apresentem maiores montantes em incumprimento ou reestruturados, incluindo o respetivo processo de aprovação e tratamento das eventuais garantias, incumprimentos e reestruturações;

c) Apreciar a atuação dos órgãos societários da Caixa Geral de Depósitos, incluindo os de administração, de fiscalização e de auditoria, dos auditores externos, dos Governos, bem como dos supervisores financeiros, tendo em conta as específicas atribuições e competências de cada um dos intervenientes, no que respeita à defesa do interesse dos contribuintes, da estabilidade do sistema financeiro e dos interesses dos depositantes, demais credores e trabalhadores da instituição e à gestão sã e prudente das instituições financeiras e outros interesses relevantes que tenham dever de salvaguardar.

 

Pelos vistos não interessa concluir esta Comissão de Inquérito. É muitíssimo mais importante descobrir o que exigia uma Administração que não chegou a funcionar, vasculhando os sms entre António Domingues e Mário Centeno.

Das questões vergonhosas

Convém que deixemos de fingir que há condições para manter relações políticas normais entre Portugal e Angola, pois o último não é um Estado de Direito democrático. Não é possível continuar a tentar ignorar que o regime político que vigora não é uma democracia, sendo a justiça totalmente dependente do poder político.

 

À desvergonha das acusações divulgadas pelo Jornal de Angola somam-se agora as atitudes do próprio Estado Angolano ao cancelar a visita oficial da Ministra Francisca Van Dunem. Não seria altura do Estado Português cancelar a visita oficial do Primeiro-ministro António Costa?

Dos vazios concursais

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A abertura de vagas para o SNS que, sistematicamente, ficam praticamente vazias, deveria levar-nos a repensar muitos dos mitos que pululam pelo espaço da discussão pública.

 

O SNS deixou de ser atractivo para os médicos. A sensação de que não há qualquer vantagem em o integrar, devido ao desinvestimento em equipamentos, à desadequação em recursos humanos, à desorganização dos serviços, nomeadamente dos de urgência, à inexistência, na prática, de carreiras médicas e ao facto das remunerações não serem competitivas com as do sector privado, talvez expliquem uma parte desta situação.

 

Por outro lado demonstra-se, ao contrário do que muito se afirma, que não há médicos a mais. Se fosse esse o caso, os lugares a concurso seriam todos preenchidos. Compreendo que um médico que fez a sua formação em Lisboa ou no Porto tenha dificuldade em mudar a sua vida para outro local, mas só não o faz porque tem outras alternativas.

 

Concordo com a criação de incentivos mas, pelos vistos, esta não está a resultar. Além disso também podemos perguntar-nos porque não se dão incentivos a outras profissões para que fosse possível desacelerar a desertificação do País. Porque não ponderar a possibilidade de tornar uma obrigação contratual dos médicos, após a formação específica, terem um determinado número de anos para servirem o SNS? Na realidade o Estado investe na formação de especialistas, pelo que deveria ter como contrapartida a prestação de serviço onde ele é necessário, com as devidas condições, como é óbvio.

 

Após o 25 de Abril instituiu-se o serviço médico à periferia, o que permitiu melhorar as condições de saúde e de acessibilidade da população a cuidados médicos, contribuindo para a fixação de muitos dos deslocados nessas localidades.

 

Aguarda-se que os responsáveis políticos reponderem a organização e a forma como devem ser geridos os recursos do País. O SNS precisa de gente e de reformas que não se prendem apenas com a melhor aplicação dos orçamentos disponíveis. Sob pena de desaparecer, o que seria um retrocesso sem perdão.